Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
Vida

Pesquisa virtual mostra que mulheres não gostam de 'cantadas baratas'

Mais de sete mil mulheres participaram da enquete da campanha 'Chega de Fiu-Fiu', feita em agosto pela página Think Olga, e a grande maioria afirmou que não gosta de cantadas e já até evita algumas roupas para evitá-las



1.jpg No filme "Amor Estúpido e Louco", o personagem de Ryan Gosling interpreta um mulherengo que 'canta' mulheres em bares e leva um fora da personagem de Emma Stone
13/09/2013 às 15:25

Desde que a página Think Olga publicou o resultado da pesquisa sobre cantadas e assédio da campanha “Chega de Fiu-Fiu”, nesta segunda-feira (09), o assunto é um dos mais repercutidos na internet e comentados nas redes sociais. A enquete foi feita durante o mês de agosto, com perguntas a respeito de abordagens masculinas de diversas formas e em diversos lugares. O resultado mostrou que, para a grande maioria das 7762 participantes, cantadas não são nada bem vindas, e que muitas já trocaram de roupa ou evitaram sair para alguns lugares só para evitá-las.

Longe de querer abolir as paqueras em baladas, ou a troca de olhares recíproca em uma festa, a campanha “Chega de Fiu-Fiu” surgiu com o objetivo de promover debates e compartilhar depoimentos sobre quando abordagens de homens desconhecidos em lugares públicos podem ser ofensivas e acabar intimidando a mulher, já virando uma espécie de assédio.

A jornalista fundadora do site, Juliana de Faria, 28, explicou ao ACRITICA.COM que a pesquisa – criada pela jornalista e colaboradora do blog, Karin Hueck – tem como objetivo entender melhor como, onde e quando o assédio acontece.

“Ela nos ajuda a reconhecer que o assédio existe e tenta deixar claro para os homens que elogios ou contatos feitos por estranhos muito provavelmente serão percebidos como violência. E, para as mulheres, que assédio não é culpa delas – e é algo contra o qual elas devem lutar!”, explicou.

Os números da pesquisa mostram que 98% das participantes já recebeu cantadas na rua; 81% já deixou de fazer algo ou de sair para determinado lugar com medo de assédio; 90% já trocou de roupa pensando no lugar que ia por medo de assédio; que 73% delas já foram apalpadas na bunda sem o consentimento em locais públicos e 83% não acham a cantada uma coisa legal.

Entre as cantadas mais frequentes recebidas pelas participantes estão termos como: “gostosa”, “linda”, “ô lá em casa” e “te pegava toda”.

Cantadas ruins

Apesar de não terem participado da pesquisa, a estudante de designer Gabriella Fretas e jornalista Susy Freitas, aprovam a iniciativa e dividiram momentos ruins que já viveram por causa de cantadas inconvenientes.

Gabriella teve que conviver com comentários inapropriados no ambiente de trabalho. “No meu antigo emprego, que era em uma clínica que só atendia pessoas da construção civil, eu me sentia mal e eles não estavam nem aí. Eles se referirem a mim como: meu anjo, boneca essas coisas toscas, e ainda tinham uns 'caras de pau' que ficavam comentando coisas ofensivas com os amigos e que dava pra ouvir”, relatou.

Susy também enfrentou situações desagradáveis por causa de cantadas. Segundo ela, a mais expressiva aconteceu em uma via pública. “Estava caminhando, quando um grupo de rapazes me importunou com palavras xulas e um deles puxou meu braço; reagi na hora e empurrei o rapaz, mas tive medo por boa parte do percurso de que eles me seguissem, porque nunca dá pra saber se o cara é só sem noção ou se seria um agressor”.

Bons elogios na hora certa

Alguns elogios podem ser convenientes e oportunos em certas ocasiões e se tornar até algo romântico. Um exemplo é o vídeo com elogios sinceros a uma mulher que também está fazendo sucesso na internet.

Um homem chamado Jason Mortensen foi filmado por sua esposa, Candance, após acordar de uma cirurgia de hérnia delicada. Na filmagem, ele está tão abatido que não se lembra da esposa, mesmo assim a elogia e fica muito feliz e surpreso quando ela conta que é casada com ele.

No vídeo, Jason olha para a Candance e diz: “O doutor te mandou? Cara, você é um colírio para os olhos. Você é a mulher mais bonita que já vi. Você é modelo?". Aos risos, a mulher se apresenta: "Meu nome é Candance. Sou sua esposa". Então, o operado faz cara de espanto e solta: "Você é minha mulher? Há quanto tempo? Nós temos filhos? Cara, nós já nos beijamos?".

A filmagem,  intitulada “Seeing her for the first time again” (vendo ela pela primeira vez de novo, em portugês), foi publicado por ele no Youtube no dia 30 de agosto e já tem mais de nove milhões de visualizações. Por causa do gesto, ele está sendo chamado na internet de “Marido do ano”.



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