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Postar mais de seis 'selfies' por dia nas redes sociais pode caracterizar distúrbio, diz estudo

Segundo pesquisadores da Inglaterra e da Índia, o desejo de tirar selfies e publicá-las nas redes sociais, como Instagram e Facebook, mais de seis vezes ao dia é uma selfitis crônica 11/03/2018 às 07:45 - Atualizado em 11/03/2018 às 08:24
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(Foto: Márcio Silva)
Alexandre Pequeno Manaus (AM)

Arruma o cabelo pra um lado, faz um olhar sedutor, morde os lábios, vira levemente o rosto e pronto. Agora é só repetir a sequência dezenas de vezes, centenas, se necessário. Essa é a rotina de muitas pessoas viciadas nas famosas selfies, quase onipresente nas redes sociais, registrando momentos, lugares, informações diversas, com o objetivo de ganhar muitos likes e comentários. Muitos podem achar esse processo comum, mas, um estudo recente concluiu que a obsessão por selfies pode caracterizar um distúrbio mental genuíno, batizado de selfitis.

De acordo com pesquisadores da Universidade de Nottingham Trent, na Inglaterra, e da Thiagarajar School of Management, na Índia, o desejo de tirar selfies e publicá-las nas redes sociais, como Instagram e Facebook, mais de seis vezes ao dia é uma selfitis crônica.

Selfie nossa de cada dia

A bacharela em enfermagem e youtuber amazonense Larissa Fernandes conta que não pode ver uma boa iluminação que seu “instinto selfie” surge. “Não posso terminar de me maquiar, me olhar no espero que já quero pegar o celular e fazer uma selfie. Ou seja, não posso me sentir bonita que já quero fazer foto. E às vezes até não bonita”, brinca.

Larissa conta que a maioria de suas selfies são postadas da sua própria casa. “É onde eu fico a maioria do tempo, porém, quando saio com amigos, festinhas, também faço o registro, pois, momentos felizes é preciso registrar”, afirma.

“Se uma pessoa se sente feliz seis vezes ao dia, é a vontade dela, eu não tenho essa paciência, até porque, provavelmente serão todas iguais, pois não estou em seis lugares diferentes”, opina sobre a selfitis crônica. Larissa também lembra que é contra o ‘flood’, ato de postar algo descontroladamente na internet.

‘Cada mergulho é um flash’

Em Manaus, a instablogger amazonense Caila Carim assume seu vício em tirar selfies. “Faço selfie desde a hora que eu acordo até a hora que vou dormir, cada movimento é um flash”, brinca. Em seu Instagram (@cailacarim), grande parte das fotos postadas por ela são selfies.

Durante a busca pela selfie perfeita, Caila conta que descarta algumas fotos. “Descarto no máximo umas quatro fotos. Às vezes a selfie fica boa, mas a câmera do celular inverte e eu preciso editar a imagem, reverter e colocar ela no lugar certo”, conta sobre seu processo de postagem.

Ao se deparar com a descoberta dos pesquisadores estrangeiros sobre o distúrbio da selfie, Caila ironizou: “Então eu devo ter esse essa selfitis crônica também”, diz.

Olhar psicológico

A psicóloga Helen Benzecry afirma que o vício das pessoas em selfies está intimamente ligado ao ego e o sentimento de narcisismo. "Uma pessoa que está tirando foto de si mesma, querendo se olhar isso diz sobre a própria imagem da pessoa. Como ela cresceu, como se visualizava, como foi definida como pessoa, o ego, isso sim vai dizer um pouco da dificuldade dela nesse sentido egóico”, diz.

De acordo com Helen, essa dependência pode fazer com que elas fiquem refém de comentários e curtidas, além da aprovação de terceiros. “Ela acaba tendo uma dificuldade de ser, de se perceber, e a todo tempo fica buscando um referencial para a sua imagem. Elas precisam ver se estão bonitas, se o cabelo está em ordem e esperam que as pessoas reafirmem isso. Buscam a aprovação dos outros ao invés de se aprovarem como são”, afirma.

A consequência do vício nessas fotos, para os verdadeiros viciados, pode acarretar em sérios danos mentais. “Se as pessoas pararem de dar o feedback para elas, elas podem entrar em sofrimento, e a partir disso, elas podem procurar ajuda. Porém enquanto essa pessoa usufrui disso sem perceber, não irá procurar ajuda”, finaliza a psicóloga.

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