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Primeira Classe: à frente da Fundação Tropical, Dra. Graça Alecrim fala sobre sua vida

Ela esteve à frente de pioneiras pesquisas sobre malária, as quais conseguiu conciliar com a vida doméstica com muito esforço 22/05/2015 às 17:23
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Graça já acumula mais de 40 anos de trabalho junto à Fundação Tropical
Lucas Jardim Manaus (AM)

Uma assumidade no desenvolvimento da saúde no AM, a Dra. Graça Alecrim não é de ferro: ela me recebe em meio à recuperação de uma leve gripe, o que não a impediu de ser extremamente cortês durante toda a nossa entrevista.

É algo inato à mulher à frente de um centro médico que é referência nacional e também esposa, mãe, e agora avó. “Para a mulher é muito difícil”, diz ela, entre risos. “Não temos dupla jornada, temos quádrupla”. Graça até faz parecer fácil. Confira nosso bate-papo:

Quando começou a sua história na Fundação Tropical?

Eu tenho mais de 40 anos de Fundação, entrei lá em 1973.

Além de diretora-presidente, quais suas funções lá?

Sou pesquisadora-titular e continuo com meus alunos de pós-graduação, mestrado e doutorado.

Por que escolheu a malária como seu objeto de estudo?

Me interessei por medicina tropical na Ufam e precisava-se de pesquisadores de malária no amazonas.

E o tema lhe acompanha desde então?

Sim. Minhas dissertações de mestrado e doutorado são sobre ele.

Teve alguma conquista nessa área da qual você se orgulha?

Sou muito grata por ter conseguido formar um grupo de pesquisa de malária dentro da fundação.

Estudando essa doença, algo chegou a te chocar?

Pela malária, vi pessoas morrerem nas estradas de Rondônia sem assistência médica nos anos 70.

O que aconteceu lá?

Muitos sulistas foram para Rondônia e eles não tinham nenhuma imunidade para a doença.

Você tem algum marco pessoal na carreira?

Fui do primeiro time que trabalhou em laboratório com cultura do organismo causador da malária.

Qual o próximo passo da fundação?

Avançar na área de DST/Aids, que me preocupa muito enquanto diretora, pessoa, mãe e avó.

Como foi trabalhar tão próxima do seu marido nesse tempo?

Foi bom, nunca tivemos problemas em casa por causa disso.

E o fato de ser uma mulher num ambiente tão masculino?

Era mais ralado. Ser mãe, ser dona de casa e ser esposa de uma pessoa da profissão não era fácil.

Chegou a ser desrespeitada por isso?

Acontecia de estar em reuniões com meu marido e me chamarem de “esposa do dr. Wilson”.

E você fazia alguma coisa?

Eu tinha que me impor. Dizia: “Aqui eu sou a Dra. Graça”. Fiz muita gente passar vergonha assim [risos].

Como você encontrava força para ser multifunção?

A gente precisa ter compreensão dentro de casa e isso eu sempre tive. O Wilson sempre me deu força.

E o que gosta de fazer no tempo livre?

Gosto muito de estar em família. Além disso, gosto de ir ao teatro e de ver filmes e programas de tv.

Que filmes gosta de assistir?

Eu gosto de filme policial. Não sei se por ser pesquisadora, eu gosto de ver é investigação [risos].

Você tem um perfume ou fragrância favorita?

Tenho uma loção corporal, Angel, da Angel, que eu uso há mais de dez anos, sem brincadeira.

E como faz para manter a forma?

Faço academia de segunda à sábado. Também faço pilates duas vezes por semana.

BATE-BOLA

Família

“Os momentos que mais marcaram foram meu casamento e o nascimento das minhas filhas. Tenho duas filhas, a Karina e a Amanda, e tenho três netos: a Rebeca, filha da Karina, e o Thiago e o Wilson, que são filhos da Amanda. Acho que a família é o esteio para fazermos o que sonhamos. Se você não tem uma família estruturada, você não chega lá”.

Teatro

“Gosto muito de teatro. Quando estamos em São Paulo, por conta de algum feriado, a gente aproveita para ir a teatro. Adoro musicais. Um que me marcou muito foi a montagem de ‘A Bela e a Fera’ na Broadway. Aqui no Brasil, uma que achei que não deixou nada a desejar se comparada com a americana foi ‘O Fantasma da Ópera’. Muito bem montada”.

Flor

"Eu gosto muito de flores. Rosas são clássicas e românticas, mas tenho uma paixão por orquídeas. São flores muito singelas".

Moda

“Sou uma pessoa de estilo clássico, atemporal, e adoro vestidos. É a minha peça definitiva. Gosto de peças da Carolina Herrera e da Carmen Bueck. Nos calçados, prefiro Luz da Lua, Arezzo e Schutz. E nas bolsas, só clássicas: Kate Spade, Gucci e Chanel”.

Carreira

“Fiz muita coisa. Criei, junto com um grupo de colegas, o curso de Medicina da UniNilton Lins, fui professora-adjunta da Ufam, tudo isso sem abandonar a minha pesquisa, pois através dela conheci todos os cantos desse Brasil, bem como tive contato com alguns centros acadêmicos de fora, como a Universidade de Nova York e a Universidade de Harvard. Por conta da minha carreira, recebi prêmios, como a medalha Adriano Jorge”.

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