Domingo, 08 de Dezembro de 2019
Vida

Primeira Classe: a odontologia e a dança na vida de Micaella Garcia

Em conversa franca no lugar que é a extensão de sua casa, a dentista compartilha suas vivências, e o amor indissociável pelo trabalho e pela família



1.png A beleza e simpatia da odontóloga Micaella Garcia
11/12/2015 às 17:03

Pela primeira vez na história desta seção, uma entrevistada prefere nos atender em sua clínica ao invés de sua casa. Isso porque a empresa da odontóloga Micaella Garcia, 44, é a extensão do seu lar e de sua vida. É ali que ela lida com as crianças que lhe arrancam sorrisos e esperanças diárias e é ali que ela vê nas paredes a retribuição do amor e gratidão dos filhos. Apesar de confessar que só passou pó e rímel porque receberia a reportagem, nós concluímos que ela, como a bela mulher que é, não precisa de nada disso. O resto você saberá a seguir.

Como a odontologia entrou na sua vida? 



Engraçado que a Odonto entrou na minha vida quando eu tinha três ou quatro anos. Eu fui na época com uma grande amiga da minha mãe e eu era terrível, não abria a boca para a dentista. Na terceira vez, minha mãe disse “Não tenho mais condições de levar essa menina para ela morder a mão da dentista”. Aí meu pai teve que ir junto, e foi a primeira vez na vida que eu levei uma palmada para poder sentar numa cadeira e abrir a boca. Naquele dia eu fiquei com um pouco de trauma, e eu coloquei na minha cabeça que ia ser dentista. E aqui estou.

Qual influência tem o trabalho e a dança em você? 

As duas coisas me fazem esquecer problemas. Converso muito com as crianças. Crianças sempre têm as pérolas. Elas falam umas coisinhas engraçadas, então me divirto muito atendendo. Eu passo a tarde inteira rindo. E sou muito presente na vida dos meus pacientes. Ouço “Tia, quebrei minha perna”. Digo “Meu Deus, não sei colocar gesso”. Aí a mãe pede, e eu digo “Pode deixar, vou aí”. Em todas as festas de 15 anos da garotada há fotos minhas.

Houve uma viagem inesquecível? 

Uma das minhas viagens mais amadas foi a Israel. Cheguei a passar um tempo lá. Nós fizemos o que a gente chama de diáspora, então os judeus se espalharam pelo mundo inteiro. A minha família particularmente foi para a Espanha, depois foram expulsos de lá e foram para o Marrocos, e vieram para o Brasil. E então são dois lugares que eu amei muito. Só voltei de Israel porque já namorava com o Kiko [marido de Micaella], e eu voltei aos prantos. Até me emociono porque eu sentia que estava no lugar onde eu deveria estar, como se eu estivesse na minha casa. Em Marrocos, passei o ano novo do ano passado com a minha família lá. Ainda tenho alguns primos que lá vivem. Então foram dois lugares que amei muito.

Como você cuida da sua aparência? 

De segunda a sexta faço balé, tenho meu horário de corrida. A minha ginástica é às 6h da manhã. Todo dia eu bato ponto lá no Cagin. Procuro ter uma boa alimentação. Tenho nutricionista há anos... Sou chocólatra assumida, lógico, mas durante a semana tento me organizar para isso. Mas acho que o segredo é exercício e alimentação. E acho que é a genética também. Quando eu ia para São Paulo, as pessoas perguntavam “O que tem no Amazonas que vocês são tão jovens?”. Eu dizia “Olha, nosso rio é muito bom. Se tomar banho no nosso rio, já rejuvenesce” (risos). E não saio de Manaus por nada. Posso passear, conhecer o mundo, mas é aqui que vou estar sempre.

O que costuma vestir no dia a dia?

No dia a dia sou adepta de jeans e roupas bem confortáveis, porque trabalho com crianças. Aí tenho que colocar jalecão, gorro e uma máscara. Não fico andando jogada, mas bem apresentada. Se você não tiver bem apresentada, as crianças perguntam o que foi que aconteceu contigo. Você forma uma amizade com as crianças, e quando eles te olham eles já notam.

Tem algum animal de estimação?

Tenho dois cachorrinhos. São Lulus da Pomerânia, Lila e Nala. E tem uma intrusa na minha casa: meu filho levou uma gata, só que ela vive no andar de cima e eu vivo no andar de baixo. Eu tenho pavor de gatos. Meu filho pegou na rua porque ela tinha sido atropelada, cuidou da gatinha e na casa dos amigos ninguém queria. Como não conseguiu adoção, levou ela lá para casa. Agora eu acho que é uma intrusa necessária. Ela mora na cobertura, tem a parte nobre da casa (risos).

BATE-BOLA

Consanguíneo

“Eu tive meus filhos ainda na faculdade [a dentista é mãe de Matheus e Laila]. Eles já tem 23 e 22 anos. E eu tenho 22 anos de formada, então daí você tira. Eu tive os dois dando plantão, e tive muita sorte porque meu marido sempre me apoiou muito. Eu fiz pós-graduação durante quatro anos, então de 15 em 15 dias eu pegava o avião e ia embora, mas voltava. Sempre tive enfermeiras e babás, mas quem sempre escovou o dente deles mesmo dormindo fui eu”.

Eterno bailado

“Já fiz teatro, cheguei a fazer Luft, o fantasminha. Já fui a Cinderela, apesar de calçar 37, não sei como fui escolhida (risos). Fiz balé a vida inteira. Fui até os 17 e 18 anos e entrei na universidade porque tive que escolher um lado: ou estudava, ou dançava. Mas a dança é meu segmento artístico favorito. Gosto de dançar tudo, até um pagodinho. Não parece, mas adoro um pagode”.

Relíquias do tempo 

“Tenho mania por vidros. Adoro antiquários. Tenho mania de comprar copos. Aonde eu vou eu volto com copo no colo. Compro quando consigo ir a algum antiquário, gosto de coisa velha (risos). Também gosto muito de vidros. Tenho louças antigas, e perguntam se vou usar. Digo ‘Não, gosto de deixar tudo guardado’. Gosto de coisas da década de 40, 50”.

Sonho infantil 

“Antes os pais traziam as crianças quando estavam com dor de dente. Hoje em dia as crianças já vêm para não ter problemas ou dor. É a parte da prevenção. Isso é o futuro, o que está acontecendo na odontologia atual. A diferença é que as crianças se preocupam em não ter cárie. Agora elas continuam tendo a mesma pureza e os mesmos sonhos de tirar o dentinho, o imaginário da fada madrinha, da fadinha do dente”.

Traços da personalidade 

“Gosto muito do rock nacional, desde o Kid Abelha até Paralamas do Sucesso. Eu era daquela época que só tinha shows no Tropical Hotel, e chorava para a minha mãe me levar. Gosto muito de Journey, America. Aprendi a gostar de Rolling Stones com meu marido. ‘Angel’ é uma música que eu gosto e lembro muito dele. Mas eu também gosto muito de MPB. O meu livro favorito é ‘Olhai os lírios do campo’, do Érico Veríssimo. Minha avó era professora de literatura portuguesa e inglesa. E eu gosto de assistir filmes da Segunda Guerra Mundial, mais históricos. Tanto que eu não gosto muito de filmes, e sim de documentários”.

O amor nas paredes 

“Esses quadros são doação dos meus filhos. Eles quando crianças compravam umas coisinhas, aí eles começaram a separar para que quando voltasse à clinica, eles me dessem de presente. Se você olhar pelo corredor, vê vários quadros. Os brinquedos que a vida inteira dei de presente para eles, eles me deram de volta, para eu poder usar na clínica. Uma maneira de retribuir e me homenagear. Já o quadro da boneca loira ganhei de uma paciente”.




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