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CINEMA

Radicado nos EUA, cineasta brasileiro roda primeiro filme em realidade virtual 3D

Previsto para 2017, "Nano Éden" é uma trama futurista que trata da preservação da consciência após a morte 20/11/2016 às 05:00 - Atualizado em 21/11/2016 às 09:24
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Daniel Bydlowski é doutorando em cinema e novas tecnologias (Divulgação)
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Radicado nos Estados Unidos há quase dez anos, o cineasta Daniel Bydlowski se dedica a um projeto que promete fazer história: há algumas semanas, ele iniciou as gravações de “Nano Éden”, o primeiro longa-metragem inteiramente rodado em realidade virtual e em 3D, junção tecnológica que permitirá um campo de visão ilimitado ao espectador, além do acesso à experiência a partir da tela do smartphone. 

Com roteiro também assinado por Daniel, a trama futurista gira em torno do casal Harriet e Peter, que busca uma alternativa para a preservação de suas consciências após a morte. O insight para o filme surgiu durante uma visita que Daniel fez a um evento do Directors Guild of America, onde diversos aparelhos de realidade virtual estavam em exposição. 

“Sempre pensei em fazer filmes que não se restringissem ao retângulo tradicional do cinema. Cheguei a fazer experimentos com mais de uma tela, para tentar dar ao expectador mais liberdade de movimento, mas a realidade virtual possibilitou uma extensão destes meus filmes anteriores”, conta. 

Segundo ele, “Nano Éden” já nasceu para o formato de realidade virtual 3D. “A decisão de fazê-lo em terceira dimensão foi porque, diferentemente do cinema 3D, em que às vezes essa tecnologia até atrapalha, o 3D em realidade virtual realmente melhora o nível da produção”.

A linguagem

Com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2017, “Nano Éden” está sendo realizado em parceria com a Synaptic VFX, que assinou os efeitos especiais de filmes como “Homem de Ferro”, “Hancock” e “Alice no País das Maravilhas”. No elenco, estarão os atores Scott Allen Rinker (“Star Trek Enterprise”) e Jerôme Charvet (“Love is in the air”).

Doutorando em cinema e novas tecnologias pela University of California, Daniel Bydlowski aproveita o projeto como ponto de partida para uma série de reflexões sobre a linguagem cinematográfica. Uma das frases mais ouvidas por quem tem se dedicado à realidade virtual, por exemplo, é que ainda se está buscando a narrativa própria dessa ferramenta.

“Se pensarmos nesta nova mídia apenas como uma evolução do cinema, será difícil achar algo realmente novo. A linguagem do cinema, e de qualquer narrativa, depende daquilo que não podemos ver. É somente assim que ficamos interessados em saber mais e podemos assistir a um filme de duas horas sem ficarmos entediados”, opina.

No caso da realidade virtual, o espectador é transportado para um lugar onde é possível ter uma visão em 360º. Impor certo mistério sob essas condições acaba virando um desafio. 
“Em ‘Nano Éden’, não limitarei o campo de visão do espectador. Ao invés disso, criarei histórias paralelas que se interconectam e que acontecem ao mesmo tempo, deixando o espectador realmente livre para escolher a parte da narrativa em que deseja manter sua atenção, usando todo o potencial da tecnologia de realidade virtual atual”, completa Bydlowski.

Blog

Daniel Bydlowski

“A Internet  e o fato de podermos assistir a filmes no celular está tristemente machucando o hábito de ir ao cinema.  Se o telefone ou o computador não possibilitam a completa imersão em um filme devido ao seu pequeno tamanho, a realidade virtual aumenta essa imersão e possibilita ao mesmo tempo a conectividade à Internet, aspecto muito desejado pelo espectador atual. O caráter versátil de um computador e o fato de que a realidade virtual proporciona essa maior imersão, fará tal mídia crescer muito em popularidade, especialmente quando os aparelhos de realidade virtual ficarem menores e mais leves”.

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