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ARTE URBANA

Projeto premiado pela Funarte levará oficinas de grafite ao Careiro Castanho

Proposta do grafiteiro Alessandro Hipz foi a única contemplada da região Norte em edital do MinC 07/11/2018 às 13:26 - Atualizado em 07/11/2018 às 13:29
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Hipz é autor de diversas obras em Manaus (Divulgação)
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Os grafites dele podem ser vistos em muros e viadutos ao redor de Manaus; o mais recente foi pintado na Avenida das Flores durante a nova edição do Festival Amazônia Walls. Nome de destaque na arte urbana amazonense, Alessandro Hipz acaba de receber uma das melhores notícias do ano: seu projeto “Grafitando a Amazônia: capacitando através da arte urbana” foi contemplado no Prêmio Funarte Artes Visuais, edição Periferias e Interiores, do Ministério da Cultura (MinC). Com o recurso, ele realizará, em abril de 2019, uma série de oficinas com jovens do Careiro Castanho, município na Região Metropolitana de Manaus.

“A atividade será no espaço Casa de Saber, onde já ministrei oficina de grafite e estêncil no ano passado. Como a demanda foi grande e não conseguimos atender todo mundo em apenas uma semana, ficamos de desenvolver um projeto que nos permitisse voltar”, explica Hipz, que foi o único selecionado da região Norte.

De acordo com ele, a expectativa é que 80 jovens sejam atendidos de forma direta pelo projeto da Funarte. “Dessa vez vou trabalhar numa perspectiva mais avançada e capacitar ainda mais a turma que participou anteriormente. Hoje em dia, o grafite se transformou numa forma de inserção no mercado de trabalho por meio da arte”.

Hipz é um exemplo de que a arte urbana rende bons frutos. Atualmente, o grafiteiro vive desse ofício, mas ele também sabe que a atividade pode ser uma ferramenta de educação e transformação social. “Conheci o grafite numa escola de periferia, onde continuo trabalhando. A arte me proporcionou essa inserção, que na verdade é um mercado novo. Isso acaba dando um norte para a juventude, principalmente das periferias, que ainda têm dificuldade no acesso a alguns meios de cultura e fazer artístico”, comenta.

Conquista e receio

Hipz diz que o resultado das oficinas no interior é sempre positivo. Ele lembra da que realizou recentemente em São Gabriel da Cachoeira, a convite da secretaria municipal de cultura, com alunos de escolas públicas. “Foi gratificante e diferente de outras que já tinha feito. Como a maioria da população de lá é indígena, encarei a experiência como uma oportunidade de troca, de poder absorver mais da nossa cultura. De modo geral, a molecada tem uma identificação grande com o grafite”.

Ele aproveita para destacar que, em 15 anos de vivência direta com a arte, esta foi a primeira vez que um projeto seu foi contemplado em edital nacional da Funarte. Para o artista, o resultado é uma conquista, mas também motivo para reflexão, ainda mais diante de um cenário em que o futuro do próprio MinC e das políticas federais para a cultura estão na berlinda.

“As coisas estão meio obscuras, não temos clareza do que pode acontecer. Sabemos que toda vez que o país sofre algum tipo de crise a cultura é a primeira a ser penalizada. Mas sempre fizemos arte da nossa forma, muitas vezes sem ajuda, e agora que chegamos até aqui não vamos desistir, é continuar usando os meios que existirem pra ter acesso e dar acesso à cultura”, finaliza.

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