Domingo, 26 de Maio de 2019
Vida

Projeto fotográfico quer resgatar memória de violinista que morreu no Carnaval de Manaus de 1915

Idealizada por Tácio Melo, exposição vai lançar olhar artístico sobre trajetória da jovem Ária Ramos, morta misteriosamente enquanto se apresentava no baile de carnaval do Ideal Clube



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Entorno do Paço da Liberdade, no Centro histórico, foi uma das locações
13/01/2016 às 13:43

Era fevereiro de 1915, terça-feira de Carnaval. Na antiga sede do Ideal Clube, a nata da sociedade manauara se reunia para celebrar mais um dia de folia. A certa altura, a agitação foi silenciada com o estampido de um tiro. Para o desespero geral, a bala atingira a violinista Ária Ramos, de 18 anos, que foi levada às pressas para a Santa Casa de Misericórdia e acabou não resistindo ao ferimento. 

Passados mais de 100 anos do episódio insólito, a morte da jovem amazonense permanece um mistério. Os relatos são incertos: segundo um deles, Ária executava a música “Subindo ao céu” no momento em que foi atingida, o que seria um sinistro presságio; outra versão diz que a fatalidade foi acidental, mas também poderia ter sido motivada por vingança.

Essa história, que comoveu a cidade na época, promete ser resgatada com a exposição de fotos “A última canção”, idealizada pelo fotógrafo Tácio Melo e com previsão de abertura para o próximo mês. Para o projeto, ele convidou outros três profissionais das lentes - Thaís Tabosa, Rodrigo Tomzhinsky e Bárbara Umbra – que ajudaram a retratar artisticamente o caso centenário.

“O mais interessante da biografia da Ária é que ela nasceu no período em que Manaus estava no auge da riqueza, alguns meses antes da inauguração do Teatro Amazonas. Da mesma forma, quando ela morreu, a cidade começava a entrar em derrocada por conta da queda da borracha”, explica Tácio, que conheceu a história da violinista há cinco anos.

“Descobri durante uma visita ao cemitério para fotografar, e desde então sempre tive vontade de falar um pouco dela, seja por meio de ilustrações, um curta-metragem ou fotografias. Até que eu elaborei um projeto para retratá-la por meio de uma sessão de fotos. Também resolvi convidar outros profissionais para enriquecer e dar mais diversidade ao trabalho”, completa ele.

Produção

Para representar  a violinista, Tácio Melo convidou a modelo Gabriella Nunes, da agência Backstage, que será vista nas fotos com figurino de Cidarta Gautama Mello e hair & make de Cecy Procópio. “A princípio, chamaríamos uma atriz porque o trabalho exigia dramatização, mas a Gabriella é muito expressiva e conseguiu entrar no clima”.

Segundo o fotógrafo, a ideia era retratar Ária em três momentos: num hipotético ensaio de violino, no cotidiano da cidade de Manaus e, por fim, no trágico destino que a alcançou. Para isso, foram usadas como locações alguns pontos estratégicos da cidade, como o trecho da rua Ramos Ferreira em frente ao Instituto Benjamin Constant, o entorno do Paço da Liberdade, no Centro antigo, e o interior do prédio histórico do Colégio Dom Bosco, aberto excepcionalmente para a equipe.

Sobram dúvidas

Enquanto concebia o projeto, Tácio consultou jornais da época e material que encontrou na Internet. Ele também afirma ter localizado alguns parentes de Ária que hoje moram fora de Manaus, e pretende entrar em contato com eles na tentativa de desvendar algo mais sobre a vida da violinista.

“Uma das versões é que ela foi vítima de um disparo acidental de um rapaz que estava no baile fantasiado de caçador. Naquela época, os foliões usavam nas fantasias coisas do cotidiano, então alguém que fosse de caçador provavelmente levaria uma arma de verdade. Outra suspeita é que se tratou de um assassinato encomendado por causa de ciúmes”.

Financiamento

Tácio Melo busca agora patrocínios para montar a exposição, que deve contar com efeitos e música ao vivo. Enquanto isso, novidades sobre o projeto podem ser acompanhadas pela página “A última canção”, no Facebook. A iniciativa tem apoio da Tapajós Tecidos, Studio Cecy, Associação de Teatro do Amazonas e Colégio Dom Bosco. Mais informações: (92) 99386-8755. 

Busca rápida

Ária Ramos nasceu em 12 de agosto de 1896 e faleceu em 17 de fevereiro de 1915. A violinista pertencia ao Paladinos da Galhofa, grupo conhecido nos bailes da cidade. A História da folia manauara conta que, a partir daquele ano de 1915, com o agravamento da crise da borracha e o fim dos famosos corsos, o Carnaval entraria em um período de baixa atividade na capital.


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