Quarta-feira, 30 de Setembro de 2020
ESTREIA LITERÁRIA

Publicitário amazonense lança conto em coletânea nacional

João Ricardo Campos, 34, estreará com a antologia “Parem as máquinas!”, da editora Selo Off Flip, de Paraty (RJ). O lançamento da primeira obra do autor está previsto para setembro



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31/08/2020 às 12:12

A trajetória recente do publicitário amazonense João Ricardo Campos, de 34 anos, dá um livro. E deu. Explico. Ele trabalhava como livreiro em Manaus quando, entre vendas e organização de prateleiras, decidiu criar os próprios universos. A fim de experiências profissionais como redator, se mudou para o Rio de Janeiro há três anos e, após ter participado do Laboratório de Narrativas Negras para Audiovisual, ano passado, ele finalmente estreará como escritor na antologia ''Parem as máquinas!'', da editora Selo Off Flip, de Paraty (RJ), cujo lançamento está previsto para setembro.

O seu conto, intitulado ‘’Alma Mater’’, foi selecionado entre os textos literários de mais de 200 escritores de todo o Brasil. A narrativa de 250 caracteres (uma exigência da editora) foi, nas palavras de João, um desafio, pois a abordagem envolveu, segundo ele, um tema complexo.



‘’Na ocasião da escrita do conto, eu estava totalmente influenciado pela cobertura da pandemia na mídia. Era um momento em que começávamos a ouvir falar de morte todos os dias. Então eu criei uma personagem idosa que começa a se sentir ameaçada por uma doença que mata velhos. O título, ‘’Alma Mater’’, é uma expressão latina que remete à ideia de sabedoria e também tem a ver com a maternidade. No conto, eu faço uma referência à mãe da personagem; é um ponto central da narrativa’’, resume ele, com todo o cuidado para não soltar um spoiler.

Divisor de águas

Antes de se mostrar ao mundo como escritor com ‘’Alma Mater’’, em 2019, João Ricardo Campos foi um dos 35 roteiristas selecionados para o Laboratório de Narrativas Negras para Audiovisual, realizada pela Festa Literária das Periferias (Flup) em parceira com a Rede Globo. O laboratório foi, para ele, o momento exato em que ele percebeu que poderia criar narrativas que interessassem a mais pessoas além dele.

‘’Eu só tive segurança para submeter o meu conto [à Selo Off Flip] porque passei pela experiência do laboratório da Flup. Eu desenvolvi uma história por lá durante três meses, e respirar essa atmosfera de construção de ficção com colegas muito talentosos e profissionais do mercado foi fundamental para que eu continuasse escrevendo depois do encerramento do curso. Essa oportunidade que eu tive abriu os meus olhos para que eu começasse a valorizar mais o meu trabalho’’, conta.

Embora seguir a trajetória literária tenha sido algo que amadureceu há pouco tempo, João faz questão de lembrar que a vocação começou a ser moldada entre 2009 e 2012 quando trabalhou como vendedor na seção de ‘’literatura e artes’’ em uma conhecida rede de livrarias em Manaus, ou, se voltarmos ao final da década de 1990, quando ouvia as histórias da sua falecida avó materna, Luíza Pereira, que adorava contar causos de assombração aos netos.

‘’Eu sempre gostei muito de escrever, mas não sentia segurança e me faltava técnica também. Quando trabalhei em uma livraria, respirando livro todo dia, eu comecei a encarar as coisas de uma maneira mais séria. Também cresci com uma avó materna que adorava contar histórias. Eu ouvia os causos atentamente no pé da rede dela. A oralidade que temos no Amazonas é fantástica e está muito presente em mim’’, recorda ele, que é admirador de longa data dos escritores Eça de Queiroz (1845 – 1900) e Milton Hatoum.

Projetos

A estreia literária na antologia ''Parem as máquinas!'' junto à exposição da obra prevista para acontecer na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em novembro, uma das vitrines mais cobiçadas por escritores iniciantes, são acontecimentos que deixam o escritor João Ricardo Campos animado para, futuramente, publicar livros solos – no entanto, por conta da crise no mercado editorial brasileiro, ele prefere deixar o seu radar ligado nos concursos literários.

‘’Acho que os concursos são ótimas oportunidades para alguém que está começando. Atualmente, eu estou me aprofundando mais no estudo das técnicas de escrita literária. Estou conhecendo uns autores obrigatórios, e eu adoraria ter um projeto publicado no ano que vem, mas é muito cedo para afirmar’’, disse.

Romance

Nessa fase inicial de experimentações e com projetos ainda amadurecendo no campo das ideias, ele confidenciou ao BEM VIVER também que, embora goste de escrever contos, prefere as narrativas longas. ‘’Sim, penso em me aventurar na escrita de romance’’, arremata.

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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