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'Podem esperar um bom show', diz Jeff Williams sobre Festival de Jazz

Williams tem mais de quatro décadas dedicadas à música, nas quais se destacam o começo com o antológico Stan Getz, em 1972, e as performances, gravações e shows com lendas como Dizzy Gillespie, Lee Konitz, Joe Lovano e Dave Liebman entre muitos outros 16/07/2013 às 15:05
Show 1
Jeff Williams
a crítica Manaus, AM

Um dos mais influentes e importantes bateristas da atualidade, o norte-americano Jeff Williams é a atração internacional que fecha a quarta noite de espetáculos do 8º Festival Amazonas Jazz (FAJ), no próximo dia 26, sexta-feira. No mesmo dia, às 10h, o músico participa de um workshop aberto ao público no Centro Cultural Palácio Rio Negro, no Centro, dentro da programação do FAJ, promovida pelo Governo do Amazonas.

Williams tem mais de quatro décadas dedicadas à música, nas quais se destacam o começo com o antológico Stan Getz, em 1972, e as performances, gravações e shows com lendas como Dizzy Gillespie, Lee Konitz, Joe Lovano e Dave Liebman entre muitos outros. Ele se apresentará em Manaus com seu quinteto, formado por ele, Finn Peters (alto, saxofone e flauta), Josh Arcoleo (tenor e saxfone), Phil Robson (guitarrista) e Sam Lasserson (baixo duplo).

Em entrevista, ele fala de suas influências musicais e de suas expectativas quanto à apresentação em Manaus, além de dar dicas para bateristas e aspirantes. Confira!

É seu primeiro show no Norte do Brasil? Qual sua expectativa quanto a se apresentar no FAJ?

É muito empolgante, para mim e para o grupo todo! Estive em outros lugares do Brasil – Rio, São Paulo e por aí vai –, mas nunca nessa região. Amo o Brasil, como músico, claro, pois é um dos grandes lugares do mundo. Não gosto de criar expectativas, só estou ansioso para descobrir como é o Norte do País. Tenho certeza de que será uma experiência surpreendente. Quanto ao Festival, creio que haverá alguns músicos de primeira linha e uma plateia maravilhosa. Acho que será uma celebração, e estou animado por participar.

O que o público pode esperar de seu show?

Assim como eu não crio expectativas, espero que a plateia também não. Apenas quero que venham com o ouvido aberto – e creio que virão. Música é uma parte tão importante da vida brasileira que não me preocupo se o público não alcançar o que fazemos. Eles vão. Portanto, podem esperar um bom show.

Como será a sua set list?

Tocaremos minhas composições, algumas delas novas, algumas de meus últimos quatro discos. Elas cobrem um vasto terreno de estilos, de post-bop swing a baladas melódicas e ritmos de improvisação aberta. Não vamos tão longe a ponto de deixar o ouvinte para trás. Gosto de combinar elementos e ver até onde podem ir. Ritmo, melodia e harmonia estão sempre presentes.

Em sua opinião, qual a importância de um evento como o FAJ para a Amazônia?

A importância do FAJ, para mim, é agregar pessoas de todo o mundo para compartilhar música e ideias, para celebrar o fato de que estamos vivos e de que somos mais parecidos que diferentes. Reunir as pessoas para descobrir isso é importante, dadas as dificuldades que vivemos hoje no mundo.

Quais as suas principais influências nesses 40 anos de carreira?

Meu interesse pelo jazz, graças à coleção de discos dos meus pais, começou com o trio de Ahmad Jamal e o quinteto de Miles Davis. Isso quando eu tinha 8 anos. Vernell Fournier e Philly Joe Jones foram minhas primeiras influências na bateria. Ao longo dos anos, elas cresceram para incluir praticamente tudo que conhecemos do legado norte-americano na bateria do jazz moderno: Roy Haynes, Elvin Jones, Louis Hayes, Art Blakey, Tony Williams, Jack DeJohnette, Al Foster e muitos outros, incluindo jovens músicos como Bill Stewart e Marcus Gilmore. Tive a sorte de estudar informalmente com Papa Jo Jones e Oliver Jackson, e formalmente com Alan Dawson.

Algum dentre os brasileiros?

Um marco da minha experiência foi ver Hermeto Pascoal no clube SOBs, em Nova York, creio que no final dos anos 1980. Foi o que me inspirou a começar a escrever minha música, criar meu próprio ambiente musical, tal como ele fez. De fato, uma das composições que tocaremos no Festival se chama “Hermeto”, que dediquei a ele.

Que dicas você daria para as pessoas que querem se dedicar à bateria?

Ouça todos os tipos de música, não apenas aqueles que você gosta. Descubra como a bateria funciona dentro da música como um todo. Estude música – não apenas a bateria. Faça lições de piano. Aprenda os rudimentos. Encontre um bom professor. Seja paciente consigo mesmo (pode ser vagaroso no início). Você precisa amar, pois é trabalho duro. Encontre músicos com quem tocar e com quem trocar ideias, especialmente músicos melhores, para que você possa aprender mais. Há muito de prazer em tocar bateria, e isso vale a pena. Não desista.

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