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VIDA SAUDÁVEL

Plantas não convencionais da Amazônia são alternativa contra a ‘monotonia’ alimentar

Segundo o doutor em Botânica Valdely Kinupp, vegetais têm potencial gastronômico pouco conhecido pelas pessoas 26/02/2017 às 05:00
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O Dr. Valdely Kinupp é fornecedor da Casa da Pamonha, dentre outros restaurantes (Clovis Miranda)
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Elas podem estar crescendo no seu quintal, mas cairiam muito bem no seu prato. Urtiga, capeba, taioba, picão-preto, vinagreira roxa e ora-pro-nobis são alguns exemplos de plantas brasileiras com um potencial culinário ainda pouco conhecido, mas que têm tudo para se tornarem populares, ainda mais em tempos de busca por uma alimentação saudável. 

As flores, folhas, sementes ou caules dessas Plantas Alimentícias Não Convencionais são ótimos ingredientes para quebrar a “monotonia” das refeições, como diz o doutor em Botânica Valdely Kinupp, umas das sumidades no assunto. Ele tem presença confirmada no próximo Festival de Comida Ecológica, que acontece em Manaus de 29 de março a 02 de abril, onde as PANC serão um dos destaques. 

“Nossa alimentação é muito monótona. Comemos no máximo 100 tipos de vegetais por ano, e no dia a dia eles ainda se repetem, como a alface, couve, cebola e outros”, afirma Kinupp. Segundo ele, as PANC hoje são uma linha de ensino e pesquisa consolidada no Brasil e reúnem aquilo que não é corriqueiro no dia a dia, incluindo o que muitos consideram como erva daninha ou simplesmente “mato”, como a urtiga e a capeba. 


Ora-pro-nobis, capeba, taioba e vinagreira roxa

“Mas esse grupo também contempla plantas convencionais subutilizadas, como o mamão verde, que pode ser ralado e consumido na salada crua, ou o açaí, que serve como substituto do molho de tomate no macarrão”, completa o pesquisador.

Estímulo

Se as pesquisas nessa área estão avançando, a ausência dessas plantas nas feiras, supermercados e restaurantes ainda é uma realidade. Para o Dr. Valdely Kinupp isso é uma combinação de falta de informação e estímulo ao agricultor e à população em geral.

“A Amazônia podia estar exportando suas PANC, como a vitória-régia e o mapati, mas falta subsídio real, e não pitoresco. Elas têm que chegar à merenda escolar, por exemplo. Também é preciso ir à feira da Sepror e perguntar se tem urtiga e pepino-do-mato para gerar demanda induzida. Um negócio que gera dinheiro no mundo é comida”, explica Kinupp.

Para ele, a Amazônia está pisando em ouro enquanto compra alface de fora. Prova disso é o sítio que o botânico administra no Ramal do Brasileirinho e que hoje fornece plantas não convencionais para restaurantes como a Casa da Pamonha, Banzeiro, Monquém do Banzeiro e Shin Suzuran. No primeiro, a urtiga vira tempurá e a capeba é ingrediente para charuto; no último, a flor da vitória-régia é usada no preparo de geleia e o talo da folha substitui o aspargo.

“O segredo da alimentação é a diversificação e as PANC são muito promissoras nesse sentido. Não é coisa de bicho-grilo ou vegano, muito menos para enfeitar o prato, é para comer mesmo”, finaliza Kinupp.

Saiba mais

Profissionais de todo o Brasil experts em alimentação estarão no Festival de Comida Ecológica, que acontece no IFAM Campus Manaus Zona Leste e contará com palestras, aulas e outras atividades. As inscrições são realizadas exclusivamente pelo site https://comidaecologica.com.br.

Receita de arroz de cuxá

> Ingredientes:
100g de cebola
100g de tomate
100g de pimentão
1 maço de cheiro verde
100ml de leite de coco
100ml de azeite
50g de gergelim torrado
250g de camarão seco
2 maços de vinagreira cozida e cortada
Arroz cozido
Sal a gosto

> Modo de preparo:
1 - Doure a cebola e depois acrescente o tomate, o pimentão e o camarão seco. Deixe fritar por uns cinco minutos. 
2 - Depois adicione a vinagreira, que deve estar batida ou cortada na faca. 
3 - Acrescente o leite de coco, o gergelim torrado e, por último, o arroz cozido. 
4 - Misture e sirva em seguida.

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