Terça-feira, 19 de Novembro de 2019
MÚSICA

Projeto 'Vertentes do mesmo rio' leva artistas amazonenses para se apresentar em SP

Os artistas Ygor Saunier, Karine Aguiar e Márcia Novo representarão o Amazonas no evento. Músicos do Pará e Amapá também vão participar



b0804-1f.jpeg De acordo com Manoel Cordeiro, idealizador do projeto, o evento busca apresentar uma perspectiva da riqueza cultural existente na Amazônia e dar visibilidade ao trabalho artístico e cultural da região
04/04/2018 às 15:32

Riquezas, diversidades e vertentes formam o imenso rio cultural que singra pelos estados da Região Norte do País. Como navegantes que buscam alcançar um lugar comum, um time de artistas da música nortista estará, em peso, mostrando os sons da Amazônia em São Paulo, nos dias 14 e 19 de abril. Organizado pelo músico paraense Manoel Cordeiro, o evento “Vertentes do Mesmo Rio – Amazônia” reunirá 10 artistas de estados como Pará, Amapá e Amazonas. Do maior estado do Brasil, vão se apresentar Karine Aguiar, Márcia Novo e Ygor Saunier nos espaço Unibes Cultural e na casa de shows Casa de Francisca. O projeto é amadrinhado pela cantora Fafá de Belém.

De acordo com Manoel, o evento busca apresentar uma perspectiva da riqueza cultural existente na Amazônia e dar visibilidade ao trabalho artístico e cultural da região, de forma a divulgar, debater e preservar as origens caboclas nas artes e em outras manifestações culturais amazônicas. “A finalidade é ressaltar a importância das relações multiculturais através da riqueza, diversidade e das vertentes que convergem para o imenso rio cultural da Região Amazônica, da mesma forma que ocorre com os afluentes do rio Amazonas”, declara Cordeiro.



Estrelas

A cantora amazonense Karine Aguiar afirma que, no show, cada artista vai interpretar três canções significativas do seu trabalho e do seu estado de origem. “Eu vou interpretar ‘Pesca Cabocla’ e ‘Biojoias’, dos compositores do Boi Caprichoso, Hugo Levy e Neil Armstrong, que acabei de gravar para um novo projeto com eles que vai dar origem a um single homônimo. É uma ode à conservação ambiental na Amazônia a partir do uso sustentável e consciente dos produtos (sementes, cipós, cascas de árvores) que a floresta nos oferece de forma generosa e gratuita”, comenta ela.

Segundo a cantora Márcia Novo, além do show solo de cada um, haverá um momento em que todos vão cantar juntos. A ideia, segundo Novo, é que o evento possa ir para outros estados brasileiros. “O Manoel Cordeiro é meu produtor musical. Ele já tinha essa vontade de juntar o povo da Amazônia que mora em São Paulo. Há muitos paraenses, amapaenses e amazonenses perdidos aqui (risos). Em várias conversas informais, ele tinha essa ideia de mostrar as várias rítmicas de sons que a gente tem na Amazônia. No Pará temos o carimbó; no Amazonas, o boi-bumbá; no Amapá, o tambor de curiaú”, comenta ela, que vai cantar a música “Se Questa”, “Vermelho”, “Cumbia Beiradão”, entre outras.

Resgate

Exímio pesquisador da rítmica amazônica, Cordeiro diz que a extensão territorial da região favoreceu a segregação do povo, que foi se localizando em regiões e espaços geograficamente distanciados. “Mas que, apesar das especificidades encontradas no marabaixo, batuque, carimbó, siriá, marujada, sairé e boi-bumbá, por exemplo, se convergem através de suas batidas, sons e do uso dos instrumentos, caracterizando, portanto, a dialética regional que aglutina essa arte no Pará, no Amapá, no Amazonas e em outros estados da região, suscitando uma identidade regional formada através de suas variadas frentes”, coloca Manoel.

Conforme Karine Aguiar, como o tempo das grandes gravadoras acabou, os artistas estão todos aprendendo as novas regras do mercado musical, que hoje se baseiam na autonomia e na auto-gestão. E o artista do Norte está pronto para isso: reforçar a sua identidade e ir à luta. “Estamos abertos e com vontade de reposicionar a música amazonense em escala planetária outra vez. Sim, porque existe preparo técnico, coragem e ousadia em muito do que a nossa geração tem buscado fazer e, isso não significa arrogância ou prepotência. Somos conscientes de que com as conexões certas, podemos ser um dia indicados a um Grammy, por exemplo. Tudo é um questão de organização, marketing bem feito (na internet, principalmente) e trabalho duro”, completa.

Gastronomia

No evento, diversos estabelecimentos venderão comidas típicas da Amazônia. O Boteco Amazônia vai comercializar cervejas típicas, cachaça de jambu e sucos de frutas; o Empório Amazônia vai vender caldinho de tucupi com jambu e camarão, pirarucu, vatapá, maniçoba e casquinha de caranguejo.

Serviço

O quê: Vertentes do mesmo Rio – Amazônia
Quando: 14 e 19 de abril, das 12h às 20h
Onde: Unibes Cultural em 14 de março e Casa de Francisca em 19 de março
Quanto: R$ 50


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.