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Bienal do Livro

Poesia deixa os livros e ganha ‘grife literária’

'Poeme-se' tem camisetas, canecas, book bags, entre outros produtos inspirados em grandes nomes da literatura 01/09/2016 às 11:48 - Atualizado em 01/09/2016 às 12:39
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Todos os produtos da grife são inspirados em poetas, escritores e artistas nacionais e internacionais (Fotos: Natália Caplan)
Natália Caplan São Paulo

“O poeta é um fingidor. Finge tão completamente. Que chega a fingir que é dor. A dor que deveras sente.” Essas são algumas das palavras eternizadas por Fernando Pessoa que os apaixonados por clássicos da literatura, agora, não apenas podem ler ou declamar, mas “vesti-los”. Essa é a proposta da “Poeme-se”, uma das participantes da 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, realizada até domingo (4).

“Quando você fala em poesia, geralmente se pensa em ‘peninha’, ‘anjinho’, papel amassado, uma estética antiquada (pelo menos, aos meus olhos). Mas as pessoas não se interessam mais por isso. A nossa curadoria pensa em um autor ou movimento que seja interessante e se conecte com o que fazemos e, ao mesmo tempo, investe em design para se tornar atrativo aos olhos”, disse Leonardo Borba, um dos criadores da marca.

De acordo com o publicitário, a decisão de criar uma “grife poética” para desenvolver “camisetas literárias” surgiu de uma necessidade pessoal. Em parceria com o sócio Gledson Machado, a marca foi criada em 2010 e é definida por eles como uma “empresa-verso que busca através de novos suportes espalhar poesia pelo mundo”. Para isso, explicou, desenvolve camisetas unindo a beleza da poesia com a moda.

“Surgiu do desejo de viver de literatura, mas entendemos que não éramos capacitados de viver de poesia escrevendo. Então, buscamos novos suportes para que isso acontecesse. Além disso, não tínhamos nenhum vestuário que representasse o que a gente gosta de usar e de fazer. Veio a calhar nesses dois sentidos: viver disso e usar o que gostamos. A ‘Poeme-se’ é para quem acredita que poesia é feita para ser vestida”, enfatizou.

Criatividade

Além das camisetas literárias, os leitores podem encontrar canecas poéticas, botons, cadernetas, almofadinhas, porta copos, book bags, pôsteres e até pílulas de pequenos trechos de poesias em vidros de “Poesia um Santo Remédio”. Cada produto é desenvolvido por uma equipe de pesquisas e designers. O objetivo é tornar a poesia palpável. A rede tem espaço nas filiais das livrarias Curitiba e Cultura, mas também tem um site que entrega para todo o Brasil.

“Definimos um tema, ou um autor, ou um movimento. Temos um ‘que’ de iniciar com o tradicional, mas revolucionamos a estética da poesia. Então, se eu puder unir palavra à imagem, de uma forma contemporânea, usual, melhor. A gente faz com que a literatura possa andar na rua, ser vista e desejada”, explicou. “As coisas se conectam quando você percebe com outros olhos”, completou Borba.

Do clássico ao contemporâneo

De acordo com Leonardo Borba, inicialmente, a curadoria foi pensada com foco nos clássicos, autores conhecidos. Depois, a “Poeme-se” começou a diversificar e dar espaço para a poesia marginal e nomes não tão conhecidos do público. As camisas que mais vendem, inclusive, são da pintora mexicana Frida Kahlo, que não tem tanto apelo literário, mas é popular entre os apaixonados por arte e livros.

“Pegamos alguns nomes menos conhecidos, como Patativa do Assaré; e enveredamos para o Centro Cultural da Portela, com os compositores Tia Doca e Waldir 59 (já falecido). E entendemos que a arte, a pintura são poesias também”, enfatizou, ao contar uma história curiosa. “Uma menina chegou e disse ‘Camões está plagiando Legião Urbana’. Essas coisas são interessantes para mostrarmos que literatura pode ser habitual”, finalizou.

Outros autores

A variedade da grife é imensa. Entre outros autores homenageados estão: Álvares de Azevedo, Anaïs Nin, Augusto dos Anjos, Bertolt Brecht, Bocage,Cacá Diegues, Cairo Trindade, Casimiro de Abreu, Cecília Meireles, Cervantes,Charles Baudelaire, Charles Bukowski, Drummond, Edgar Allan Poe, Elisa Lucinda, Emily Dickinson, Euclides da Cunha, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, George Orwell, Germana Zanettini, Machado de Assis, Noel Rosa, Victor Hugo e Vinícius de Moraes.

*A repórter viajou à convite da Saraiva.

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