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Reprodução assistida após os 50 anos ainda é uma opção viável para mulheres

O Dr. Pedro Monteleone, da Clínica de Reprodução Humana Monteleone, de São Paulo, aponta que pacientes cinquentenárias ainda são raras mesmo depois da nova resolução do Conselho de Medicina 02/01/2016 às 16:21
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O consenso entre os especialistas sobre a idade ideal para engravidar, porém, continua sendo entre 20 e 35 anos, já que depois disso a chamada janela de fertilidade diminui e o risco de complicações aumenta
rosiel mendonça Manaus (AM)

Recentemente, o Conselho Federal de Medicina liberou os tratamentos de reprodução assistida para mulheres com mais de 50 anos, desde que elas assumam os riscos da gravidez tardia juntamente com seus médicos. O consenso entre os especialistas sobre a idade ideal para engravidar, porém, continua sendo entre 20 e 35 anos, já que depois disso a chamada janela de fertilidade diminui e o risco de complicações aumenta.

O Dr. Arthur Lemos (CRM 1231), diretor técnico da clínica Fêmina, localizada no Aleixo, chama a atenção para o fato de que as mulheres estão postergando cada vez mais a gravidez, seja por motivos profissionais ou econômicos. “Têm aparecido na clínica muitas pacientes com idade entre 47 e 48 anos, então o conselho reavaliou que a gravidez tardia é uma realidade”, afirma.

“Antes, a reprodução assistida só podia ser feita até os 50 anos. Com a mudança, a mulher é quem vai decidir pelo tratamento junto com o médico, que deve avaliar diversos aspectos para não comprometer a integridade da mãe e do feto”, completa ele, que atua com fertilização “in vitro” em Manaus desde 2009.

“A estimativa mundial é que 20% dos casais tenham dificuldade para engravidar, então a reprodução assistida só tende a crescer. Mas é preciso que as mulheres não procurem o tratamento muito tardiamente. Se o casal estiver tentando há um ano sem sucesso, já é preciso procurar orientação de um especialista”.

Gravidez de risco

O Dr. Pedro Monteleone, da Clínica de Reprodução Humana Monteleone, de São Paulo, aponta que pacientes cinquentenárias ainda são raras mesmo depois da nova resolução do Conselho de Medicina, publicada em setembro de 2015. “Não é um público muito frequente, e geralmente elas optam pelo útero de substituição com a filha”.

Há também os casos em que é indicada a fertilização com óvulo de doadora, porque a partir dos 42 anos a qualidade do óvulo da mulher diminui - nesse caso, tanto quem doa quanto quem recebe têm direito ao anonimato. “Ela precisa ter boas condições de saúde, porque uma gravidez tardia acaba exigindo muito do organismo. Ela tem que estar apta tanto no aspecto músculo-esquelético quanto no cardiovascular”, completa Monteleone.

Também de acordo com o médico, a reprodução assistida nessa faixa de idade exige um acompanhamento de pré-natal mais intenso, já que aumentam os riscos de pressão alta, diabetes e parto prematuro.

Principais métodos

Fertilização “in vitro” (bebê de proveta): É um tratamento indicado quando a idade da mulher está avançada ou nenhuma das trompas está saudável, ou para homens com poucos espermatozoides ou até vasectomizados.

Inseminação artificial: Indicada quando o homem tem menos de 20 milhões de espermatozoides. O sêmen é preparado no laboratório e a mulher realiza uma monitoração da ovulação para saber se está no período fértil. Então o sêmen do marido é injetado na mulher com um tubo.

Região Norte tem poucas clínicas

Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) referentes ao período de 2011 a 2014 apontam que o número de fertilizações in vitro (FIV) realizadas no Brasil cresceu 106%. Os casais da região Norte que buscam a reprodução assistida, no entanto, encontram poucas opções de clínicas para realizar o tratamento.

Segundo a Associação Brasileira de Reprodução Humana, dos sete estados que compõem a região Norte, apenas três contam com clínicas particulares registradas: Amazonas, com duas, Pará, com três clínicas, e Tocantins, com um local.

Por conta disso, muitos casais acabam procurando alternativas em outros estados, em especial em São Paulo, que é referência em medicina. Uma dessas clínicas é a do Dr. Pedro Monteleone, que costuma receber pacientes de outras localidades.

“Nosso corpo clínico é multidisciplinar, englobando todas as áreas da medicina reprodutiva. Além disso, dispomos de toda tecnologia que envolve o tratamento dentro da própria clinica”, afirma ele.

Em Manaus, as duas opções são as clínicas La Vitta e a Fêmina. O Dr. Arthur Lemos, responsável por esta última, credita ao alto investimento em tecnologia e recursos humanos um dos motivos para o baixo número de centros de reprodução humana no Estado.

“O pessoal técnico precisa ser especializado e o investimento total, incluindo com tecnologia, gira em torno de R$ 1 milhão. Mas hoje estamos equiparados tecnologicamente com o Sul e Sudeste, não é mais preciso sair daqui para fazer o tratamento”, afirma.

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