Sexta-feira, 24 de Maio de 2019
Vida

Poeta Thiago de Mello lança 'Acerto de Contas' em São Paulo

Com mais de 100 poemas inéditos, obra será lançada pela editora Global dia 7 de julho, no espaço cultural Casa das Rosas, com a presença do poeta da floresta, além de apresentação litero-musical do grupo Chama Poética e de músicos e declamadores convidados



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Além de escrever todos os dias, o poeta de “Os Estatutos do Homem” conta que no momento está relendo muito
03/07/2015 às 16:45

É por volta do meio dia de uma tarde quente de sol a pino que o poeta Thiago de Mello nos recebe em seu apartamento, no Centro de Manaus, para conversar sobre o livro que diz ser o seu último de poemas inéditos: “Acerto de Contas”. A obra será lançada na próxima terça-feira, 7 de julho, pela editora Global, no espaço cultural Casa das Rosas, em São Paulo, com a presença do poeta da floresta, além de apresentação litero-musical do grupo Chama Poética e de músicos e declamadores convidados. 

Vestido de branco e com um sorriso no rosto, o poeta nos cumprimenta e convida a adentrar o espaço onde trabalha quando está em Manaus, no computador rodeado por quadros de artistas, fotos de momentos da vida e da carreira e, claro, muitos livros. “Estou um pouco cansado, fui dormir às 2h e acordei às 5h, já escrevi seis laudas hoje”, disse.  Com a energia de quem está sempre recomeçando, prestes a completar 90 anos, Thiago diz que está escrevendo um livro de crônicas e histórias de pessoas e livros que fizeram e fazem parte da sua vida, cujo título provisório é “Os outros”, mas que não tem grandes pretensões para publicá-lo. “Hoje quero publicar esse ‘Acerto de Contas’. A Global editora tem o direito sobre todas as minhas obras e deverá publicar outras edições especiais. Mas eu tinha de lançar esse livro de poemas inéditos. Nele eu faço um acerto de contas, sobretudo comigo”, diz.  

Obra literária

Dividido em quatro partes, o livro traz 120 poemas, a maioria completamente inéditos. “Em todos os poemas deste livro estou tratando daquilo que Heidegger, um dos grandes filósofos e pensadores sobre a beleza e a grandeza da condição  humana e seus grandes perigos e imperfeições, chamou de  Desein:  isso de estar no mundo.  Falo sobre o ser, as desigualdades sociais, o amor, a amizade, o Brasil e o mundo também. A indignação está presente, mas a  esperança percorre todas as quatro partes desse livro. Eu coloco questões do ser da maneira essencial,  tentando dizer que é preciso não desanimar e manter a perseverança”, resume.  

Memórias e recomeço 

Após uma pequena pausa para um almoço, em que Thiago saboreia um tambaqui grelhado com arroz e salada, retomamos nossa entrevista, e ele nos mostra as fotos que enchem as  paredes de seu escritório: “Aquela ali é uma ilustração que ganhei do meu filho, é o Manuel Bandeira chegando em Pasárgada, junto com o rei. Na outra, eu comendo pacu, logo que cheguei do exílio. Lá em cima, eu abraçando o Pixinguinha”, explica sorrindo.Entre alguns momentos marcantes da carreira, ele relembra a crítica literária de seu primeiro livro, “Silêncio e Palavra” (1951).  “Na época, o Álvaro Lins - papa da crítica literária brasileira - terminou seu artigo sobre meu livro dizendo : ‘Poetas principais da Literatura, este moço  que deixou a Medicina para se dedicar à Poesia merece um lugar ao vosso lado’. E Eu fui até o Correio da Manhã, no Rio de Janeiro, falar com ele, me apresentei e falei: ‘Se eu acreditasse no que o senhor  disse, talvez o rei me subisse pela cabeça, mas eu digo que não. Eu estou começando. E eu devo muito isso aos meus mestres. Alguns brasileiros e estrangeiros que li. Acho que não tenho influência de nenhum. Esse meu falar é meu. É o meu jeito de ser que eu vou levar até o fim. Eu estou começando e espero que o senhor goste do que eu venha a escrever’. Ele me abraçou. E eu contei isso para a mamãe e ela disse ‘Meu filho, a humildade é poderosa’, frase que depois ela repetiu quando eu voltei do exílio na Europa e ganhei o prêmio internacional”, recorda.

Releituras

Além de escrever todos os dias, o poeta de “Os Estatutos do Homem” conta que no momento está relendo muito.  “Releio em primeiro lugar o que releio desde os nove anos de idade: Machado de Assis. Tenho a obra completa dele e onde eu abrir eu aprendo o que é amar o idioma. O Machado era um escritor perverso. Não tem ninguém feliz na obra dele. Você acha maravilhosa a Capitu etc,  mas quando chega no final ‘E este filho de quem é?’. Releio também o poeta Luiz Barcelar, Márcio Souza, Santoro,  García Marquez, Dostoievski, e tantos outros. Eles fazem parte da minha vida, assim como a poesia, trazida comigo das pronfundezas das águas do rio Andirá e que eu vou levar comigo até o fim”.


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