Segunda-feira, 15 de Julho de 2019
Vida

Polêmica nas passarelas: desfiles de moda passam a ser contemplados pela Lei Rouanet

Amazonenses comentam a controvérsia envolvendo estilistas brasileiros como Herchcovitch



1.jpg Desfile de Ronaldo Fraga na "SP Fashion Week" de 2011
28/08/2013 às 10:14

Nos últimos dias, um debate envolvendo três dos principais estilistas brasileiros movimentou as páginas dos principais veículos de comunicação do País. Alexandre Herchcovitch, Pedro Lourenço e Ronaldo Fraga conseguiram autorização para captação de verba pela Lei Rouanet, um mecanismo de incentivo à cultura por meio de isenção tributária, oferecido pelo Ministério da Cultura (MinC). A decisão de beneficiar desfiles, até então inédita, dividiu opiniões e despertou uma antiga polêmica, até então adormecida: seria moda, cultura?

Na concepção de Cristiane Batista, dona da grife local Santa Cris, a tendência “sempre foi”. “Costumo dizer que a moda veste um povo e, conforme ela se veste e se expõe, ela apresenta gostos culturais”, opinou a estilista, defendendo o veredicto do MinC. “Fico indignada por não ter outros editais para moda. Estamos em um local onde já existe uma ‘etiqueta’, a Amazônia, que é vendida em qualquer lugar do mundo. Entretanto, Manaus possui um pólo de moda medíocre e sem apoio, entregue às baratas”, contrapôs.

De acordo com ela, a realização de desfiles promove, ainda, a junção de diversas vertentes artísticas. “Além de estimular a cultura, desenvolve, também, a música, artistas e estilistas, sem contar tantos outros setores que podem ser terceirizados. A partir do momento que confecciono uma peça com a arte de um grafiteiro, por exemplo, quem vai negar que estou produzindo cultura?”, questionou Cristiane, que, recentemente, produziu uma coleção com peças inspiradas nas obras de arte da artista plástica Hadna Abreu.

CONFLITOS

Para criarem seus desfiles, Alexandre, Pedro e Ronaldo receberam, respectivamente, R$ 2,6; 2,9 e 2 milhões, retirados de cofres públicos. Os valores, baseados no renome e carreira do trio, segundo o professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) Gilson Vieira Monteiro, são incoerentes. “Nada contra o favorecimento dos desfiles, o estranho é terem beneficiado quase R$ 8 milhões a nomes como Herchcovitch e Lourenço. Uma coisa é incentivar estilistas que estejam começando agora, outra é promover profissionais já consagrados, que não precisam do dinheiro público para realizar seus trabalhos, como é o caso dos três”, justificou o docente, responsável pelo grupo de pesquisa Linguagens, Mídia e Moda (MIMO).

O cenário ainda destaca outro conflito: como a sociedade brasileira teria um retorno desses incentivos, visto que os desfiles são eventos fechados para convidados e alguns, até mesmo, em outros países, como é o caso dos dois primeiros (Estados Unidos e França)? Na opinião de Gilson, o Brasil não sairia perdendo, contudo, o retorno seria de uma forma diferente. “Retorno sempre vai existir, mas com o reconhecimento internacional da moda brasileira”, encerrou.

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