Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019
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Revelação nacional, banda Sinara mistura ritmos e cria estilo único

Formado por netos e filho de Gilberto Gil, mais um amigo, grupo se destaca pela harmonia de reggae, rock, axé, baião e maracatu



1.jpg Revelação nacional, banda Sinara mistura ritmos em cria estilo único
15/12/2015 às 12:04

Uma combinação de estilos e muita descontração dão o ritmo à “Sinara”, que lançou o primeiro EP digital, “Sol”, há menos de um mês e já chegou para impactar o mercado musical nacional. A banda é composta pelo vocalista Luthuli Ayodele, com João e Francisco Gil (netos de Gilberto Gil) nas guitarras, baixo de Magno Brito e o baterista José Gil — filho caçula do ex-ministro da Cultura e afilhado de Caetano Veloso.

Reggae, rock, axé, baião, maracatu, Música Popular Brasileira (MPB) e outros gêneros são harmonizados com letras positivas, românticas e reflexivas. Sem entraves ou padrões culturais segmentados, essa mistura resultou no trabalho de estreia em parceria com a Sony. São quatro canções de temáticas bem diferentes — “Marchando”, “Favela”, “Floresta” e “Antes Que Eu Morra” —, mas com um ponto em comum: o amor.



“O amor é algo muito maior do que um “eu te amo”, que já se tornou uma frase muito superficial. Amor é muito mais do que um relacionamento afetivo entre duas ou mais pessoas; é ajudar o próximo, fazer o seu papel no mundo, fazer o bem sem esperar nada em troca. Tentamos jogar isso no nosso CD. Tratamos do amor popular, do amor social — questionando a sociedade — e do amor como solução. São várias vertentes, como um rio”, disse Luthuli.

De acordo com ele, a preferência por um “Extended Play” — gravação considerada longa para ser um single e muito curta para ser classificada como álbum — teve a finalidade de desconstruir o padrão da sociedade moderna de que “tudo é descartável”. A ideia é apresentar uma espécie de degustação auditiva e cativar, no público, a vontade de conhecer melhor o estilo da banda; Deixar um gostinho de “quero mais”.

“O ser humano está tratando tudo de forma descartável. Tudo que você tem de bom é tratado assim. Queremos parar com isso. Quem ouvir as quatro músicas vai levar só 15 minutos. No show — que eu já trato como um lançamento — tocamos de 12 a 15 músicas autorais e três ou quatro ‘cover’. Essas do EP são simplesmente uma apresentação. Quando você ouve, entende a banda. Nosso foco é criar curiosidade”, enfatizou o vocalista da “Sinara”.

Sem limitações para a música

Na opinião de Luthuli, definir que um grupo pertença a determinado gênero musical restringe a criatividade e a oportunidade de alcançar diferentes públicos. Ele é a favor da liberdade, sem padrões. “Essa padronização ‘minha banda é de reggae, então, só vai ouvir quem gosta de reggae’ limita muito. Minha banda é o que qualquer um quer ouvir. A música é uma troca: como ouvimos todo tipo de música, fazemos todo tipo de música”, ressaltou.

Sobrenome que abre as portas

Além de cantar, Luthuli Ayodele também é o compositor das canções e fundador do grupo, ao lado de Francisco Gil. Enquanto o segundo tem um dos sobrenomes mais famosos da MPB, o primeiro nasceu e cresceu na Rocinha. Ambos se conheceram ainda na infância, estudaram na mesma escola e montaram uma banda com um terceiro colega. Uma década depois, se reencontraram e decidiram recomeçar o sonho. “Nossos pais trabalhavam juntos na Casa de Cultura da Rocinha”, afirmou José Gil.

Ele reconhece que o nome famoso abre portas. Porém, não é o suficiente. É preciso ter atributos, se destacar. “Luthuli começou a compor e mostrou alguns demos para Francisco. Ele se animou e pensou ‘isso tem força, preciso montar a minha banda’. O nome abre portas, mas as coisas acontecem pela qualidade, relevância do trabalho. Se mostrássemos um trabalho pífio, não adiantaria usar um sobrenome. Acreditamos em uma força independente”, declarou o baterista, que é tio de dois membros do grupo: João e Francisco.

Segundo o músico, a melhor definição da “Sinara” é justamente a inexistência de uma definição, porque “predomina a mistureba de gêneros, um caldeirão”. Juntos há 2 anos, com os últimos 12 meses dedicados entre shows ao vivo, gravação e lançamento do EP, a “Sinara” deverá percorrer muito chão em 2016. Apesar do sonho de se arriscar no cenário internacional, hoje, o foco da banda é alcançar o Brasil de uma ponta a outra. Manaus, inclusive, poderá entrar nos planos.

“A coisa surgiu de uma amizade tão natural, que isso reflete no som. Tínhamos expectativas, esperávamos que fosse muito bem recebido, mas não nessa proporção. Queremos que esse movimento não pare, que se torne uma onda. Temos intenção de correr o Brasil e fechar um circuito. Se Deus quiser, um dia, esse som vai se propagar lá fora, mas primeiro queremos conquistar aqui. Recebemos mensagens de vários lugares do País. Eu conheço Manaus. É só nos chamar, que nós vamos”, enfatizou Gil.

Saiba mais

“Sinara” significa “sinistro, maneiro”, segundo os próprios integrantes da banda, que é formada por: Luthuli Ayodele e Francisco Gil, ambos de 21 anos; João e Magno Brito, de 25 anos cada; e José Gil, 24. Todos são cariocas, com exceção de Brito.


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