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Resenha: Björk entrega um diário de 'sofrência' em seu novo disco

Vulnicura é uma obra extremamente doída, em que a cantora e compositora islandesa disseca sua separação do artista estadunidense Matthew Barney 26/01/2015 às 18:25
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Na capa, fotografada por Inez and Vinoodh, o figurino de Björk remete a feridas
Lucas Jardim Manaus (AM)

Imagens de dor e sofrimento. Corações partidos. Necessidades emocionais não atingidas. Caso ainda não tenha ficado claro, Vulnicura (“a cura das feridas” em latim), novo disco de Björk, é uma obra extremamente doída, em que a cantora islandesa disseca sua separação do artista estadunidense Matthew Barney. Num exercício que beira o masoquismo, o disco foi escrito e seqüenciado de forma a lembrar um diário do seu término de relacionamento, com Björk nos informando no encarte do álbum, por exemplo, que a primeira música foi escrita nove meses antes de ele acontecer e a sexta, onze meses depois.

Em termos musicais, Vulnicura se mostra bastante conectado com discos anteriores da islandesa. Particularmente, várias das canções misturam as composições para quarteto de cordas que povoaram o Homogenic (1997) com as microbatidas eletrônicas que proveram a atmosfera gélida do Vespertine (2001). De certa forma, essa conexão é incômoda para uma artista conhecida pela inovação, principalmente considerando o fato de que seu novo material conta largamente com a co-produção do artista venezuelano Arca, um dos nomes mais quentes da eletrônica experimental atual.

No entanto, o impacto das letras oblitera todo o resto. Impossível não sentir a dor da compositora diante de músicas como “Lionsong”, em que ela canta, tentando aparentar indiferença: “Talvez ele saia dessa situação/Talvez ele não saia/De qualquer maneira, não estou incomodada”. Duas músicas depois, na épica “Black Lake”, ela se entrega: “Eu sou uma ferida/Meu corpo pulsante/Um ser que sofre”.

Para além de seu lançamento apressado, com Vulnicura, Björk entrega seu disco mais pessoal e carregado na “sofrência”, em contraste total à escrita universal de Biophilia (2011). Despida de personagens, ela opta se basear em sons que já dominou em empreitadas anteriores para esticar seus músculos como letrista e dar aos fãs mundo afora uma visão imperdoavelmente dura de um trauma e a busca incessante por reparação.

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