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DOGMAS

'Pode tudo, menos pecar', afirma pastor Lucinho em seminário

Líder de jovens na Igreja Batista da Lagoinha, o mineiro revelou como lida com a fama e as críticas feitas pelos próprios cristãos. Ele esteve em Manaus recentemente e concedeu entrevista exclusiva ao Portal A Crítica 17/03/2016 às 13:04 - Atualizado em 17/03/2016 às 15:27
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Conhecido pelo jeito inusitado de pregar o Evangelho, pastor Lucinho esteve em Manaus recentemente (Maria Luiza Dácio/Divulgação)
Natália Caplan MANAUS

Ele já se vestiu de Chapolin Colorado para pregar o Evangelhona reunião da juventude, bolou uma programação diferente para cristãos no feriado de Carnaval — o “Espíritoval”, na Igreja Batista da Lagoinha (MG) — e criou a mobilização “Loucos por Jesus”, que movimenta milhares de jovens de todas as partes do Brasil e do mundo. Estamos falando de Lúcio Barreto Júnior, 44, mais conhecido como Pastor Lucinho.

Com vários livros publicados, como “Manual de sobrevivência para o jovem cristão”, “100 dicas para pregadores Loucos por Jesus” e a série de três volumes “Loucos por Jesus”, o mineiro já palestrou nos Estados Unidos, Europa, Israel, Índia e Haiti, onde, inclusive, auxiliou na construção de uma casa de recuperação de meninas indianas que sofreram violência sexual e no trabalho humanitário com crianças haitianas.

Carismático e bem humorado, ele esteve pela segunda vez em Manaus para realizar a nova edição do “Seminário Loucos por Jesus” e concedeu uma entrevista à equipe do Portal A Crítica. Entre os assuntos, Lucinho comentou a maneira inusitada de falar de Deus, a boa aceitação do público não cristão, o preconceito de alguns religiosos e o foco da mensagem dele à nova geração: “Seja louco por Jesus Cristo”.

BEM VIVER - Há pessoas te acham polêmico. Você acha que isso pode gerar problemas em algumas igrejas?

Pastor Lucinho - A gente tem que dançar a música de acordo com o que permitem. Eu não falo para ninguém enfrentar o pastor. Você faz dentro do que lhe é permitido. Meu pastor [Márcio Valadão] me passou uma regra: ‘pode tudo, menos pecar’. Então, pode muita coisa, inclusive, se vestir de Chapolin. Por exemplo, citar a letra de uma música não cristã, se vestir de um personagem da TV, pregar usando um filme... Isso é usar elementos da cultura popular para introduzir um princípio bíblico.

Como você lida com as críticas? Já pensou em mudar?

Pastor Lucinho - Alguém que faz uma crítica dessas não deveria, por exemplo, usar o Facebook. Se você prestar atenção, existe coisa mais secular do que Facebook? Não deixe de fazer o melhor que você pode na igreja, mas não vá brigar com o pastor para tentar fazer tudo o que o pastor Lucinho está fazendo. Eu fico mais triste com a crítica do que deslumbrado com a fama. A gente pensa em mudar, mas, daí, se desconfigura. Se você muda para não ser criticado, você chora. Porque é um passarinho que resolve virar um tigre. Daí, vai sofrer.

O público não cristão é mais receptível?

Pastor Lucinho - Pessoas de outras religiões recebem melhor do que os próprios cristãos. Alguns dizem para mim ‘é a primeira vez que eu sento, ouço e entendo’. Eu não sei se sou simples demais ou se eles é que são os teólogos e nós não somos [risos]. É muito raro eu receber críticas de grupos não cristãos. Geralmente, eles me têm como um cara que fala de Cristo de uma forma apaixonada, mais nada. Já o cristão, muitas vezes, não olha só isso. Observa se os pontos teológicos estão corretos, como eu me comporto, minhas roupas [...].

Milhões de jovens cristãos te vêem como referência. Você se assustou com essa ‘fama’?

Pastor Lucinho - Me surpreendeu no sentido de que eu sei que sou uma pessoa muito comum, simples. Pensei ‘poxa, se eu estou virando referência, então está tudo ruim demais’. Não pode. Eu estou fazendo um trabalho mediano e sei quem está fazendo um trabalho bom, se dedicando muito. É preocupante nesse sentido. Não sei se é pela idade — como veio um pouco mais tarde —, mas não me deslumbrei. Se um milhão de pessoas quiser tirar foto e outro mesmo milhão quiser me xingar, amém. Não sei se com 20 ou 30 anos eu teria a mesma reação. Tenho alegria e muita gratidão às pessoas por sequer saberem que eu existo. Mas subir para a cabeça? Não.

Qual é a principal mensagem das palestras?

Pastor Lucinho - Se você não for louco por Jesus, por alguma outra coisa você vai ser. Esse excesso de amor não deve ser dedicado a outro que não seja Cristo. Por exemplo, por quê tem um desespero no Brasil com o futebol? Porque o povo dedica ao futebol o amor que deveria dedicar a Deus. O futebol é legal. Deus é demais. Mas hoje o futebol é demais e Deus é só legal. Há uma inversão de valores. A mensagem central que eu prego é essa: seja louco por Cristo, louco mesmo, desesperado. Se não formos loucos por Ele, esse amor será dedicado às coisas até boas, mas que não completam o sentido do ser humano.

Os jovens estão em busca desse amor e dedicação?

Pastor Lucinho - Tem dois tipos de cristão: aquele que já estava servindo a Cristo e está meio indignado com a forma fria que está vivendo e quer viver algo melhor; e os que também estão vivendo isso, mas querem continuar assim. Há um grupo insatisfeito, querendo viver mais e melhor para Deus, mas tem outro que não. Tirá-los de onde estão é ruim para eles, então, querem continuar acomodados. Mas há uma nova geração que está querendo, vivendo e fazendo algo novo que seus pais e pastores não fazem. O futuro que vai mostrar se eles estão no caminho certo e os frutos que vão gerar.

Quais são os teus planos para os próximos anos?

Pastor Lucinho - Tudo o que eu sonho, eu sonho dentro da minha igreja e para o Brasil. Estamos começando a pensar em conferências maiores, que envolvam toda a juventude de uma determinada região. Não seria em uma igreja, para 1,5 mil pessoas. É um projeto ainda embrionário, estamos orando. Não fizemos ainda nenhum fora de Belo Horizonte [o Confrajovem, na Igreja Batista da Lagoinha]. Sonhamos fazer isso em todo o Brasil para dar ao jovem a chance de experimentar um pouco dessa loucura por Jesus, dessa atmosfera em receber algo de Deus, como vivemos no seminário. Vamos lançar, agora, uma nova coleção de camisas muito legal, livros meus e em parceria com algumas pessoas.

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