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Resistir aos remédios ou equilibrar o uso deles?

Tanto os que aprovam o uso de remédios quanto os que rejeitam concordam que, tirando o fator genético e os agentes externos como vírus e bactérias, algumas doenças são respostas do organismo aos maus hábitos 28/05/2013 às 08:53
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Emmanuelle Canavarro cresceu ouvindo que era melhor evitar os medicamentos e hoje faz deles seus aliados: "Tudo na medida certa é bom"
Cynthia Blink Manaus, AM

Em tempos onde se encontra “cura para todos os males” à venda na farmácia da esquina, existem pessoas que resistem ao uso de medicamentos industrializados para solucionar problemas de saúde.

Quem não “engole” as pílulas da cura acredita tomar a medida certa, com base em diversas pesquisas que criticam o uso de remédios e os mostram como venenos, pois prejudicariam o meio espontâneo da cura. Esses estudos garantem que curar-se é tão natural quanto a reprodução, a digestão e o crescimento.

Causa e consequência

Tanto os que aprovam o uso de remédios quanto os que rejeitam concordam que, tirando o fator genético e os agentes externos como vírus e bactérias, algumas doenças são respostas do organismo aos maus hábitos. Quer dizer, se você é sedentário, consome alimentos impróprios, fuma, não se protege dos raios solares, por exemplo, é questão de tempo para adoecer.

Os que rejeitam as drogas convencionais também defendem que elas eliminam o sintoma sem eliminar a causa do problema, ou seja, o corpo continua doente só que a pessoa não sente.
 
Mudança radical

Emanuelle Canavarro, 21, cresceu ouvindo que era melhor evitar os medicamentos. “Mamãe dizia que eu só devia tomá-los em último caso. Então, simplesmente os aboli da minha vida”, diz a redatora de marketing.

Mais tarde, ela passou a recusar também os remédios caseiros. Aos 20 anos começou a sofrer fortes dores de cabeça. Parentes e amigos insistiam, em vão, para que Emanuelle tomasse os remédios.
 
“Eu lia muito sobre as peripécias da indústria farmacêutica e falava da ação destrutiva deles no corpo”, conta. Ao procurar ajuda profissional Emanuelle descobriu que tem TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e o problema com remédios foi justificado. Hoje, mudou seu estilo de vida: “não sei o que seria da mim sem minhas pílulas mágicas. Tudo na dose certa é bom”.

Remédio natura

lUma opção dos receosos da indústria farmacêutica são os produtos naturais. O biólogo Ismael Ribeiro diz que, assim como nas drogarias, o meio ambiente também tem vários remédios. “Tenho asma e consumir remédios naturais me ajuda a cuidar dessa e várias enfermidades há anos”, explica.

Mas é um engano comum achar que os remédios naturais não causam efeitos colaterais. Já está comprovado que, exatamente como os remédios industrializados, eles tem contra-indicações e efeitos adversos. Além disso, para chegarem ao mercado os remédios convencionais passam por uma série de pesquisas clínicas e estudos para testar eficácia, efeitos e reações.

Disciplina e confiança

Segundo os médicos, remédio tem dose e hora certa para tomar. Seguir a prescrição profissional é a forma segura de consumir um medicamento.

“Extinguir os remédios dos tratamentos de saúde é uma atitude arriscada. No caso de algo incurável, por exemplo, administrar a doença será difícil e a morte não será retardada”, afirmou o infectologista do Hospital Tropical de Manaus, Antonio Magela.
Para o médico especialista em medicina ambiental Gilberto Luiz de Paula, a confiabilidade na relação médico e paciente deve ser fortalecida.

“Hoje vivemos mais graças o desenvolvimento dos remédios. Os judeus têm um ditado que diz: ‘Muito remédio não é bom para o bolso e nem para o coração’, ilustra bem que se existe a necessidade de consumir grandes quantidades de um remédio há algo de errado, talvez a estratégia deva mudar”.

Dr. Luiz Saraiva, médico cardiologista

“O que enfraquece o corpo é o remédio mal administrado. A cronofarmacologia (estudo que relaciona os efeitos dos medicamentos de acordo com as horas do dia) indica a hora exata de tomar o remédio, se não tiver esse acompanhamento e a dose certa aumentam as chances de acontecer o efeito colateral, além de atrapalhar a ação do medicamento”.

Dose certa

Um grupo de pesquisadores revisou estudos sobre o sal desde 2005 e constatou que o limite diário de 1,5g, equivalente a meia colher de chá, não traz tantos benefícios para o coração e as artérias. A conclusão do comitê, formado pelo Instituto de Medicina e pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, é de que um consumo diário de 2,3g já é suficiente para evitar ataques cardíacos e derrames em pessoas com esse risco.

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