Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
Vida

Quadros de pintor servem de base para filmes que combinam dança e audiovisual

O mais novo exemplo desse “diálogo” artístico é o projeto “Senhoras de Andrade”, do artista cênico João Fernandes, com duas videodanças inspiradas em criações do pintor amazonense



1.jpg João Fernandes usa elementos e temas de obras de Moacir Andrade em seus vídeos
31/07/2013 às 10:10

Uma das grandes expressões do Modernismo nas artes plásticas produzidas no Amazonas, as obras de Moacir Andrade vêm servindo como base para releituras e questionamentos contemporâneos na arte da atualidade. O mais novo exemplo desse “diálogo” artístico é o projeto “Senhoras de Andrade”, do artista cênico João Fernandes, com duas videodanças inspiradas em criações do pintor amazonense.

As videodanças são intituladas “Senhora de Andrade in Amazonas” e “Senhora de Andrade in Manaus”, e foram elaboradas com base nos quadros “Nossa Senhora do Amazonas” (1979) e “Nossa Senhora de Manaus” (1986), respectivamente. Os trabalhos utilizam temáticas, elementos e observações estéticas acerca das obras de Moacir Andrade, unindo as linguagens do audiovisual e da dança (veja a Busca), com performances realizadas pelo próprio artista.

Exemplo disso são sombrinhas, peixes e palafitas, elementos recorrentes nas telas de Moacir. “Passamos várias horas gravando no mercado de peixes, buscando encontrar ângulos como os que ele pintou. Para registrar as palafitas, fomos ao Santo Antonio, a São Raimundo, onde há coisas que chegam perto do que ele coloca em seus quadros”, conta Fernandes, que estabelece paralelos em vários aspectos nas videodanças. “Fazemos paralelos entre o que Moacir viveu e o que vivemos hoje, trazendo a relação do tempo dentro dessas memórias”.

Religião e identidade

As questões da religiosidade e da identidade urbana de Manaus foram outros aspectos explorados na releitura. “Num dos vídeos enfocamos a questão da religiosidade, buscando os elementos religiosos da obra dele e o modo como eles dialogam na atualidade”, recorda Fernandes, citando as festividades retratadas nas telas.

A identidade da capital amazonense, por sua vez, é o foco em “Senhora... in Manaus”. “Buscamos mais uma identidade dessa cidade que tem 2 milhões de habitantes, trânsito de metrópole e um Centro caótico. E, agregado a tudo isso, buscamos também as cores fortes das telas de Moacir”, afirma Fernandes.

Além da temática, as videodanças apresentam diferentes técnicas: “Senhora... in Amazonas”, com 1:48 de duração, utiliza a técnica de stop-motion, ou animação de fotografias em sequência. Já “Senhora... In Manaus” (2:30) traz efeitos de edição sobre o registro coreográfico, com sobreposições, duplicações de imagens e outros.

‘Memórias e trajetos’

João Fernandes produziu os vídeos “Senhora de Andrade” como parte do trabalho de conclusão do curso de Mestrado em Letras e Artes da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), sob a orientação de Maurício Mattos. A escolha de Moacir resultou da identificação do artista cênico cearense, há dez anos radicado em Manaus, com as obras do pintor amazonense.

“Vi nessas obras muito de minhas influências enquanto nordestino. A coisa das memórias, dos trajetos, pegando a ideia de como o Amazonas recebeu muito da imigração nordestina, que trouxe para cá festividades de origem europeia que aqui se tornaram outra coisa”, comenta.

Após a defesa do projeto na UEA, em agosto, Fernandes deverá fazer o lançamento das videodanças no Casarão de Ideias, em setembro. “Foi um produto piloto que, a meu ver, resultou maior do que um mero produto acadêmico”, afirma ele, que espera inscrever os trabalhos em festivais de videodança por todo o País: “Conseguimos produzir um trabalho com qualidade estética para circular em outros lugares”.


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