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DIETA

Prazer à mesa: como você come tem impacto direto na saúde

Cynthia Antonaccio explica a Nutrição Comportamental e revela temas discutidos no maior evento fitness do mundo 30/07/2017 às 11:00
Show familia jantar portal
Não basta selecionar os alimentos corretos, é preciso estar focado na refeição, sem atividades paralelas
Natália Caplan Manaus

As crianças assistem desenho, comendo em “piloto automático”. O pai se divide entre uma ligação de negócios e o prato, onde a comida está quase fria. A mãe dá uma garfada, lembra de pegar o suco na geladeira, responde mensagens no celular e mal termina a refeição, porque precisa se preparar para uma reunião de trabalho. Reunir família à mesa para compartilhar a refeição em paz está cada vez mais raro. E, isso, pode prejudicar a saúde.

“Atualmente, fala-se muito sobre saber o quê comer, ou o quê deixar de comer, o que engorda mais e o que emagrece; quais os melhores ou piores alimentos para a saúde; o que devemos ou não comer. Light, diet, sem glúten, sem gordura trans, etc. Então, por quê não estamos mais saudáveis e magros? Precisamos saber como e porquê comer, não apenas o quê comer”, afirma a nutricionista Cynthia Antonaccio.

Ela faz parte de uma mobilização pioneira no mundo, que começou no Brasil: a Nutrição Comportamental. Esse, inclusive, foi o principal assunto de um dos eventos mais importantes do mundo na área, o “Idea World Convention” (Convenção Mundial Fitness). Realizado na última semana, em Las Vegas (EUA), teve o tema “Nutrition and Behavior Change Summit” (Cúpula Nutrição e Mudança de Comportamento). A amazonense esteve lá.

“Fiquei surpresa quando vi que o universo fitness escolheu esse tema para ser discutido no evento. Atualmente nutrição e alimentação estão em pauta, as informações estão mais acessíveis e a Ciência está em constante evolução. No entanto, persiste uma visão restrita e dicotômica do ‘saudável’ e ‘não saudável’, dos alimentos ‘bons e ruins’; e o prazer em comer é, muitas vezes, associado à culpa”, diz.  “O que realmente você gosta? Sabor, prazer e satisfação devem ser prioridade”, completa.

Motivação

Segundo Cynthia, que atua há 20 anos e é mestre em Nutrição Humana Aplicada pela Universidade de São Paulo (USP), a Nutrição Comportamental acredita que esse contexto do “pode ou não pode” não promove mudança de comportamento e não torna as pessoas mais saudáveis. Pelo contrário, os índices de doenças crônicas, obesidade e transtornos alimentares continuam a crescer.

“É preciso comer com atenção plena, prestar atenção à comida, não fazer atividades paralelas”, enfatiza, ao citar um dos palestrantes do evento internacional. “Christopher McGrath [fundador do ‘Moviment First’] falou da ambivalência quando o assunto é mudança e que não devemos dizer o que as pessoas devem fazer. O ideal é guiarmos os pacientes a legitimar as motivações intrínsecas, como agentes de suporte em sua jornada”, diz.

Todos têm ‘intuição’ para comer

Uma das palestras apresentadas durante a “Idea World Convention” (Convenção Mundial Fitness) foi “Comer Intuitivo”, com a especialista em bem estar e criadora do curso “Body Kindness”, Rebecca Critchfield. Ela explica que é necessário sair da mentalidade da “dieta”, que leva o ser humano a um estado pessimista, para uma mentalidade de mudança de hábito para gerar bons sentimentos e otimismo. “Ela legitima o sabor, prazer e satisfação como prioridade nas escolhas alimentares, preferências. Todos nascem com essa intuição; as crianças têm, mas as ensinamos a não serem mais intuitivas”, declara a nutricionista Cynthia Antonaccio.

Temas do ‘Idea World Convention’, por Cynthia Antonaccio

A nutricionista Amy Midral Miller discorreu sobre o histórico de tendências, que iniciou com o lançamento de produtos “sem gordura trans”, “diet”, “light”; seguidos de alimentos funcionais e a corrida por estudos científicos e barreiras regulatórias; que perdem força para uma nova era de alimentos frescos: “clean”, artesanal, local, natural, sustentável, sem OMG, “cage-free” e orgânico.

O PhD Mark Berman apresentou a eficácia de aplicativos no gerenciamento do peso e engajamento de exercícios físicos, mostrado por meio de estudos científicos. Com isso, ele acredita que médicos e nutricionistas podem recomendá-los como coadjuvante nos aconselhamentos.

A nutricionista Ashley Koff alertou sobre o excesso de informação compartilhada diariamente. Para a saúde das pessoas, pouca mudança e mais confusão. Por isso, Ashley nos considera “INFobesos”. Enquanto a obesidade é a doença de excesso de peso e gordura, “INFobesidade” é a doença de excesso de informação.

A médica Pamela Peek fez um alerta sobre a epigenética e como os hábitos e a dieta podem modular os genes. Ou seja, o DNA não é um destino. Ela discorreu sobre o vício em comida em indivíduos suscetíveis ao açúcar, gordura e sal, que não apresentam o sistema de recompensa proporcionado pela dopamina. Ou seja, não têm “freio” normal para parar de comer.

O médico Michael Greger defendeu uma alimentação baseada em vegetais, uma forte tendência. Em sua apresentação, ele mostrou dados de que a associação de exercício mais “plant based diet” traz um efeito surpreendente para as doenças crônicas, principalmente, diabetes, doença cardiovascular e câncer de mama.

PERFIL

Cynthia Antonaccio é graduada em Nutrição (1997) e tem mestrado (2001) em Nutrição Humana Aplicada pela Universidade de São Paulo (USP). Tem experiência de 14 anos em aconselhamento nutricional e estruturou uma equipe que atuou em 14 academias. Em 2001, fundou a Equilibrium, empresa com foco em comunicação em saúde e nutrição e qualidade de vida corporativa. Também criou o restaurante de comida saudável Equilibrium - Healthy Food, atualmente com oito unidades em São Paulo. Natural de Manaus, ela mora em São Paulo e ministra várias palestras nas áreas de nutrição, saúde, nutrição comportamental, entre outros. Hoje, também é conselheira suplente do Conselho Regional de Nutricionistas.

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