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Pesquisa aponta que 47% da população do Norte do Brasil não tem o hábito da leitura

Índice coloca a região no ranking daquelas com menores números de leitores do País, junto com o Nordeste e Sul 19/05/2016 às 13:12 - Atualizado em 19/05/2016 às 15:27
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No Norte, em média 2,4 livros inteiros ou em partes foi lido por habitante nos últimos três meses. (Foto: Clóvis Miranda/Arquivo)
Luana Carvalho Manaus (AM)

Apesar do aumento considerável no número de leitores no Norte do Brasil nos últimos três anos, segundo a Pesquisa Retratos da Leitura, divulgada na última quarta-feira pelo Instituto Pró-Livro (IPL), a região destaca-se, junto com as regiões  Nordeste e Sul, com os menores números de leitores do país. No Norte, 47% da população não lê.

A pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência considerou a distribuição da população de mais de 5 anos de idade, alfabetizada e não alfabetizada, pelas cinco regiões brasileiras. No Norte, o número de leitores saltou de 47% em 2011 para 53% em 2015, ultrapassando o Nordeste, composto por uma população de 51% de leitores, enquanto o Sul, que ocupou o pior índice, é formado por 50% de leitores. 

Nesta edição, o melhor percentual ficou com o Sudeste, com 61%. A região Centro-Oeste ficou na segunda posição com 57%. No geral, ainda segundo o levantamento, o  Brasil é constituído por 56% de leitores, ou seja, 104,7 milhões de leitores. Um crescimento de 6% em relação à apuração de 2011, quando apenas 50% da população era considerada leitores.

A pesquisa aponta, ainda, que a região Sudeste apresenta o maior índice de livros lidos (inteiro ou em partes) nos últimos três meses, com um total de 2,98 – índice que ultrapassa a média nacional de 2,54. O Centro-Oeste fica como em segundo lugar, com 2,52;  o Nordeste, com 2,15; e o Sul, com 2,05. 

No Norte, em média 2,4 livros inteiros ou em partes foi lido por habitante nos últimos três meses. Se  considerar apenas livros lidos inteiros, este número cai para 1,6. Uma curiosidade é que, entre as literaturas, destacam-se a Bíbia, livros religiosos, romances, poesia e livros didáticos. 

Para o doutor em linguística Sérgio Freire, o aumento nos números não significa,  necessariamente, que a sociedade tenha se tornado mais   plural e diversificada. O aumento nos índices, segundo ele, dá-se por vários fatores. O fato do crescimento no número de pessoas que completam o Ensino Médio no brasil, além do acesso a escolaridade, são exemplos. 

“Outro fator é a própria distribuição de renda que ocorreu no país nos últimos 10 anos, que permite o acesso a bens de consumo, entre eles o livro”, analisou o professor.

Análise - Sérgio Freire - Doutor em Linguística

É interessante notar que o livro lido mais citado é a Bíblia. Isso também mostra o crescimento do evangelismo na sociedade brasileira. Assim, se há o que se comemorar (o aumento do número de leitores em si), é preciso também fazer uma leitura qualitativa desses leitores. Não é porque o número de leitores aumentou que, necessariamente, teremos uma sociedade mais plural e diversificada. Deveria ser, mas não é o caso. Quase metade dos que não leram mais do que leram diz que não leu mais porque não teve tempo. Isso aponta para uma necessária ampliação das políticas públicas de leitura. Temos uma biblioteca pública estadual capenga e uma municipal em eterna reforma. O que necessitamos é ampliar as condições de acesso social aos bens de consumo, com maior e melhor distribuição de renda, e fortalecer as políticas públicas de leitura.

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