Quinta-feira, 13 de Agosto de 2020
Vida

Resenha: Paulo Gustavo retorna a Manaus com o espetáculo 'Minha Mãe É Uma Peça'

O ator já visitou a cidade com a peça "Hiperativo' e agora retorna com o espetáculo que lhe tornou um dos nomes mais quentes da comédia nacional



1.jpg Paulo Gustavo interpreta Dona Hermínia, uma dona de casa que tenta se ocupar na ausência dos filhos
16/05/2015 às 09:18

Em breve passagem pela capital amazonense, o comediante Paulo Gustavo arrebatou um público caloroso e verdadeiramente fanático ao se apresentar em Manaus nesta quinta-feira (14) com seu espetáculo “Minha Mãe É uma Peça”. O “star power” de Gustavo ficou mais do que comprovado pelas filas imensas que marcaram a entrada de suas duas apresentações, bem como a disputa por lugares centrais de um local um tanto inusitado para uma peça de teatro.

Ao interagir com o público após as sessões, ele também se mostrou interativo, aceitando (e comentando) os vários presentes dados pela plateia (teve brinco, carta de amor e até um chiclete), sendo ao mesmo tempo grato e irreverente quando o assunto era sua popularidade na cidade, enfim, um showman à altura de sua atual fama no País.



E foi justamente nesses momentos fora do personagem que Gustavo trouxe frescor aos shows que fez durante a noite. Que o show tem suas qualidades, todo mundo sabe, mas ele deixa um gostinho de quero mais, caso a pessoa seja familiarizada com o filme sucesso de bilheteria que foi baseado na peça.

E o público parecia, de fato, bem à vontade com o trabalho de Gustavo: numa das interações pós-show, a plateia da segunda sessão respondeu em peso ao artista que já tinha visto o espetáculo antes, dando uma sensação de pregação para convertidos. Além disso, o show foi um evento fechado reservado àqueles que fizeram compras maiores ou equivalentes a R$ 500 no Amazonas Shopping no período pré-Dia das Mães, valor que reforça a ideia de que a maioria dos presentes era bastante fã do artista.

Quem já viu tanto a peça quanto o filme sabe que o comediante tem um domínio incrível sobre a personagem que criou (até por beber de fontes muito pessoais ao compô-la) e, muitas vezes, consegue fazer rir tão-somente com seu padrão de fala, uma voz ultra aguda com a agilidade que mataria vários rappers de inveja.

No entanto, foram poucas as chances em que o show usou do seu formato ao vivo para apresentar algo novo (uma das grandes vantagens do teatro sobre o cinema), o que foi um desperdício considerando quão receptiva estava a plateia.

O fato é que a adaptação de “Minha Mãe É uma Peça” para o cinema foi tão fiel que assistir a peça hoje, depois do filme, tem pouco de novidade, de maneira que, quem chegou virgem com relação ao que se tratava o espetáculo teve a chance de se divertir a valer. Para quem já era familiarizado, o charme era estar perto do artista mesmo. Nada disso é culpa do comediante, muito pelo contrário. Talento ele tem de sobra para as próximas empreitadas. O público aguarda ansiosamente.

Homenagem e sátira

A peça é toda construída em um monólogo, proferido por Dona Hermínia, a personagem-título. Livremente inspirada na mãe do comediante, ela acaba sendo uma homenagem e uma sátira dos comportamentos maternos, com um humor bastante calcado no cotidiano e que brinca com estereótipos comuns. Filhos rebeldes, parentes distantes e chatos, gastos da vida diária, o ex-marido (e a respectiva nova mulher) e os vizinhos viram alvos da língua ferina de Hermínia, que não poupa as pessoas que mais ama: em determinado momento da peça, ela acusa a filha de estar tão gorda que, um dia, “ela veio com uma capa de chuva amarela, quase que eu chamo achando que era um táxi”.

O que o filme acabou melhorando em relação ao espetáculo foi a introdução de atores para interpretar personagens que, na peça, só conhecemos por nome e menção, dada a natureza de “one man show” da peça. Personagens que vibram na telona, como o Juliano de Rodrigo Pandolfo ou a Soraia de Ingrid Guimarães, não causam o mesmo efeito ao vivo.

Em compensação, a peça tem um charme atemporal ausente no filme, que parece bastante focado nos dias de hoje. Em um único cenário (que faz às vezes de outros, com variações na iluminação e na música), o espetáculo tem uma aura vinda diretamente dos programas antigos da apresentadora estadunidense Lucille Ball.

Se o tempo parece em aberto durante a peça, o cenário da Região Metropolitana do Rio de Janeiro está mais do que claro no decorrer dela, o que não se mostrou problemático para a plateia manauara, que tem um longevo histórico de adoração pela Cidade Maravilhosa e que se deixou cativar pelas maluquices de Gustavo do início ao fim do espetáculo, que durou uma hora.

Saiba +

O espetáculo

O monólogo estreou em 2007 e deu fama nacional a Paulo Gustavo, o que só cresceu depois do filme em 2012. Hoje, ele circula com outros dois shows: Hiperativo e 220 Volts.


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