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Resenha: Paulo Gustavo retorna a Manaus com o espetáculo 'Minha Mãe É Uma Peça'

O ator já visitou a cidade com a peça "Hiperativo' e agora retorna com o espetáculo que lhe tornou um dos nomes mais quentes da comédia nacional 16/05/2015 às 09:18
Show 1
Paulo Gustavo interpreta Dona Hermínia, uma dona de casa que tenta se ocupar na ausência dos filhos
Lucas Jardim Manaus (AM)

Em breve passagem pela capital amazonense, o comediante Paulo Gustavo arrebatou um público caloroso e verdadeiramente fanático ao se apresentar em Manaus nesta quinta-feira (14) com seu espetáculo “Minha Mãe É uma Peça”. O “star power” de Gustavo ficou mais do que comprovado pelas filas imensas que marcaram a entrada de suas duas apresentações, bem como a disputa por lugares centrais de um local um tanto inusitado para uma peça de teatro.

Ao interagir com o público após as sessões, ele também se mostrou interativo, aceitando (e comentando) os vários presentes dados pela plateia (teve brinco, carta de amor e até um chiclete), sendo ao mesmo tempo grato e irreverente quando o assunto era sua popularidade na cidade, enfim, um showman à altura de sua atual fama no País.

E foi justamente nesses momentos fora do personagem que Gustavo trouxe frescor aos shows que fez durante a noite. Que o show tem suas qualidades, todo mundo sabe, mas ele deixa um gostinho de quero mais, caso a pessoa seja familiarizada com o filme sucesso de bilheteria que foi baseado na peça.

E o público parecia, de fato, bem à vontade com o trabalho de Gustavo: numa das interações pós-show, a plateia da segunda sessão respondeu em peso ao artista que já tinha visto o espetáculo antes, dando uma sensação de pregação para convertidos. Além disso, o show foi um evento fechado reservado àqueles que fizeram compras maiores ou equivalentes a R$ 500 no Amazonas Shopping no período pré-Dia das Mães, valor que reforça a ideia de que a maioria dos presentes era bastante fã do artista.

Quem já viu tanto a peça quanto o filme sabe que o comediante tem um domínio incrível sobre a personagem que criou (até por beber de fontes muito pessoais ao compô-la) e, muitas vezes, consegue fazer rir tão-somente com seu padrão de fala, uma voz ultra aguda com a agilidade que mataria vários rappers de inveja.

No entanto, foram poucas as chances em que o show usou do seu formato ao vivo para apresentar algo novo (uma das grandes vantagens do teatro sobre o cinema), o que foi um desperdício considerando quão receptiva estava a plateia.

O fato é que a adaptação de “Minha Mãe É uma Peça” para o cinema foi tão fiel que assistir a peça hoje, depois do filme, tem pouco de novidade, de maneira que, quem chegou virgem com relação ao que se tratava o espetáculo teve a chance de se divertir a valer. Para quem já era familiarizado, o charme era estar perto do artista mesmo. Nada disso é culpa do comediante, muito pelo contrário. Talento ele tem de sobra para as próximas empreitadas. O público aguarda ansiosamente.

Homenagem e sátira

A peça é toda construída em um monólogo, proferido por Dona Hermínia, a personagem-título. Livremente inspirada na mãe do comediante, ela acaba sendo uma homenagem e uma sátira dos comportamentos maternos, com um humor bastante calcado no cotidiano e que brinca com estereótipos comuns. Filhos rebeldes, parentes distantes e chatos, gastos da vida diária, o ex-marido (e a respectiva nova mulher) e os vizinhos viram alvos da língua ferina de Hermínia, que não poupa as pessoas que mais ama: em determinado momento da peça, ela acusa a filha de estar tão gorda que, um dia, “ela veio com uma capa de chuva amarela, quase que eu chamo achando que era um táxi”.

O que o filme acabou melhorando em relação ao espetáculo foi a introdução de atores para interpretar personagens que, na peça, só conhecemos por nome e menção, dada a natureza de “one man show” da peça. Personagens que vibram na telona, como o Juliano de Rodrigo Pandolfo ou a Soraia de Ingrid Guimarães, não causam o mesmo efeito ao vivo.

Em compensação, a peça tem um charme atemporal ausente no filme, que parece bastante focado nos dias de hoje. Em um único cenário (que faz às vezes de outros, com variações na iluminação e na música), o espetáculo tem uma aura vinda diretamente dos programas antigos da apresentadora estadunidense Lucille Ball.

Se o tempo parece em aberto durante a peça, o cenário da Região Metropolitana do Rio de Janeiro está mais do que claro no decorrer dela, o que não se mostrou problemático para a plateia manauara, que tem um longevo histórico de adoração pela Cidade Maravilhosa e que se deixou cativar pelas maluquices de Gustavo do início ao fim do espetáculo, que durou uma hora.

Saiba +

O espetáculo

O monólogo estreou em 2007 e deu fama nacional a Paulo Gustavo, o que só cresceu depois do filme em 2012. Hoje, ele circula com outros dois shows: Hiperativo e 220 Volts.

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