Terça-feira, 07 de Julho de 2020
Literatura

Quarentenas Amazônicas: livro aborda impactos da pandemia na região

Publicação reúne artigos sobre a realidade de grupos sociais com a chegada da Covid-19



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26/05/2020 às 12:12

Seguir abordando o impacto da pandemia do novo coronavírus em alguns grupos sociais da região amazônica, com atenção especial aos imigrantes haitianos e venezuelanos que vivem nos centros urbanos da região. Essa é a tônica do segundo volume da publicação “Quarentenas Amazônicas”, lançado hoje na internet pelas editoras da Universidade Federal do Amazonas (Edua-Ufam) e Alexa Cultural, e disponível para ser baixado gratuitamente.

Os professores Renan Albuquerque e Gerson André Ferreira, do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ambientes Amazônicos, da Ufam, seguem à frente da organização da publicação que, neste volume, conta com três artigos, compilados entre 28 de abril e 20 de maio, e desenvolvidos em 60 páginas – mantendo, assim, o objetivo inicial do projeto de levar uma reflexão profunda sobre alguns aspectos sociais evidenciados pela pandemia por meio de uma linguagem objetiva, mas sem perder o rigor acadêmico.



Os artigos são assinados pelos professores Renan Albuquerque, Fabrício Vasconcelos, Gerson André Ferreira, Isaías dos Santos, Hugo Levy e Georgio Ítalo Ferreira. “O próprio nome da publicação já nos remete a modos e tipos possíveis de isolamento que podemos considerar para a Amazônia. As nossas realidades dinâmicas urbanas e rurais são bem diferentes de outras regiões do País, o que reflete em nossos modos de “quarenterna-se””, explicou.

De acordo com Albuquerque, a ideia é que a série “Quarentenas Amazônicas” seja publicada quinzenalmente, sempre com a mesma linha editorial de trazer à luz as principais demandas dos grupos sociais marginalizados.

“Nesta edição trazemos um artigo escrito em francês, direcionado aos imigrantes haitianos, que são pessoas que mal temos ouvido falar nesse período pandêmico, assim como outros grupos que vivem à margem, como a população que vive em situação de rua, de manicômio, de asilamento, enfim, pessoas que passam fome e vivem sem perspectiva de emprego que compõem cerca de 68% da população amazonense”, explanou.

Festival de Parintins

Em um dos artigos, intitulado “A ressemantização do Festival Folclórico de Parintins pós-pandemia”, os professores Isaías dos Santos, Hugo Levy e Georgio Ítalo Ferreira, dedicam especial atenção aos impactos socioeconômicos causados pelo adiamento das festividades bovinas de 2020 em decorrência da pandemia da Covid-19.

A ausência do festival folclórico, realizado anualmente no último fim de semana de junho, apontam os autores, trouxe à tona a falta de infraestrutura de saúde básica em Parintins, bem como também os mesmos problemas sociais presentes em outros povoados do Baixo Amazonas. Ao longo do texto, os pesquisadores deixam um apelo para que a festa não seja mais a mesma após a pandemia.

“Aspiramos que os recursos gerados na cidade permaneçam na cidade, amenizando a nefasta concentração de renda hoje observada. Aspiramos ainda que o município deixe de ser “maquiado” e “vendido” como ilha encantada durante três dias e que se incluam ações sociais como obrigatórias o ano interno, de modo sustentável e ininterrupto”, escreve o pesquisador Gerson André Ferreira sobre o artigo no sumário comentado.

Dos 59 municípios do interior atingidos pelo novo coronavírus, Parintins, distante 369 quilômetros de Manaus, foi a segunda cidade do Amazonas a confirmar um caso de Covid-19, no dia 22 de março, exatos nove dias depois do primeiro caso notificado na capital amazonense, em 13 de março.

De acordo com o boletim mais recente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), a Ilha Tupinambarana registrava 925 casos confirmados e 48 mortes.

E-book

O segundo volume do e-book “Quarentenas Amazônicas” pode ser baixado gratuitamente na internet, (clicando aqui).

O primeiro volume também está disponível (clicando aqui).

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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