Publicidade
Entretenimento
Vida

Resenha: Jurassic World e suas licenças jurássicas

--- 10/06/2015 às 21:27
Show 1
Ambientado 22 anos depois dos acontecimentos do original, "Jurassic World" terá um novo "vilão", um imponente e feroz indominus rex, fruto da união genética entre um tiranossauro rex e um velociraptor
Luiz Gulherme Melo Manaus (AM)

O primeiro “Jurassic Park”, de 1993, causou grande impacto na percepção pública sobre a paleontologia. Os lagartos gigantes e lentos dos filmes de antigamente deram lugar a animais velozes, inteligentes, que viviam e caçavam em bandos. Resumindo, o longa atualizou a opinião pública para o que a ciência conhecia de mais moderno na época. Por conta disso, havia toda uma expectativa em torno do lançamento de "Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros" (2015), o quarto da série, dirigido por Colin Trevorrow, com Steven Spielberg na produção executiva, cuja estreia está marcada para esta quinta-feira (11).


Ambientado 22 anos depois dos acontecimentos do original, "Jurassic World" terá um novo "vilão", um imponente e feroz indominus rex, fruto da união genética entre um tiranossauro rex e um velociraptor - o que nos leva a concluir que os cientistas do parque não aprenderam com os erros do passado e continuaram a "brincar de Deus".

Contudo, com a divulgação do primeiro trailer, ficou claro que os produtores decidiram ignorar 20 anos de avanços científicos - para frustração dos paleontólogos. Os efeitos especiais ainda são de encher os olhos (a ação também), mas a descrição dos animais continua a mesma do longa-metragem de 1993, como se o conhecimento científico de hoje fosse o mesmo da época do primeiro filme.

Velociraptor em "Jurassic Park 3", de 2001: ainda com aparência de lagarto, mas com peninhas na cabeça. Um flerte com os avanços da paleontologia (Imagem: Yankeetrex)

Tudo porque, nas últimas décadas, novas descobertas de fósseis, o uso da computação para reconstruir e analisar os animais, assim como os avanços na genética, nos mostram que os dinossauros eram bem diferentes da imagem enraizada na cultura popular. Ou seja, os dinos, segundo a paleontologia moderna, estão mais próximos das aves do que dos lagartos.

Mesmo assim, entre os "dinossauros tradicionais" e a presença de novas descobertas científicas no novo filme da franquia, os produtores optaram por não causar um estranhamento no grande público nem uma possível rejeição se apresentassem "dinos penudos". A justificativa: "Jurassic World" é uma obra de ficção e, por isso, não tem a obrigação de criar animais cientificamente precisos.

Opinião endossada pelo paleontólogo norte-americano Jack Horner, consultor de todos os filmes "jurássicos", que, em entrevista à revista Galileu, disse que havia a necessidade de seguir a premissa da primeira obra. "Não podíamos mudar o design dos dinossauros só porque a ciência melhorou", disse, acrescentando que é impossível um filme de ficção não ter erros.


Porém, para os especialistas, não deixa de ser uma pena (sem trocadilho), levando em consideração o impacto que o primeiro filme causou na percepção do público sobre a paleontologia, a pré-história e até sobre a engenharia genética, já que "Jurassic Park" foi uma das poucas obras destinadas ao entretenimento a suscitar, na época do lançamento, um animado debate na imprensa e entre os cientistas sobre se era mesmo possível trazer os dinossauros de volta à vida. Sem contar que o filme despertou em crianças e adolescentes do início da década de 1990 o interesse pela paleontologia e que algumas delas estão hoje caçando fósseis por aí.

Esse embate entre ciência e ficção lembra uma icônica cena do primeiro filme em que Alan Grant, vivido por Sam Neil, discorre sobre a possibilidade dos dinossauros serem mais próximos das aves que dos répteis até que um garoto interrompe sua preleção com um comentário oportuno: "isso não mete muito medo! Parece um peru de dois metros!", diz, para irritação do paleontólogo ranzinza.

Não tem como não enxergar nesse garoto os produtores e boa parte dos fãs que preferem ver nas telonas os velhos e queridos dinossauros reptilianos, e deixar os "dinos penudos" para os documentários científicos. Em nome da ficção, do entretenimento e da pipoca. Assim seja.

Publicidade
Publicidade