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Tatuagem

Pessoas comuns carregam no próprio corpo as marcas da paixão por Manaus

“É uma homenagem à cidade e à profissão. Quis unir útil, agradável e essencial”, afirma o designer Pedro Castro 02/04/2016 às 19:13 - Atualizado em 03/04/2016 às 14:33
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Skyline de Manaus rodeia o braço do design Pedro Castro (Foto: Antônio Menezes)
Felipe Wanderley Manaus (AM)

No poema “Abaixo-assinado de Amor a Manaus”, o saudoso Anibal Beça era enfático: “Só Manaus é diferente/em vez de morar na cidade/é ela que mora na gente”.  E tinha razão o poeta. Que o digam aqueles que, nascidos ou não na capital amazonense, mas apaixonados por ela, carregam no próprio corpo as marcas dessa relação de amor e identidade, revelando seu orgulho manauara à flor da própria pele.

Um deles é o chef de cozinha Brenno Torres.  Manauara viajado, ele decidiu homenagear sua cidade natal com um desenho do calçamento da Praça São Sebastião e do Teatro Amazonas, símbolos de Manaus, no antebraço direito. A motivação tem a ver com a experiência de muitos amazonenses em relação à sua identidade: sentir na pele o preconceito e a discriminação do sudeste. E, foi, portanto, na própria pele, que ele deu a resposta.

“Quando a gente vai viajando, percebe discriminação com a cidade, com a galera do Norte. Falei: ‘quero mudar isso’”, disse ele, que hoje faz questão de explicar que o piso da Praça São Sebastião, comumente confundido com o calçadão de Copacabana, foi quem veio primeiro, e só depois imitado no cartão-postal carioca. “Nasceu aqui e simboliza o encontro dos rios Negro e Solimões e decidi mostrar isso”, diz Brenno.

Inspirado na história

Também foi o calçamento da Praça São Sebastião a inspiração da tatuagem do artista e restaurador Ricardo Moro. Nascido em Belém, ele já morou em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Velho, Palmas e Fortaleza, mas foi a capital amazonense que ganhou uma homenagem especial na pele do artista. 

“Pelo fato de gostar de artes, trabalhar com restauração e consequentemente  gostar de tatuagens, eu quis expressar na minha pele o meu amor por essas coisas, pela cidade e sua grande história, então escolhi o Teatro e a calçada da praça São Sebastião. Eu mesmo bolei o desenho”, orgulha-se.

De interessante efeito estético, a tattoo tem no seu valor simbólico a maior curiosidade em relação ao desenho: Moro trabalhou em projetos de restauração do Monumento à Abertura dos Portos e do próprio Teatro Amazonas. “Manaus me conquistou, pela sua energia  e por sua história”, justificou o artista.

As linhas da cidade

O designer Pedro Castro é apaixonado por tatuagens. Por meio delas, já homenageou o pai, a mãe e até uma amiga. Porém, foi ao e realizar um estudo para a conclusão do curso de Design lançando um olhar diferente para a cidade, que ele saiu para fotografar a capital e nunca mais a viu como antes. 

Apaixonado pelos detalhes arquitetônicos da capital amazonense, ele traçou a skyline (linha do céu) manauara que tem tatuada ao redor do braço direito. “Pra mim é muito especial, eu realmente nunca tinha reparada o quanto é marcante (a skyline de Manaus), disse Pedro, que exibe as linhas da Igreja de São Sebastião, Teatro Amazonas, Paço Municipal e Ponte Rio Negro.

Ricardo Moro- artista e restaurador

 “Pelo fato de gostar de artes, trabalhar com restauração e gostar de tatuagens,     eu quis expressar na minha pele o meu amor por essas coisas, pela cidade e sua história. A maioria das pessoas pensa que é a calçada de Copacabana, aí eu falo que é daqui da Praça São Sebastião e só depois de 30 anos fizeram lá.”

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