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TEATRO

Peça é resposta humorada a questões como 'cura gay', censura à arte e amores efêmeros

"Quarto Azul", do Grupo Jurubebas, apresenta o início do relacionamento homossexual entre um secretário de escritório e um artista independente 02/10/2017 às 20:02 - Atualizado em 03/10/2017 às 08:54
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(Foto: Divulgação)
Tiago Melo Manaus (AM)

Em tempos de emoções efêmeras, censura à arte e projetos de "cura gay", o Grupo Jurubebas de Teatro retoma as atividades, nesta sexta-feira (6), com a segunda temporada do seu espetáculo juvenil: "Quarto Azul".

Criado em janeiro deste ano, e apresentado em junho, o espetáculo apresenta o início do relacionamento homossexual entre um secretário de escritório e um artista independente, interpretado pelos atores André Angeli e Felipe Jatobá (que também assina a direção e o roteiro).

"Quando pensamos o espetáculo de início, ele teria um casal padrão heterossexual, contudo, o amor é válido para qualquer orientação sexual. Até que ponto a ideia de amor também não está normatizada? Sempre que pensamos em amor padrão, pensamos em um homem e uma mulher, mas amor e afeto também são válidos para os homossexuais", comentou Felipe Jatobá.

Espécie de resposta bem humorada, crítica e, ainda assim, romântica, às questões acima, a peça será apresentada sempre às 20h, em todas as sextas-feiras de outubro, na sede do Ateliê 23, localizada na Rua Tapajós, número 166, Centro. Os ingressos custam R$ 10 (meia-entrada) e podem ser adquiridos com antecedência na bilheteria do local.

"Voltamos agora, quatro meses depois da primeira temporada, em um período ainda mais conturbado e propício à discussão. Questões como a cura gay são posicionamentos políticos contra a minoria e o nosso espetáculo representa essas minorias, mas mais do que um posicionamento político do grupo, 'Quarto Azul' é um ato de amor no meio do caos", disse o diretor do espetáculo.

A ideia, segundo Felipe Jatobá, é trazer a plateia para dentro da intimidade do casal, que vive todas as situações comuns do início de um relacionamento, como o primeiro encontro, o primeiro beijo, a primeira discussão, a primeira relação sexual, entre outras. Inspirado numa história real, a peça interativa promove ainda sua própria visão do amor e deixa com que o público contribua para o desenvolvimento da narrativa.

Criação

Qual a forma de enxergar um relacionamento em tempos líquidos de emoções efêmeras? Felipe Maya Jatobá, autor, ator e diretor do espetáculo, conta que a análise feita por Zygmunt Bauman sobre as relações humanas acabou por nortear o processo criativo de “Quarto Azul”.

“A sociedade líquida que Bauman tanto esmiúça em seus livros é essa que mostra o quanto todas as coisas não são feitas pra durar, nem o amor romântico”, explica Felipe.

Significados

Perguntado sobre o motivo do nome da peça, o diretor responde que para as pessoas não existe ambiente mais íntimo que seu próprio quarto e que a cor azul, assim como a ideia que se tem hoje sobre o amor, esteve presente entre as pessoas mais nobres da antiguidade e a cada período vem se tornando uma cor simbólica e ainda a ser redescoberta.

“Em dezembro de 2016 cientistas descobriram uma nova tonalidade de azul, que passou a ser patenteada pela universidade de Oxford, nos EUA, e, como o amor líquido, logo estará disponível no mercado para consumo daqueles que mais precisam”, conclui o autor.

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