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Literatura

Poesia ao 'pé do ouvido': grupo de poetisas amazonenses lançam livro falado para cegos

Integrantes do ‘Formas em Poemas’, as dez escritoras lançarão audiolivro para deficientes visuais amanhã, no Ifam 06/10/2016 às 10:45 - Atualizado em 06/10/2016 às 11:02
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Ana Peixoto, Franciná Lira, Fátima Lira fazem parte do grupo poético que tem outras sete poetisas (Fotos: Aguilar Abecassis)
Natália Caplan Manaus

“Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.” Essas palavras de Cecília Meireles são sempre lembradas por quem ama esse gênero da literatura. E em busca de disseminar a escrita, as integrantes do “Formas em Poemas” decidiram ultrapassar as páginas dos livros. Amanhã (7), lançarão o áudiolivro do trabalho “As Dez Poetisas”, às 19h, no auditório do Instituto Federal do Amazonas (Ifam). A novidade é em comemoração aos seis anos do grupo poético.

“Essa antologia faz parte de uma coleção de oito livros de poesias do “Tuchaua em Verso”, lançada em 2013. No ano seguinte, eu fui à Biblioteca Braille para tornar meu livro “A Rosa e o Beija-Flor” acessível aos cegos. Gravamos esse e, em seguida, “As Dez Poetisas”. Na época, eu fiz o lançamento do meu áudiolivro (a nomenclatura que os cegos usam é livro falado)”, disse a mentora, Franciná Lira.

De acordo com ela, os arquivos ficaram guardados até que todas conseguissem se reunir em uma ocasião especial — como o aniversário do grupo — e ter condições financeiras para finalizar o projeto. Agora, a expectativa é que o público, com algum problema de visão ou não, possa desfrutar das poesias que já conquistaram leitores na versão de papel. O valor da unidade do CD é R$ 10.

“Achei que o sexto aniversário do ‘Formas em Poemas’ seria um bom motivo. A expectativa é de comemoração pelo reconhecimento que o público deu ao nosso trabalho”, declarou a pedagoga, ao ressaltar que esse tipo de inclusão deve ser prioridade de quem escreve. “Temos muitos materiais na literatura impressa, mas sem acessibilidade. Esse projeto é uma obrigação, uma contribuição para proporcionar acesso aos deficientes visuais”, enfatizou.

Para a jornalista Mônica Cordeiro, também uma das poetisas da antologia, o grupo poético atingiu uma personalidade inerente à cidadania e ao compromisso social. Então, a iniciativa é mais um passo ao amadurecimento como disseminadoras da literatura, agora, também falada. Porém, diferentemente das colegas, recorreu à amiga Carla Pereira para emprestar a voz e dar vida às poesias escritas por ela.

Foco e inclusão

Conhecida de crianças, jovens e adultos pela dedicação à literatura infantil, a escritora Ana Peixoto é professora e atua na docência há mais de 25 anos, com alunos especiais. Todos os cinco livros escritos para a garotada — “Coisas da Ana”, “História de Bichos da Amazônia”, “As Frutas do Meu Quintal”, “Sapos no Meu Quintal” e “Animais do Meu Quintal” — têm versões em Braille e falada.

“Eu já trabalho com educação inclusiva, com crianças e adolescentes, aqui, em Manaus, e em Parintins. É maravilhoso poder alcançar o público com baixa visão, cegos e também os videntes, como nós. Eles não têm visão, mas têm uma audição que abre o coração para a poesia. Todos os meus livros infantis já estão em audiolivro e Braille”, declarou.

Também uma das poetisas do grupo, Fátima Lira revelou estar muito feliz com a oportunidade de compartilhar sua escrita com os deficientes visuais. Aas poesias dela descrevem a riqueza e beleza amazônicas. “O foco das minhas poesias é a Amazônia. Muitas pessoas moram aqui, mas não têm ainda conhecimento sobre o significado dessa maravilha, que é pouco valorizada. O áudio-livro é importante para expandir ainda mais esse trabalho”, afirmou.

DESTAQUE

Este livro intitulado "As Dez Poetisas" é uma antologia e já foi publicado no estilo livro tradicional. É um trabalho do grupo poético “Poesia em Formas”, com obras de Ana Peixoto, Beatriz Mascarenhas, Euzeni Trajano, Franciná Lira, Fátima Lira, Isabelle França, Laís Borges, Lídia Damasceno, Mônica Cordeiro e Rannah Peixoto.

Laís Borges, poetisa e artista

Falo também como artista visual e acadêmica de artes. Temos uma disciplina, inclusive, que aborda a inclusão, chamada “Educação Especial”. A arte deve ser para todos, independentemente de qual manifestação artística. É importante o artista se fazer presente em todas as vertentes. Por mais que o deficiente visual ‘enxergue’ o mundo de outra maneira, ele tem as impressões dele e vai decodificar essa arte como pode e sente. A poesia é vida e tem que atingir todas as formas de vida.

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