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Primeira Classe: Norma Levy fala de sua trajetória como mãe, dona de casa e confeiteira

Amazonense filha de italianos, Norma Levy compartilha sua história, falando sobre seu talento para decoração e sua maior inclinação: confeiteira. Por muito tempo Norma preparou bolos para famílias da mais alta sociedade local 30/05/2015 às 10:05
Show 1
Primeira Classe: Norma Levy
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Entrar na casa de Norma Levy é como ser transportado para uma outra época. A casa clássica, de influência franco-Italiana, reflete um ar bucólico e bastante aconchegante. Aos 77, a amazonense filha de italianos se orgulha da trajetória que desenhou como mãe, dona de casa e confeiteira, esta última a sua maior inclinação: desde os anos 70 até 2003 ela preparou bolos de 15 anos e casamentos para famílias da mais alta sociedade local, o que a fez ser respeitada por gerações distintas. E a sua história ela compartilha aqui, no 1ª classe.


Como nasceu seu gosto por decorar o lar?

Quando a gente não quer sair de casa, a gente troca as coisas da casa. Mudo estofado, tecido, porque não é questão de comprar toda hora alguma coisa. Compro coisas que duram uma vida. E eu amo minha casa. Quando acaba o Natal já estou ansiosa para a Páscoa. Então tenho muitos decorativos, cuja predominância é da linha de casa da Versace. Eu também amo porcelanas.

Quando a senhora começou a confeitar?

Eu já era casada. Meu sonho era casar. Fiz até o secundário, queria só ter meus filhos e ser dona de casa. Eu comecei a fazer doces nos anos 70, naquela época houve a Revolução. O meu marido, falecido há sete anos, trabalhava com o Secretário de Interior e Justiça, Dr. Plínio Coelho, e foi cassado. E eu tinha que fazer algo, pois tinha três filhos para criar e tinha que ajudar. Fui à luta, ajudei, trabalhei noite e dia.

Quantas viagens a senhora faz por ano?

Nós vamos muito para São Paulo, mas a Nova York vamos duas vezes ao ano. Vamos em fevereiro por causa do inverno, que nós adoramos, e vamos em setembro, no meu aniversário. Em fevereiro peguei 15 graus abaixo de zero e foi lindo, maravilhoso ver a neve caindo.

Qual seu lugar favorito no mundo?

Meu lugar favorito é a Itália, País onde meus pais nasceram. Eu chego lá sempre lembrando da família. Eu nunca fui na cidade onde eles nasceram, pois sempre fazemos excursão por lá, passando por Roma, Veneza, Milão, São Juliano e Viena. Eu viajo muito, mas com a alegria que eu vou, eu volto pra minha casa, para minha cama e meu quarto.

Quais suas preferências na música?

Minha música predileta é o fado. Eu me emociono de chorar quando eu ouço. Mas gosto do fado tocado com guitarras portuguesas. Amo Portugal por causa disso, sempre que posso vou lá assistir a shows do gênero. Adoro Carlos do Carmo, depois vem a Amália Rodrigues. Minha música favorita é “Canoas do Tejo”. Aliás, queria ter aprendido a tocar teclado, mas não consegui.

As suas plantas são quadros à parte na sua casa, certo?

Eu amo plantas. Meus arranjos de flores são todos naturais, cuido pessoalmente. Minhas preferidas são bouganville e bico-de-papagaio. Todo mundo geralmente gosta de rosas, mas eu gosto dessas. Também tenho alpinias e orquídeas no meu quintal, dentre outras.

Quais marcas a senhora usa para se vestir?

Eu compro minhas roupas do Elie Tahari, em Nova York. Sempre, porque já sei o meu número e é só comprar e vestir. É difícil, porque não tenho o estilo do corpo das americanas, de jeito nenhum (risos). Também gosto muito de kimonos, tenho uma porção deles. Perdi as contas.

Há algum sonho que gostaria de realizar?

Eu tinha um sonho que realizei há pouco tempo, que era o de ver uma baleia. O realizei em Nova York. Na primeira vez, fui ao museu e a sala da baleia estava fechada. Aí fomos outra vez e não estava funcionando. Na terceira vez, eu consegui ver a baleia, foi uma emoção tremenda.


BATE-BOLA

Sabores

“Eu já gostei muito de doce, mas hoje não dou muita bola. Não sou muito de comida não, sou muito de sanduíche, besteiras e bobagens (risos). Não tomo refrigerantes há mais de 40 anos. Gosto muito de suco e Mc Donald’s. Dia de domingo adoro pedir pizza. Meu filho me controla e não me deixa comer muita besteira, mas se deixar eu como mesmo (risos)”.

Mãos

“Quando comecei, era muito difícil fazer doces. Não tinha açúcar apropriado em Manaus. Minha irmã tinha que mandar açúcar de Belém para mim. E as técnicas eram diferentes. Minha cozinheira, Raimunda, me ajudava. Passávamos uma semana para fazer um bolo. Batíamos o bolo, recheávamos e cobríamos com glacê mármore. E era um glacê assim: se chovia, escorria. Se fazia muito calor, ele rachava. Quantas vezes a minha cozinheira me pegou chorando porque o bolo havia rachado, e eu não sabia o que fazer? Hoje tudo é mais fácil”.

A menina dos olhos

“Entre todos os decorativos da minha casa, o meu favorito é um busto de uma menina do escultor francês Houdun, feita em porcelana de Limoges. Ela ganhou esse título porque foi a primeira que eu comprei, há mais de 50 anos atrás”.

Lembranças

As jóias que ganhei da minha mãe são as mais simbólicas. Entre elas está o relógio de 15 anos, a pulseira da primeira comunhão e o anel de casamento dela. Eu não as uso, são como recordações. Ela se desfez de tudo porque ela fez uma promessa. Meu irmão era doente da perna e ela prometeu que, se ele ficasse bom, ela distribuiria as jóias.

Fé e amizade

“Todos os anos vou a Belém (PA) para o Círio de Nazaré, porque sou muito religiosa. Sou devota de Nossa Senhora Auxiliadora. Eu ganhei um quadro de Nossa Senhora da minha amiga Zezé Pio, depois de ela ter perguntado qual era minha santa de devoção. Eu fiquei imensamente emocionada quando abri o presente”.

História em mistério

“As minhas telas são da época da Borracha, da casa do meu sogro que eu nem conheci. São telas antiquíssimas, devem ter uns 200 anos. Meu marido me contava que os pintores vinham para cá na ilusão da Amazônia, porque ouviam dizer que aqui tinha muita coisa, e ao chegarem aqui eles não tinham como se manter. Para isso, eles vendiam as telas. Elas não tem nome ou data, o que é uma pena”.

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