Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
ARTE

Projetos brasileiros difundem cultura africana sob ótica protagonista e artística

Dois projetos brasileiros, um em Manaus e outro em São Paulo, mostram como o continente com 54 países ultrapassa qualquer estereótipo e possui riquezas  ainda desconhecidas.



projetos.JPG Este é o terceiro ano que a Ufam sedia um evento dedicado à cultura africana (Foto: Evandro Seixas)
27/05/2016 às 21:14

Pobreza, fome, guerra, safári ou cenário para atividades assistencialistas. Esses são os temas mais representados na mídia no Brasil - e como não dizer, no mundo - quando o assunto é África. Na contramão disso, dois projetos brasileiros, um em Manaus e outro em São Paulo, mostram como o continente com 54 países ultrapassa qualquer estereótipo e possui riquezas  ainda desconhecidas.

Berço das raízes brasileiras, a cultura afro tem uma diversidade tão grande quanto o seu território. “Para alguns África é um país, não um continente. Até hoje as pessoas pensam que lá vivemos nu na floresta, andando com leão.  Alguns países africanos são mais desenvolvidos que os europeus e americanos. Então acho que as pessoas precisam se informar mais”, ressalta o universitário africano Fenou Japhet, que mora em Manaus desde 2014.

Ele é um dos 51 alunos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) que faz parte do Programa de Estudante Convênio de Graduação (PEC-G). Todos os anos, o projeto abre vagas para jovens em países em desenvolvimento estudarem no Brasil. “A maioria dos alunos que recebemos vem da África. Esse intercâmbio cultural é muito gratificante, vemos que temos muita coisa em comum”, conta a professora de língua portuguesa para estrangeiros, Valéria Moisin de Araújo.

Esses alunos criaram a Associação dos Estudantes do Programa Estudantil de Convênio e, por meio dela, realizam atividades para divulgar a cultura africana e trocar experiências com os amazonenses. Um dos canais é o site www.pecgmanaus.net16.net.  “Às vezes percebo umas semelhanças entre o meu País e esse daqui em termo de culinária e de língua. Mas ao mesmo tempo não está sendo legal pelo fato que a gente passa por situações de racismo, de preconceito e dificuldade com o clima”, diz Fenou.

Na agenda de eventos está o Dia da África que será comemorado na Ufam nos dias 8 e 9, em virtude do calendário acadêmico. Integrantes do PEC-G prepararam uma programação com dança, música, cinema, palestras, workshops e debates que serão realizados, no campus.  É a terceira edição do evento que tem como principal diretriz a divulgação da  A Lei 10.639/0,  está vigente desde 2003,  e que obriga o ensino da história e da cultura afro no sistema de educação brasileiro. “Muitos pesquisadores participam, professores de ensino fundamental e médio também. Precisamos dicutir mais como passar esse conteúdo de forma que a cultura afro seja protagonista e a participação dos alunos africanos é fundamental”, diz  Valéria.

Mídia independente

O slogan “África cool e descolada” já sinaliza a proposta do “Afreaka”, um projeto independente voltado a produzir e divulgar conteúdos de uma África além dos estereótipos. A ideia surgiu em São Paulo, por volta de 2012, quando a jornalista Flora Pereira e o design gráfico Natan de Aquino conseguiram, por meio de financiamento coletivo, viabilizar uma viagem para oito países do sul e leste africano com o objetivo de produzir reportagens. O foco foi a África protagonista de sua arte, arquitetura e cultura, além das riquezas naturais e tecnológicas. “Percorremos tudo de transporte público, dormindo em casa de família, procurando conversar com quem vive lá, viver a realidade deles. E é totalmente diferente da imagem limitada que temos”, conta a idealizadora  Flora.

A primeira viagem, em 2012, rendeu quase 80 matérias, divulgadas via internet, e uma série de imagens que viraram exposição no metro de São Paulo. A repercussão rendeu uma nova viagem via financiamento coletivo, em 2013, e permitiu a dupla estruturar e expandir o projeto. Agora eles são um veículo de comunicação virtual, com site e mais de 100 mil curtidas e seguidores nas redes socais.  “Temos três pilares, mídia, educação e produção cultural, todas voltadas ao empoderamento da cultura afro. No próximo mês faremos o segundo festival Afraka, com palestras e atividades artísticas onde os protagonistas são os artistas e intelectuais africanos”, diz. “Falar deles é falar de nós também. O Brasil é construído com africanos, o capital social e cultural é formado por isso, mas é algo pouco reconhecido”, ressalta.

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