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Produção paulista enfoca histórias de cura de doenças de indígenas do Amazonas

O documentário 'Olhos vistos', da produtora independente paulista Carmela Conteúdos, vai enfocar histórias de cura de doenças físicas e espirituais, envolvendo índios e brancos, de São Gabriel da Cachoeira 07/12/2014 às 15:27
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Produção vai visitar comunidades indígenas da região da Cabeça do Cachorro ao longo de duas semanas de filmagens
JONY CLAY BORGES Manaus (AM)

As práticas xamânicas de cura de doenças de indígenas de São Gabriel da Cachoeira (a 858 quilômetros de Manaus) serão tema de um documentário a ser realizado em breve na região. “Olhos vistos”, da produtora independente paulista Carmela Conteúdos, vai enfocar histórias de cura de doenças físicas e espirituais, envolvendo índios e brancos. As filmagens da produção iniciam esta semana, em Manaus e em comunidades da região da Cabeça do Cachorro, onde fica o município amazonense.

A equipe da produção, que tem chegada a Manaus prevista para amanhã, é liderada pelas diretoras Raquel Almeida Prado e Teca Eça. A maior parte do grupo visitará a Amazônia pela primeira vez, mas dois integrantes já têm intimidade com a região.

“O Careca (Luis Macedo), que é o produtor de logística, já esteve na região; e o Afrânio (Ferreira), que é o produtor local e um dos nossos personagens, mora em São Gabriel da Cachoeira. O fato de ter os dois na equipe ajuda bastante e, no meu caso, dá bastante segurança”, assinala Teca, em entrevista à reportagem realizada por email.

Roteiro pela região

As filmagens de “Olhos vistos” no Amazonas têm duração prevista de duas semanas. O roteiro inicia em Manaus, onde a equipe de produção fará entrevistas com Maximiliano Correa, indígena tukano que registrou os benzimentos de vários clãs, e o psiquiatra Maximiliano Loiola Ponte de Souza, que trabalha com indígenas.

Mais tarde, os cineastas seguem viagem de barco pelo rio Negro, para visitar comunidades da Cabeça do Cachorro – a região abriga nada menos que 23 etnias indígenas, entre elas Baniwas e Tukanos, todas já em adiantado processo de aculturação. A etapa regional termina na volta a Manaus, onde a equipe realiza novas entrevistas antes de voltar a São Paulo.

Visões subjetivas

Teca conta que o projeto inicial de “Olhos vistos” era o de registrar o trabalho de uma ong que realiza cirurgias médicas em indígenas. Com o tempo, porém, a proposta foi se modificando. “Nosso principal tema agora é a cura de uma maneira geral, tanto física quanto espiritual. Mas o local é o mesmo, e nem poderia ser diferente. Uma região como a Cabeça de Cachorro, pouco explorada, é sempre bastante instigante”, declara.

Teca antecipa que o documentário não terá um cunho estritamente jornalístico, mas que também dará espaço às “impressões subjetivas” da equipe sobre as práticas rituais e episódios de cura. “Cada pessoa tem um tipo de conhecimento em relação a essa região e aos rituais. O Afrânio mora na região. O Careca já esteve lá. A Raquel convive de maneira próxima e familiar com antropólogos e médicos que cuidam de índios desde a infância. Eu conheço pouco, apenas o que eu pesquisei. Aliás, nunca estive na região. Esses diferentes conhecimentos, olhares, vão compor a linguagem do filme”, explica.

Para a diretora, além da realização profissional, o trabalho na Amazônia será uma realização pessoal. “(Conhecer o Amazonas) é a realização de um antigo sonho. Tenho bastante expectativa em relação às noites no barco: os sons da natureza, o céu estrelado, o silêncio. A Raquel também não conhece nada da Amazônia. Ambas vamos realizar um sonho com a produção desse documentário”, conclui.

Equipe

Além das diretoras Teca Eça e Raquel Almeida Prado, a equipe de produção do documentário “Olhos vistos” é formada por Adriano Torres e Juliano Chiquetto, ambos diretores de fotografia; Luis Macedo, ou Careca, produtor de logística; Afranio Ferreira, produtor de campo e um dos personagens da produção; e Daniela Conde, diretora de produção. O grupo irá passar pouco mais de duas semanas na região.

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