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LANÇAMENTO

Pesquisador Sávio Stoco lança livros sobre cinema e fotografia no Amazonas

Anos depois de abraçar a área da pesquisa acadêmica, Sávio percebeu que muitos dos textos que escreveu na época de redação poderiam ajudar a traçar um panorama do que se tornou o cinema e o audiovisual amazonenses a partir dos anos 2000 22/06/2016 às 10:10 - Atualizado em 22/06/2016 às 15:49
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Sávio é doutorando do Programa de Pós-graduação Meios e Processos Audiovisuais da USP “Fotografia...” será distribuído e “Cine AM” custará R$ 5 / Foto: Divulgação
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Assim como se fala em uma “retomada” do cinema brasileiro a partir do lançamento do filme “Carlota Joaquina, Princesa do Brasil”, em meados dos anos 90, também é possível identificar um novo fôlego na trajetória da Sétima Arte amazonense com a difusão da tecnologia digital, na virada do século.

Quem faz a avaliação é o artista visual e pesquisador Sávio Stoco, que lança nesta quarta-feira o livro “Cine AM”, um compêndio de entrevistas e matérias sobre a produção audiovisual do Amazonas na última década. Na ocasião, ele também lançará “Fotografia contemporânea amazônica”, fruto de outro projeto que coordenou aqui, em Belém e Boa Vista, no ano passado.

Sávio explica que “Cine AM” reúne entrevistas e matérias que ele escreveu nos anos em que atuou na imprensa diária de Manaus. Na época, ele já tinha um envolvimento com a produção e reflexão sobre o audiovisual pois era um dos participantes do Coletivo Difusão e do Núcleo de Antropologia Visual (Navi/Ufam).

“Por conta disso, lembro que quando produzia essas matérias sempre havia um esforço pessoal envolvido, seja em aprofundar algumas questões na medida do possível ou em falar com determinadas pessoas”, afirma.

Anos depois de abraçar a área da pesquisa acadêmica (hoje ele é doutorando da USP com um projeto sobre Silvino Santos), Sávio percebeu que muitos dos textos que escreveu na época de redação poderiam ajudar a traçar um panorama do que se tornou o cinema e o audiovisual amazonenses a partir dos anos 2000. Estão lá textos sobre figuras importantes dessa história, como o crítico Luiz Ruas e a pesquisadora Selda Vale, além de matérias mais factuais sobre festivais, projetos e novos realizadores.

“Os textos vão até o final de 2010, mas como nós já estamos numa outra etapa de produção audiovisual, com filmes mais numerosos e produtores que identificamos com mais facilidade, achei significativo permear esse material com imagens dessas novas produções. Elas não têm a ver com os textos, mas formam outra camada temporal importante”, acrescenta o autor.

Nova cena

Um dos destaques de “Cine AM” é a transcrição de uma entrevista realizada pelo Coletivo Difusão, em 2006, com o professor e pesquisador Narciso Lobo, falecido em 2009. Foi ele quem associou, em livro originado de sua dissertação de mestrado, a história do cinema amazonense a uma “tônica da descontinuidade”.

Feita a partir de uma reflexão sobre o movimento cineclubista na Manaus dos anos 60, a crítica de Narciso valia tanto para a memória fragmentária da Sétima Arte local quanto para as dificuldades que o cinema teve para se desenvolver no Amazonas desde o início do século 20. Segundo Sávio Stoco, é nesse contexto de descontinuidade que é possível falar em uma “retomada” nos anos 2000, quando entra em cena a tecnologia digital cada vez mais acessível.

“Não é que nos anos 80 e 90 não tenhamos tido nenhuma produção, mas ela era muito rarefeita. Não havia coesão de atividades, formações e produção como a que tivemos a partir da virada do século. O Júnior Rodrigues (Amacine Futuros Cineastas) é central nessa animação inicial, com as oficinas que ele promove tanto na capital quanto no interior”, conclui.

Fotografia na região

Por sua vez, “Fotografia contemporânea amazônica” reúne artigos escritos pelos convidados do projeto “Seminário 3x3”, que em 2015 passou pelas capitais de Roraima, Amazonas e Pará com patrocínio da Funarte. “Segmentamos na fotografia por ser uma linguagem bastante usada nesses três locais. Belém, por exemplo, tem uma cena de fotografia muito aquecida desde os anos 80. A ideia era fazer um intercâmbio entre os artistas”, conta Sávio.

Quando fala sobre o que ficou dessa experiência, o autor destaca que os seminários deixaram mais evidente o quanto ainda há de desconhecimento sobre a produção visual dentro da região amazônica, apesar de toda a proximidade geográfica e histórica.

“O pessoal do Pará é muito ligado aos pesquisadores e curadores do eixo Rio-São Paulo e com instituições internacionais, mas eles desconhecem o que acontece na cena dos outros Estados, e nós também. Essa interação foi importante para quebrar um pouco disso”.

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