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Publicitário Edson Gil Costa mistura MPB e Brega em pesquisa musical que virou livro

A seleção de canções com artistas consagrados e por outros tidos como 'cafonas' ganhou uma edição em forma de livro, que recebeu o título de ‘Brega, Chico e chic’ 22/11/2014 às 15:15
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Encontro do Clube dos Discófilos Fanáticos inspirou projeto de Edson Gil Costa
JONY CLAY BORGES Manaus (AM)

Formado por amigos e fãs de música de Manaus, o Clube dos Discófilos Fanáticos (CDF) realiza a cada mês uma reunião em que um dos integrantes fica encarregado de preparar e apresentar aos demais uma trilha sonora temática. Encarregado da missão no mais recente encontro do grupo, no último dia 11, o publicitário Edson Gil Costa fez bonito e apresentou aos colegas uma seleção de canções feitas por artistas consagrados e por outros tidos como “cafonas”, porém com temáticas comuns. A pesquisa musical ganhou até edição em forma de livro, que recebeu o título de “Brega, Chico e chic”.

“O Chico (Buarque) entrou no título porque, quando comecei a fazer esse comparativo, vi que tinha muitas músicas dele. E, para ficar um nome mais sonoro, mais marqueteiro, coloquei desse jeito”, revela o publicitário, em tom divertido.

Em sua pesquisa, Costa contrapõe canções de Chico e de outros grandes nomes da MPB a outras de artistas igualmente famosos, mas bem menos reconhecidos. Aí se incluem músicos como Gilberto Gil, Cartola, Tom Jobim ou Caetano Veloso, no primeiro time; e Odair José, Waldick Soriano, Diana ou Lindomar Castilho, no segundo, para citar alguns nomes. Ao todo, o publicitário selecionou 66 composições, agrupadas em duplas que compartilham um mesmo tema.

DE DOIS JEITOS

Costa cita como exemplo a célebre “Garota de Ipanema” (1963), de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, e a canção “Maria Izabel” (1970), de José e Luis Moreno, e Rossini Pinto, que começa com os versos: “A praia estava deserta/ O sol surgia no céu/ E eu contente cantava/ Pra você, Maria Izabel”. “O mesmo tema de ir à praia aparece nas duas canções”, assinala ele, destacando no entanto que uma é considerada “brega”, e a outra, mais sofisticada. “Essa é a brincadeira, a diversão desse trabalho”.

Outros exemplos curiosos na seleção de Costa são a popular “Você não vale nada”, de Dorgival Dantas, ao lado de “Incompatibilidade de gênios”, de João Bosco e Aldir Blanc, ambas tratando das diferenças de casal; e ainda “Eu sou a outra”, de Ricardo Galeno, ao lado de “Folhetim”, de Chico. “Ambas falam de amantes, mas ‘Folhetim’, no lado ‘Chico’, é a versão ‘chic’”, aponta ele.

Fama vs. Reconhecimento

A ideia de colocar lado a lado artistas de diferentes estirpes, por assim dizer, surgiu quando Costa notou que, em muitos casos, nomes dos dois lados viviam e trabalhavam na mesma época.

“Na década de 1960 até o início dos 1980, quando a ditadura pegava fogo, os festivais universitários revelaram muitos grandes compositores, como Chico, Milton Nascimento, Caetano Veloso”, lembra ele. “Mas nesse mesmo período havia um pessoal que vendia discos para caramba, mas não eram considerados dignos de serem reverenciados pela mídia. Eram tidos como ‘cafonas’ – o termo ‘brega’ nem era usado ainda –, mas eles faziam a indústria girar”.

A partir dessa constatação, o publicitário começou a olhar de perto a produção musical de ambos os lados da indústria musical. “Se eles eram contemporâneos, viviam os mesmos dramas. E comecei a identificar como um lado olhava um tema, e como o outro tratava aquele mesmo tema”, explica.

Jogos musicais

Embora seja resultado de um extenso trabalho de pesquisa, “Brega, Chico e chic” infelizmente não está disponível ao grande público: a reduzida tiragem do livro, que traz ainda um CD encartado com todas as canções selecionadas, é restrita aos integrantes do CDF e a alguns amigos de Costa.

“Todo mundo lamenta”, reconhece o publicitário, que se diz satisfeito em compartilhar os resultados com o CDF. “O conhecimento musical acumulado no grupo é muito grande. MPB, por exemplo, não era minha praia, e hoje já ouvi um monte de coisas. Aprendi muito lá”, revela.

Quanto ao trabalho dispendido em suas pesquisas, Costa computa, de forma positiva, como o que chama de “ócio produtivo”: “Uso o tempo livre que tenho ouvindo música, pesquisando, lendo. Música e vinho são duas coisas de que gosto. Tem gente que faz outras coisas; eu faço isso. E jogo tênis quando dá”.

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