Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2021
Literatura

Pesquisadora lança livro que conta história de mulheres que vivem em Manaus

Lançamento está previsto para a segunda quinzena de dezembro



Sem_t_tulo_5D533D20-69A1-4A8D-8327-7AEE7B7D9EF7.jpg Foto: Junio Matos
04/12/2020 às 11:20

As mulheres podem ser e estar onde quiserem. É com este premissa que a assistente social e pesquisadora manauara, Joselene Gomes de Souza, reuniu a história de nove mulheres amazonenses - incluindo ela mesma - em um livro que narra as estratégias utilizada por elas para sobreviver na capital do Amazonas. O livro “Silenciosas, Modestas, Castas e Subservientes” tem previsão de lançamento em Manaus para a segunda quinzena de dezembro.

Segundo a idealizadora do livro, a ideia surgiu ao escrever um memorial que detalha a breve trajetória da sua vida.



“Eu escrevi timidamente cinco ou seis páginas. Não queria que se revelasse minha história de vida. Na qualificação, as professoras da banca examinadora viram que a partir do memorial, eu deveria parar de escrever sobre sustentabilidade ambiental no Amazonas, pra começar a falar sobre sustentabilidade social, com base na minha história de vida. No memorial eu coloquei basicamente que sou nascida em Manaus, filha de pais negros e analfabetos. Minha mãe separou do meu eu tinha dois anos, e aos seis anos de idade, fiquei sozinha e comecei a trabalhar como empregada doméstica. Descrevi alguns passos que fiz para chegar onde estou, as dificuldades que enfrentei para conseguir concluir meus estudos, por exemplo”, contou a pesquisadora.

Após finalizar a dissertação, que também contou com a trajetória de uma outra mulher manauara, Joselene decidiu que daria voz a mais sete mulheres que tinham uma história de vida próximas a da própria autora.

“Decidi que iria continuar com a história oral, só que iria contar a história de vida de mulheres, que muitas vezes a gente sabe que a pessoa chegou em determinado local, mas não se sabe o caminho percorrido até ali. Eu escolhi sete mulheres que participaram direta ou indiretamente dos movimentos sociais em Manaus. Fiz o contato com elas e elas se disponibilizaram em ceder entrevista. Fiz a metodologia de história oral. Essas mulheres foram sujeitas da minha pesquisa de doutorado”, relatou a autora.

Uma voz para as mulheres

Joselene Gomes conta que a publicação de seu livro ressalta a importância das mulheres “invisibilizadas” serem ouvidas.

“Achei que seria interessante publicar essas histórias. Acrescentei as mulheres da tese e as duas da minha dissertação. Resolvi acrescentar um trecho da Michelle Perrout, que fala que a história das mulheres é sempre contada por homens, como se elas não tivessem visibilidade. As pessoas falam que elas não têm vozes. Vozes elas sempre tiveram, só que elas não são ouvidas”, ressaltou a assistente social.

O “papel” da mulher

A autora do livro também destaca que a escolha do título foi de forma crítica a ideologia que busca a todo instante definir qual o papel da mulher na sociedade.

“As mulheres que eu entrevistei contam que geralmente os papeis atribuidos a elas são na cozinha, como mãe, educadora, dona de casa, doméstica. Elas fazem isso muito bem, mas elas agregam outros papeis muito importantes também. Ela fazem a história, cada uma dentro do seu espaço, dentro das suas possibilidades. Elas são guerreiras natas. As mulheres exercem qualquer papel. Em qualquer lugar elas podem estar. A sociedade nos encaixou dizendo quais papeis são definidos para as mulheres. As histórias dessa mulheres mostram que elas podem exercer qualquer papel e participar de qualquer local”, definiu a pesquisadora.

Lançamento

Por conta da pandemia, o livro foi apenas lançado virtualmente e pode ser adquirido por meio do site da Editora CRV: https://editoracrv.com.br/produtos/detalhes/35269-crv. Entretanto, Joselene busca realizar o lançamento na segunda quinzena de dezembro.


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