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Repelentes e outras opções para se proteger dos mosquitos

Repelentes, inseticidas e outros produtos integram arsenal contra praga urbana e suas doenças; especialista orienta sobre uso 05/02/2016 às 17:59
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Repelentes de uso tópico são seguros quando se seguem orientações, informa Valeska Francesconi
Jony Clay Borges Manaus (AM)

O surto de casos de microcefalia associado à febre zika colocou o mosquito da dengue, também responsável pela transmissão do vírus zika, de volta ao posto de inimigo número 1 da saúde pública, e deixou o resto do mundo em alerta. O arsenal de proteção contra o inseto e suas doenças inclui repelentes industriais, porém o uso destes produtos exige cuidado e atenção às recomendações, em especial no caso de gestantes e crianças.

Uma das substâncias repelentes há mais tempo em uso no Brasil é o DEET, usado em produtos de marcas como OFF, Repelex e Autan, onde aparece em concentrações médias de 10% a 30%. Outras também aprovadas pela Anvisa são a icaridina, usada pela marca Exposis em concentrações de até 25%, e o IR3535, disponível em produtos Johnson’s e Huggies. Os repelentes são disponíveis em spray, aerossol e loções.

Aplicação
A duração da proteção e o número de aplicações diárias recomendadas varia para cada produto, e o uso deve ser conforme a necessidade e a situação. O DEET, por exemplo, tem duração do efeito de 2 a 5 horas em geral, e pode ser aplicado até três vezes ao dia. Gestantes e crianças também podem usar o produto, desde que seguindo as recomendações.

“Em crianças, deve-se escolher produtos com menores concentrações e fazendo até duas aplicações diárias”, orienta a dermatologista Valeska Francesconi, acrescentando que nenhum tipo de repelente deve ser usado em bebês antes dos 2 meses de idade, preferencialmente a partir de 6 meses. Segundo ela, o DEET e a icaridina são as substâncias mais indicadas em qualquer caso. “(O IR3535) apresenta poucos estudos científicos sobre sua eficácia”, comenta.

Qualquer que seja o tipo de repelente, as recomendações de aplicação são as mesmas: passar o produto apenas sobre as roupas e a pele exposta, em quantidade suficiente para cobrir a superfície desejada. No caso do rosto, deve-se evitar a aplicação direta, passando o produto primeiro nas mãos e depois na face. Não se deve aplicar nos olhos, boca ou genitais, nem em feridas ou lesões expostas da pele.

Há ainda repelentes naturais como a citronela, que no entanto só faz efeito quando aplicada no indivíduo. “Tem eficácia inferior a DEET e icaridina e com menor duração, sendo necessárias mais aplicações diárias”, explica Valeska. Outras substâncias, aponta a médica, “não são recomendadas”. “Não existe nenhuma fórmula caseira recomendada como repelente”, diz.

No ambiente
Além daqueles para uso individual, há ainda repelentes para uso nos ambientes da casa ou local de trabalho. Com substâncias inseticidas em líquido ou pastilhas, usadas em dispositivos elétricos, o uso destes produtos devem também seguir a recomendação da embalagem. “Devem ser colocados próximo de portas e janelas. Evitar o uso em locais fechados pelo risco de toxicidade”, orienta Valeska.

Também é possível encontrar no mercado chamados repelentes eletrônicos, que afastariam os insetos pela emissão de sons de alta frequência, mas sua eficácia é discutível, segundo Valeska. “Não existem evidências de que são aparelhos eficazes como repelentes”.

Outra opção contra o Aedes aegypti e seus semelhantes são os inseticidas, que contêm substâncias letais para mosquitos. O produto, porém, deve ser aplicado em espaços e superfícies, e o contato com pessoas e animais devem ser evitados, seguindo-se as prescrições do rótulo.

Cuidado redobrado
Embora recomendados no combate ao mosquito da dengue, repelentes e inseticidas não eliminam completamente o risco de picadas. “Em regiões de alto risco para aquisição de doenças transmitidas por insetos, pode ser necessário tanto o uso de repelentes assim como o cuidado das vestimentas e do próprio ambiente”, informa a dermatologista.

Medidas adicionais para proteção contra o mosquito podem incluir a instalação de telas nas janelas e de mosquiteiros sobre berços e camas, além do uso de roupas com mangas e pernas compridas, meias e toucas. E, nunca é demais lembrar, tomar cuidados para eliminar possíveis criadouros em casa e no quintal.

Produtos e medidas para se proteger contra o Aedes

Repelentes de uso tópico: usados para prevenção de picadas de insetos que se alimentam do sangue humano, eles criam um odor desagradável para o mosquito ou o impedem de reconhecer a presa

Repelentes ambientais: usados para afastar os mosquitos do ambiente, não devem ser usados em locais com pouca ventilação nem ficar muito próximo das pessoas

Inseticidas: em sprays e aerossóis, possuem substâncias ativas que matam os mosquitos; em geral deve-se evitar o local durante e logo após a aplicação

Larvicidas: podem ser usados para prevenir a proliferação em áreas de acúmulo de água e de difícil controle da casa, como jardins

Telas e mosquiteiros: restringem o acesso dos mosquitos ao local. Alguns produtos têm eficácia aumentada pela impregnação dos fios com inseticidas e repelentes como a permetrina

Saiba mais 

Zika
O vírus zika foi descoberto na África em 1947 e é comum naquele continente e na Ásia. No ano passado chegou ao Ocidente, com o surto ocorrido no Brasil

Bebês
O vírus é associado à microcefalia, doença que atinge bebês em gestação e resulta em crianças com cabeça pequena e/ou cérebro malformado

Contágio
Ocorre principalmente por meio de mosquitos do gênero Aedes. Esta semana, porém, um potencial caso de transmissão sexual foi registrado no Texas, nos EUA

Alerta
A Organização Mundial de Saúde declarou Emergência de Saúde Pública de importância internacional por conta do problema.

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