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AUDIOVISUAL

Maya Filmes apresenta novas produções em festivais e na TV pública

Produtora assina o curta "Benedito que subia", exibido na Colômbia e com lançamento marcado em Cuiabá 05/11/2017 às 15:14 - Atualizado em 05/11/2017 às 15:14
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Comédia "Santo Casamenteiro" é adaptação de uma peça de teatro (Divulgação)
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

A produtora audiovisual Maya Filmes fechará o ano de 2018 em grande estilo, com duas obras sendo exibidas pelo Brasil e outras duas em processo de finalização. A primeira delas é a série documental “Roda moinho, roda pião, quero cultura no meu pirão”, escrita e dirigida por Carlos Garcia, que faleceu em maio sem ver o seu trabalho estrear na rede nacional de TVs públicas.

Contemplada no Programa Brasil de Todas as Telas, a série aborda em cinco capítulos a história de quatro jovens dançarinos de grupos de dança indígena do município de Maués. Ao longo dos episódios, os dançarinos revivem memórias e compartilham suas experiências após ingressarem na faculdade, condição que mexe com suas dúvidas e anseios, além de afetar a relação deles com a arte. Na maioria das vezes, as expectativas desses jovens não correspondem aos anseios da família, que vivem de pequenos serviços.

Depois de ser exibida pela TV Brasil de São Paulo, “Roda moinho...” está indo ao ar pela TV Cultura do Amazonas sempre aos domingos, às 15h (horário local).

Religiosidade

A segunda maior festa religiosa do País também entrou no foco da Maya Filmes, desta vez sob a direção de Izis Negreiros. O documentário de curta-metragem “Benedito que subia: do profano ao sagrado” é um registro dos festejos de São Benedito, que movimenta a capital do Mato Grosso, Cuiabá, todo mês de julho. Produzido com recursos do edital Curta Afirmativo, do Ministério da Cultura, o filme teve estreia nacional durante o 10º Encontro de Cinema Negro, realizado no Rio de Janeiro no mês de setembro.

De acordo com a diretora, o documentário aborda as origens da festa em honra ao Santo Negro, no século 18, e como a celebração foi se modificando até os dias atuais. “Quando fui dar aula na Universidade Federal de Mato Grosso, em 2014, tive contato com o lado cultural dessa festa que movimenta o Estado inteiro. Não se trata apenas de uma festa religiosa, como vemos em outros lugares do País”, explica Izis.

“Levantei muito material de pesquisa e descobri que, na década de 80, a Igreja teve que intervir e assumir a festa para acabar com certo apartheid em Cuiabá. Até então, havia duas festas de São Benedito, a dos ricos e a dos pobres, sendo que no início ela era realizada exclusivamente por negros. Com o tempo é que ela começou a se disseminar na sociedade, mas preservando a separação social de antes. Hoje em dia temos uma festa só, em que todo mundo participa”, completa Izis.

No mês passado, “Benedito que subia” entrou na programação do 34º Festival de Cine de Bogotá, na Colômbia, e suas próximas exibições serão nas cidades de Cuiabá e Barra do Garça (MT), na Semana da Consciência Negra. 

Ficção

Izis Negreiros também dirige, em parceria com Ivan Terin, o curta “Santo Casamenteiro”, que está em processo de finalização. O filme é uma adaptação da peça cômica do dramaturgo Gomes de Lima e conta com Rosa Malagueta, Nivaldo Mota, Francisco Mendes e outros nomes de peso do teatro amazonense. “O lançamento será em janeiro, e a bilheteria vai ser destinada ao elenco”, conta a diretora.

Gravado em Manaus e na comunidade de Paricatuba, “Santo Casamenteiro” mostra a batalha de um santo decadente e seu assistente, que tem muita dor de cabeça para juntar as solteiras e solteiros de uma cidade fictícia.

O ano mal acabou, mas Izis já tem um projeto engatilhado para 2018: o curta de ficção “A bola pune”, selecionado no edital Carmen Santos, do MinC, que valoriza o protagonismo feminino no audiovisual brasileiro. “O roteiro é do Andrew Garcia e a previsão é que as filmagens comecem entre março e abril”, adianta ela, que pensa em dar um salto além na carreira. “Depois dessa produção, vou deixar de fazer curtas. Acabei de escrever o meu primeiro projeto de longa-metragem. Está na hora, né?”.

Poder feminino

Outra integrante da Maya Filmes é a diretora Michelle Moraes, que está finalizando a produção do documentário “Sabores do Tarumã”, sobre um grupo de doceiras do assentamento Tarumã Mirim, localizado no entorno de Manaus.

“O filme destaca o empenho de mulheres que, mesmo enfrentando dificuldades por morarem longe da zona urbana, conseguem contornar as adversidades”, explica Michelle, que acompanhou 12 mulheres que produzem doces e geléias com polpa de frutas cultivadas no próprio assentamento. 

“Acredito que a luta da mulher na busca ou na manutenção do seu espaço de trabalho é constante. Também abordamos como é a relação dessas mulheres com seus maridos, numa sociedade em que o machismo ainda é um traço marcante da nossa cultura”, finaliza Michelle.

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