Publicidade
Entretenimento
Vida

Poemas e artes visuais são explorados em livro-memória

Trompetista da banda Alaídenegão, Marcus Vinícios de Souza lança obra chamada ‘Os Incendiários’ nesta sexta-feira (26), na Estação Arte & Fato 24/09/2014 às 13:32
Show 1
Acima, Marcus aparece no pré-lançamento do livro na SEC, com o retrato do amigo e co-autor da obra Ítalo, falecido em 2011. Na coluna direita, algumas das ilustrações do livro
Laynna Feitoza ---

Os amigos Marcus Vinícios de Souza e Ítalo Gabriel Pereira resolveram, há tempos atrás, unir duas de suas paixões em comum: a poesia e as artes visuais em livro. O ano de 2011, mesmo ano da idealização do projeto, foi também o ano da partida precoce de Ítalo. Para perpetuar o elo entre a amizade e a arte, Marcus, que é trompetista da banda Alaídenegão, resolveu unir todo o material já produzido em texto e ilustrações – feitas por artistas plásticos e designers convidados – e compôs o livro intitulado “O Incendiário”, cujo lançamento oficial ao público acontece nesta sexta (26), às 20h, na Estação Cultural Arte & Fato (Rua 10 de Julho, Centro). A obra leva o selo independente da Cauxi Produções.

“O Incendiário” é um livro experimental que contém os dois segmentos artísticos citados anteriormente. Ao todo, são 68 páginas e 22 poemas: 10 de cada artista e dois escritos em parceria. A homenagem ao amigo está implícita em vários poemas e ilustrações apresentadas na obra, segundo Marcus. “A arte do poema ‘A amizade é nosso elo’ é uma carta de celebração da nossa amizade. E foi escrito por ele (Ítalo). Então a ideia é que isso simulasse uma carta feita à mão, com o estilo do livro”, assegura o autor se referindo à ilustração, que simula pingos de nanquim no papel.

Ainda de acordo com Souza, o livro não assume o caráter de narrativa, e sim apresenta um personagem cuja alma se fantasia de artista, apresentando algumas reflexões sobre o processo de produção artística, além de compará-lo com as dificuldades e desafios da produção em si. “Buscamos promover essa reflexão. Por mais que ele não seja bem um artista – chamamos ele de ‘terrorista’ – porque ele propõe essa movimentação na história. Não fica claro se o personagem é um indivíduo qualquer ou se é um Deus”, explica Marcus.

Junção

As ilustrações do livro certamente são um bônus ao leitor. Conforme Vinícios, a ideia era fazer com que outros artistas pudessem agregar seus produtos ao de Marcus. Parte da história também é contada por eles, no que diz respeito à composição dos traços que ajudam a descrever o personagem. “O incendiário não tem uma face definida. Nas artes encontramos alguns aspectos, mas ainda assim ele não se define”, lembra ele, que convidou as artistas plásticas Murana Arenillas e Rakel Caminha; assim como os designers Marcelo Ramos e Tauat para dar linguagem visual à obra. Em 2012, Marcus conseguiu reunir todo o material escrito. “Nós trabalhamos ao longo de 2013 para desenvolver o projeto gráfico”, complementa.

Sempre foi o intuito de Marcus e Ítalo promover o diálogo entre textos e artes visuais na obra. “Nas ilustrações, a Murana usa um minimalismo com traçados em nanquim, e a Rakel prefere o surrealismo em aquarela. Mas não segue exatamente um padrão, já que é um livro experimental”, conta Souza. O trabalho literário se apóia na corrente do concretismo, que costuma mesclar diversos segmentos artísticos nos projetos.

“No Brasil, quem muito trabalha com isso é o Arnaldo Antunes. O concretismo se desenvolve acerca da imagem, forma e estrutura. A todo conceito que o gênero pretende expor, ele se adequa de forma que se comunique antecipadamente através do visual, que por si só transmite informação. O conteúdo que vem por meio dos textos são estruturados sob a voz de algum objeto. Nessa obra, o poema vem para somar e criar uma linguagem contemporânea”, destaca. O concretismo, porém, também se desenvolve por formas, fotografias, audiovisuais e outros traços de arte.

Publicidade
Publicidade