Domingo, 25 de Agosto de 2019
Vida

Raízes do samba vira documentário apresentado no Festival de Cinema do Rio 2014

Exibido no Festival de Cinema do Rio, “O Samba”, do diretor francês Georges Gachot, retrata gênero musical tendo o músico Martinho da Vila como “guia”



1.jpg Martinho da Vila é o guia do documentário “O Samba”
01/10/2014 às 17:01

A capital carioca é,  literal e metaforicamente falando, uma cidade de cinema. E durante três semanas (de 24 e setembro a 8 de outubro), torna-se ainda mais imersa no universo da sétima arte a partir da programação do Festival do Rio 2014, que acontece em diversos pontos da cidade, com a exibição de 350 filmes, debates, workshops e o envolvimento de muita gente do meio.

Na noite da última terça, 30, o destaque foi a estreia de “O Samba”, documentário do diretor francês Georges Gachot e que contou com a presença do mesmo, de Martinho da Vila, Mart’nália, Beth Carvalho e convidados.

“O Samba”, de 82 minutos, se propõe a buscar as raízes do gênero musical a partir da perspectiva de quem o faz, sendo Martinho da Vila o grande guia do documentário. O cantor conta histórias de sua escola do coração, a Vila Isabel, dá detalhes das inspirações de diversos sambas que compôs (tanto para a escola, como para a carreira em geral), numa narrativa pessoal e despretensiosa. Leva inclusive o espectador para conhecer o seu sítio, onde até as pitombeiras, cuidadas com tanto carinho, também ganham espaço em suas músicas.

Georges Gachot conheceu Martinho por meio do CD “Martinho Canta Noel” (uma homenagem a Noel Rosa), que ganhou de uma amiga. Até então sem intimidade com a cultura brasileira, o cineasta imaginou que fossem músicas relacionadas ao Natal, mas ao ouvir o disco, se surpreendeu.

“Foi uma descoberta do que o samba poderia ser. Tem poesia, melodia, arranjos incríveis”. Depois veio a conhecer Mart’nália – a filha do cantor – durante a participação dela em outro documentário de Gachot sobre Nana Caymmi. Pediu para ser apresentado ao pai dela e ali em 2010 iniciaram uma amizade, que levou à ideia de “O Samba”. “O Martinho o talvez seja o último sambista clássico, super romântico. Para mim algumas canções de samba podem ser monótonas, mas a diversidade de Martinho traz um lado do samba que eu acredito que interesse a todo o mundo, não apenas a quem é brasileiro”, conta Gachot, fazendo questão de frisar que a simpatia do cantor brasileiro também foi fundamental.

Personificação

A extensa participação de Martinho em detrimento de outros personagens (Ney Matogrosso aparece rapidamente, bem como Mart’nália e Leci Brandão) poderia parecer forçada, no entanto, o carisma do cantor e o seu envolvimento emocional com a Vila Isabel são tão grandes que suplantam um possível cansaço. Martinho entende de samba, da história, das raízes. E é um expoente do ritmo em todo o Brasil. Vai além: é como se ele fosse a personificação do próprio samba.

“Não quis fazer uma história completa do samba.  Eu também poderia ter escolhido outra pessoa não muito famosa pra falar da importância do samba. Mas o Martinho sabe e sente muita coisa”, afirma Gachot.

Ademais, mesmo sendo gringo, Gachot não deixou se deslumbrar pelo brilho glamouroso do Carnaval – atrizes como rainhas de bateria, camarotes cheios de famosos e toda a ostentação da festa. Do contrário, há espaço de sobra para imagens de bastidores de passistas comuns, a paixão do mestre de bateria e até pessoas do morro caindo no samba.

“Eu não queria mostrar o carnaval como a coisa mais importante do samba. Nunca estive e não quero entrar num camarote VIP, por exemplo. Para mim, o mais importante no filme era mostrar as pessoas que fazem”. Porque para Gachot, o samba é uma expressão social. “Esse ritmo é uma arte que salva as pessoas, pessoas que têm problemas. Ninguém sabe disso fora do Brasil. O samba é um grito social”, encerra.

*A jornalista viajou a convite do Oi Futuro.

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