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Resenha: Os escoceses hipsters do Belle and Sebastian saem para balada em novo disco

O sexteto resolveu povoar seu mais novo lançamento, Girls in Peacetime Want to Dance, com as batidas dançantes e muito groove 26/01/2015 às 19:01
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Direto dos cinemas cult e bibliotecas para as pistas de dança, o Belle and Sebastian agora brinca com o synthpop
Lucas Jardim Manaus (AM)

Certas coisas não mudam. Tamanho 2015 e fãs continuam chiando quando sua banda de rock preferida adota uma sonoridade eletrônica. Se flertar com dance music, pior ainda. Aconteceu com o Blondie, aconteceu com o Radiohead, e provavelmente só não aconteceu com o Joy Division porque eles foram sábios o suficiente para mudar o nome para New Order quando resolveram se entregar aos sintetizadores.

Os próximos da lista são os escoceses do Belle and Sebastian, que acharam uma boa idéia povoar seu mais novo lançamento, Girls in Peacetime Want to Dance, com as batidas mais dançantes a sair da terra do Highlander em muito tempo (tá, tá, desde o último álbum do Franz Ferdinand, lançado em 2013). 

A banda hipster por excelência, o Belle and Sebastian conseguiu status cult ao tocar um indie pop de responsa que, com sua veia decididamente literária e autodepreciativa, conseguiu comparações até com o The Smiths.

Os três álbuns irregulares que eles lançaram depois do disco que lhes deu fama, If You’re Feeling Sinister (1996), encheu Stuart Murdoch, líder da banda, de vontade de aproximar o som insular do Belle and Sebastian da esfera radiofônica, o que eles começaram a fazer a partir do fantástico Dear Catastrophe Waitress (2003). Produzido pelo britânico Trevor Horn, cujo nome é sinônimo de música oitentista no Reino Unido, Dear deu ao grupo vários de seus maiores hits, como “Step into My Office, Baby” e “I’m a Cuckoo”.

Essa vontade de ser descaradamente pop permanece em Girls in Peacetime, de maneira que ele representa mais um ponto na estrada percorrida pela banda desde Dear, mas ele toma uma curva muito mais ousada na instrumentação, se compararmos com os últimos discos do grupo: teclados vibrantes no centro das melodias, batidas que não escondem a herança disco, e o baixo mais sujo vindo dos escoceses desde que eles viveram o sonho de ser uma banda de glam rock no The Life Pursuit (2006).

Depois de abrir com “Nobody’s Empire” e “Allie”, duas faixas que remetem a trabalhos anteriores dos músicos, os membros do Belle and Sebastian realmente entregam que a) eles estão de cara nova, e b) eles querem muito fazer você dançar, em “The Party Line”. Ainda mais radical é “Enter Slyvia Plath” onde eles realizam o ideal Smithiano de dançar ao som de sua própria tristeza. A faixa, de quase sete minutos, une uma homenagem a uma das poetisas mais depressivas do século XX a uma melodia totalmente italo disco que se sentiria muito em casa no eufórico Very, disco do Pet Shop Boys lançado em 1993.

Em meio a essa explosão de faixas reminiscentes dos bolachões que povoavam as discotecas dos anos 80, os escoceses ainda encontram espaço para dar tiros para outros lados: “The Everlasting Muse” parece a versão irônica de uma música do Beirut e “Play for Today” é um dueto de Murdoch com Dee Dee Penny, vocalista do grupo de rock americano Dum Dum Girls, que abusa da vibe tropical.

É claro que alguns fãs vão chamar a banda de traidora e dizer que ela perdeu a essência, mas você não deve ligar para eles: Girls in Peacetime mostra uma banda que está entrando na terceira década de carreira sem medo de tentar coisas novas e arriscando novas abordagens sem perder o charme que a tornou famosa. Certas coisas não mudam mesmo.

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