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Quadrinista famoso por fazer humor com religiões lança releitura do 'Êxodo' em HQ

Deisgner e quadrinista, Carlos Ruas é o autor do blog "Um Sábado Qualquer", que usa um humor inteligente para abordar assuntos religiosos e possui mais de 40 mil acessos diários 05/12/2015 às 22:47
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Carlos Ruas é natural de Niterói (RJ)
ROSIEL MENDONÇA Manaus (AM)

Existem mais de 10 mil religiões no mundo, e se muitos consideram esse um assunto sério, o quadrinista e designer Carlos Ruas toma o caminho contrário e faz dele matéria-prima para o humor. Durante a ComicCon Experience, que termina neste domingo (6), ele lança seu novo livro, “Êxodo”, baseado na história de Moisés e do povo hebreu após a libertação do Egito. 

Ruas é a mente criativa por trás do blog Um Sábado Qualquer, que usa um humor inteligente e informal para falar de religião – ou melhor, de religiões, já que as tirinhas não distinguem barreiras geográficas ou teológicas. Irônicas e livres de dogmas, as tiradas com Deus, Dionísio, Odin e Oxalá fazem do blog, criado em 2009, um dos mais acessados do País, com cerca de 40 mil acessos diários e mais de 2 milhões de leitores no Facebook. 

Impulsionado por esse sucesso, Ruas teve a ideia de transpor as histórias bíblicas para o universo dos quadrinhos cômicos. “As tiras são três quadros: início, meio e fim. O ‘’Êxodo” em quadrinho é meu primeiro ‘longa’, então o início, meio e fim agora possui 112 páginas. Foi um desafio”, explica o autor. 

“Após uma leitura da Bíblia, percebi o quanto de passagens surreais existiam ali e que não eram ditas nas igrejas, então resolvi então criar uma Bíblia do avesso, dando ênfase nessas passagens e mostrando para o fiel que a Bíblia não pode estar acima da constituição. Pois caso estivesse, teríamos que apedrejar todos que trabalhassem no sábado”.

Para viabilizar o novo livro, o quadrinista lançou uma campanha de financiamento coletivo em que alcançou a meta de R$ 87 mil e 1.200 cópias adquiridas em pré-venda. A ideia de começar pelo Êxodo não teve um motivo específico, afirma o artista. “As coisas fluíram melhor com o Êxodo, então resolvi começar por ele. Não tenho pressa, depois volto para o Gênesis, posso então ir lá para o Apocalipse... Um dia fecho a coleção”, diz.

MEIO TERMONascido em Niterói (RJ) e criado em escola católica, Carlos Ruas tem um pai ateu e uma avó espírita. Para ele, o contato com essas diferentes correntes de pensamento contribuiu para a forma como ele enxerga o mundo hoje. “Ou eu acredito em nenhum Deus ou eu acredito em todos. Por isso, me mantenho imparcial, gosto da religião como forma de estudo e hobby, mas não possuo uma”.

Ele diz sempre ter sido um leitor apaixonado de tirinhas, e quando percebeu que tinha talento para a coisa, resolveu criar as suas próprias. Como o tema religião o interessava, e poucos artistas abordavam o assunto, ele decidiu apostar na ideia. 

CRÍTICAS

Um dos diferenciais do trabalho dele é o fato de abordar Deus e o diabo como personagens humanizados, com os vícios e virtudes dos meros mortais. Ruas insiste em dizer que não tem o intuito de levantar bandeiras ou ofender quaisquer religiões, mas busca promover “o diálogo, o debate e o livre pensamento filosófico” em um tempo marcado por manifestações de intolerância. 

“É claro que o público ateu ama as minhas tiras, afinal é piada com Deus. Mas também possuo leitores católicos e evangélicos. Quem conhece o meu trabalho sabe que eu não estou aqui para ofender Deus, cada um acredita no que quiser, desde que não transforme a sua crença em um vício. Existem vários caminhos para a salvação, existem vários deuses, várias verdades, e é isso o que eu mostro”, afirma.

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