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'Queria reunir as coisas que falassem de tudo que nós vivemos', diz Milton Nascimento

“Bituca”, como é carinhosamente chamado por seu público, trará a turnê do show para Manaus em agosto, com apresentações no Teatro Amazonas nos dias 13 e 14, a partir das 20h 16/07/2018 às 14:14 - Atualizado em 16/07/2018 às 14:42
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Foto: Divulgação/Nathalia Pacheco
Laynna Feitoza Manaus (AM)

“A gente queria reunir as coisas que falassem de tudo que nós vivemos”, disse o cantor Milton Nascimento sobre seu novo show, “Semente da Terra”. E as vivências não foram poucas: algumas com o Clube da Esquina, movimento musical que revolucionou o Brasil nos anos 70, as saudades guardadas no lado esquerdo do peito e a militância em prol dos povos indígenas. “Bituca”, como é carinhosamente chamado por seu público, trará a turnê do show para Manaus em agosto, com apresentações no Teatro Amazonas nos dias 13 e 14, a partir das 20h. Os passeios que ele faz pelos arredores do maior templo artístico do Estado sempre que vem a Manaus terão um gosto diferente desta vez.

Como será o show que você vai fazer em Manaus? E a cenografia da apresentação?

Em cada cidade que a gente vai com esse show eu tenho dito que ele tem várias coisas reunidas. É como se a gente quisesse ter tudo o que há de mais importante nos dias de hoje. Nossa amizade, a união, a força dos Guarani-Kaiowá, que foi a inspiração pra esse projeto. Mas é claro que nós também vamos lembrar de “Travessia”, Clube da Esquina, “Nos Bailes da Vida”, “Canção do Sal”, “Caxangá”, além de várias outras coisas que a gente tem tocado por aí.

Quais músicas de sua carreira estarão presentes?

Esse é um show que passa por várias fases da minha vida. Desde as primeiras músicas, passando por “Caçador de Mim”, “Cio da Terra”, “Me deixa em Paz”, “Canção da América” até “Encontros e Despedidas”. A gente queria reunir as coisas que falassem de tudo que nós vivemos.

Você aparece, nas suas visitas a Manaus, andando tranquilamente pelas ruas do Centro. É uma coisa que você pratica ainda no seu cotidiano? Ou é algo que se torna um pouco mais difícil por conta da falta de segurança nas cidades?

A gente primeiro chega e dá uma olhada né? Se for tranquilo, aí não tem problema nenhum. Claro que não se consegue fazer tudo, mas na medida do possível vamos seguindo. Nossa última passagem em Manaus foi marcante, Daniel de Oliveira me levou, e logo na volta de uma viagem a Novo Airão eu pude rever o Teatro Amazonas, onde gravei o “Fitzcarraldo”, e foi uma emoção muito grande. Daí surgiu o desejo de voltar o mais rápido possível. E, pra nossa sorte, deu certo, graças ao convite do amigo Ruy Tone.

Você recebeu, de lideranças indígenas, o nome de Ava Nhey Pyru Yvy Renhoi (ou Semente da Terra). Como e por que essa homenagem aconteceu?

Tudo começou em Campo Grande (MS) em maio de 2010, quando fui batizado pelos índios Guarani-Kaiowá com o nome de Semente da Terra. Os anos se passaram, mas a situação por lá continua a mesma, então eu quis trazer esse assunto de volta. E resolvemos colocar o nome da turnê de Semente da Terra. É uma homenagem aos índios do Mato Grosso do Sul, mas também uma forma de atrair o interresse da opinião pública para dentro do cotidiano dos Guarani-Kaiowá. Este show os temas políticos e sociais que mais marcaram minha carreira. Acho importante dizer também que um dos objetivos da turnê “Semente da Terra” é conseguir um grupo de doadores/colaboradores para uma escola de música indígena no município de Caarapó, no Mato Grosso do Sul. Dentro do trabalho que a escola desenvolve existe um projeto chamado Orquestra Guarani, que reúne dezenas de jovens indígenas da região.

Como você enxerga a situação dos nossos indígenas atualmente, com pessoas injustas querendo lhes tirar o direito sobre as suas terras e culturas? O que você acha que precisa mudar nisso?

É uma reivindicação muito ampla. Então a gente precisa recorrer aos estudiosos sobre o tema, eles têm a resposta. Mas pra quem quiser saber mais sobre o assunto, aconselho o filme “Martírio” e o livro “Os Fuzis e as Flechas”, do Rubens Valente. É a melhor fonte para entender o que se passa com os índios brasileiros.

Quais são os seus projetos para o futuro? O que pode adiantar?

Nos próximos dias, depois do fim da Copa, a gente vai lançar o videoclipe da música “Maria Maria”, que foi uma produção que eu gostei muito. Em breve deve estar rodando por aí. E eu também acabei de gravar umas coisas com o Criolo, que eu considero demais mesmo em tudo, ele é um amigão, e é o seguinte, logo mais vem um monte de coisa nova por aí.

Serviço

o quê: Shows da turnê “Semente da Terra”, de Milton Nascimento

quando: Dias 13 e 14 de agosto, a partir das 20h

onde: Teatro Amazonas (Rua 10 de Julho, Centro)

infos e ingressos: www.aloingressos.com.br

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