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Entretenimento
Projeto ' Ler para crescer'

Projeto leva cidadania e literatura para comunidades ribeirinhas do Amazonas

O projeto leva literatura e alegria a pequenas comunidades do interior do Amazonas desde 2006 27/05/2013 às 07:48
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Saída do grupo de voluntários ocorreu no porto 11 de maio, na Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste: embarcação é alugada com ajuda de doações recebidas
Adan Garantizado Manaus

Há sete anos, o Instituto “Ler para crescer” desenvolve uma série de atividades educacionais com crianças nas periferias de Manaus. Além do incentivo à leitura e a preservação ambiental, a ONG promove brincadeiras, peças de teatro, organização de passeatas em prol do voto consciente, além de conseguir implantar bibliotecas e brinquedotecas em alguns dos bairros mais carentes da capital amazonense.

Em 2013, o “Ler para Crescer” está expandindo os horizontes. Para isso, os voluntários do projeto decidiram atar as redes em um pequeno barco e pegar a estrada, ou melhor, o rio, visitando comunidades ribeirinhas. E além das atividades tradicionais, o instituto deve aplicar uma pesquisa social nas comunidades visitadas, para traçar o perfil dessas localidades, identificando as necessidades de cada uma. Os dados da pesquisa seguirão para o Governo Federal.

No último fim de semana, o barco do “Ler para crescer” subiu o rio Amazonas, percorrendo ao menos quatro comunidades. A CRÍTICA acompanhou o começo da “aventura”. O ponto de partida foi o porto do 11 de maio, na Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste. A primeira comunidade a ser visitada foi a Bela Vista, na outra margem do Lago do Aleixo, que se comunica com o rio Amazonas.

Um grupo de 30 crianças já esperava pelos voluntários no pátio da igreja católica. O olhar assustado da meninada logo deu espaço aos sorrisos quando os italianos Tommaso Lombardi (vice-presidente do Instituto) e Andrea Gomirato entraram na sala fantasiados de palhaços, animando o grupo.

Subchefe de cozinha, Andrea veio da Itália há dois meses apenas para participar do “Ler para Crescer”. As dificuldades com a língua portuguesa não são capazes de frear a empolgação dele no projeto. “Trabalhar com crianças é muito bom. E eu fiquei encantado ao conhecer o instituto e a hospitalidade de todos aqui”, disse o italiano de sotaque carregado, que ainda passará mais um mês em Manaus.

Fome de livros

A programação segue. A obra “O guardião das florestas”, vira peça de teatro. Voluntários e crianças, fantasiados de animais, índios, caçadores, árvores e de lendas como  do curupira, encenam o enredo. A diversão é garantida. Chega então o momento em que os livros são colocados no chão, sobre um lençol. Não é preciso esperar muito para que as crianças, aguçadas pela curiosidade,  “avancem” neles. Até os que não sabem ler não resistem. Auxiliados por voluntários, eles também se encantam com as histórias. O silêncio e a concentração na hora da leitura são surpreendentes.

No fim, os livros são doados pelo instituto para a comunidade. Após o lanche, todos voltam para casa felizes. E o barco do Ler para Crescer segue.

“Gostei muito da peça e do livro que eu li”, confessou o pequeno Lucas, 8. “Quando começamos o projeto, muitas crianças que não tinham perspectiva nenhuma de vida foram envolvidas. Era gente com risco social, que convivia diretamente com violência, drogas. Quando retornamos às comunidades, já ouço algumas falarem que querem ser advogadas, jornalistas, médicas. Saber disso é a nossa maior satisfação”, contou a servidora pública Elaine Elamid, fundadora do Ler para Crescer e atual presidente do instituto.

Projeto premiado aceita doações

Desde a a criação em 2006, na paróquia do bairro Terra Nova, Zona Norte, o “Ler para Crescer” trabalha com recursos e mão de obra voluntária. O aluguel do barco que percorre as comunidades fica em torno de R$ 400. Os recursos para o lanche, os livros e todo material usado durante as apresentações teatrais também são oriundos de doações. Quem deseja ser voluntário do Instituto, deve preencher uma ficha no site do ler para crescer (www.lerparacrescer.org).

A estudante de pedagogia Cristiane Wanziler, 25, participou das atividades do Instituto pela primeira vez no sábado(25). “É muito bom receber o carinho de uma criança. Esse é meu maior prêmio. Podia ter tirado o final de semana para passear, descansar, mas nada se compara ao projeto”, destacou. O contato para doações também pode ser feito via Internet ou pelos telefones 3082-6833 e 8411-1009. No ano passado, o Instituto Ler para Crescer faturou o prêmio ANU, promovido pela Central Única das Favelas (CUFA) como o melhor projeto social do Estado.

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