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Rainha do carimbó, Dona Onete abre o jogo sobre sua trajetória na música paraense

Cantora se apresenta pela primeira vez em Manaus na noite deste sábado (30), no Podium da Arena da Amazônia 30/06/2018 às 13:33 - Atualizado em 30/06/2018 às 14:05
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Fotos: Reprodução
Juan Gabriel Manaus (AM)

Durante anos, a rotina da então professora Ionete da Silveira Gama era a mesma. Entre livros e apagadores, era a responsável por lecionar aulas de história para alunos entre o 5º e 8º ano do ensino fundamental. 

O carisma frente os estudantes era o reflexo de uma veia artística responsável por uma voz que insistia em cantar como forma de espantar a rigidez típica das salas de aula. Após largar o ensino, tornou-se Secretária de Cultura da cidade de Igapé-Mirim, no Pará, e quando resolveu se aposentar em busca de tranquilidade aos 68 anos, viu a sua vida mudar de vez.

A professora Ionete deu lugar a Dona Onete, uma das principais percussoras do carimbó, gênero musical típico do Pará, estado que abriga a pequena cidade de Cachoeira do Arari. O município foi palco de uma investida, ainda que tardia, muito bem-sucedida na carreira musical.

 Após levar o ritmo amazônico do “meio do pitiú” para a Europa, ela voltou à região e pela primeira vez  veio a Manaus, onde se apresentou na festa “Pará Zoeira”, neste sábado (30), no Podium da Arena da Amazônia.

“Estamos preparando um show todo especial, com músicas inéditas. Sempre tive muita vontade de ir a Manaus e estou muito feliz com essa primeira vez. Com nosso primeiro encontro”, revelou a cantora dias antes da apresentação que ainda contou com os shows de Banda da Loirinha, Banda 007, Edilson e Edielson e Fofinho do Arrocha. 

Além de novidades, o público pôde dançar ao som de clássicos de Dona Onete como “No Meio do Pitiú”, “Jamburana” e “Boto Namorador”. As canções e o jeitinho único de Dona Onete ao entoá-las, fizeram com que a cantora ganhasse a alcunha de “Rainha do carimbó chamegado”, uma referência ao subgênero criado por ela. Mas afinal, o que é esse tal carimbo chamegado?

“(risos) O Carimbó Chamegado ele nada mais é que um jeitinho gostoso de dançar seja juntinho ou sozinho. Uma entrega com a música. Não sei te falar exatamente como aconteceu... Eu fazia um jeitinho com os ombros e dizia que era o meu chamego pros fãs”, explica sorridente.

Carreira internacional

A apresentação deste sábado foi também uma breve despedida do público brasileiro. Em julho, Dona Onete embarca para Europa em uma turnê que passará por quatro países, dentre eles a Dinamarca, onde se apresenta no Roskilde Festival, ao lado de nomes como Bruno Mars, Eminem e Gorillaz. Para a cantora, o sentimento de felicidade em poder levar o som do Pará para outros lugares do mundo consegue quebrar qualquer dificuldade em lidar com públicos tão diferentes.

“Olha, acredito que as coisas aconteçam como tem que ser. Acredito muito nisso! Acho que era o momento de o mundo ver o que o meu Pará tinha de tão bonito. O público estrangeiro é aquele que presta atenção. Principalmente pela língua ser diferente. Eles ficam atentos a tudo e alguns arriscam a dançar. Mas sempre vibram muito e aplaudem a cada música”, explica.

Novos projetos

A estreia na capital amazonense vem um período de transição musical. Com dois discos já lançados em sua trajetória, Dona Onete sentiu que o momento era de ilustrar os sucessos e a síntese dessas canções deu origem ao DVD “Flor de Lua”, o primeiro da carreira da paraense, que teve seu lançamento no último dia 12, durante a 10ª edição Festival de Cinema In-Edit, realizado em São Paulo. A previsão é de que o lançamento também aconteça nas cidades de Belém e Salvador. Já para o segundo semestre do ano, os planos são de entrar em estúdio para gravar o sucessor do disco Banzeiro (2016).

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