Domingo, 17 de Novembro de 2019
Vida

‘Rio, eu te amo’: amazonenses que escolheram viver no Rio de Janeiro comentam sobre a cidade

Artistas do Amazonas falam do que mais admiram na Cidade Maravilhosa, que completa 450 anos de fundação em 2015



1.jpg Eliana Printes mora na Cidade Maravilhosa há quase 20 anos: 'Rio é uma poesia'
20/02/2015 às 16:29

Os séculos passam em desfile, mas como diz a música popular, ele continua lindo. O Rio de Janeiro celebra seus 450 anos de fundação no próximo dia 1º de março. Como lembrança desse aniversário, A CRÍTICA traz depoimentos de personalidades amazonenses que adotaram a Cidade Maravilhosa como lugar para viver.

Aí se incluem o artista visual Alberto Saraiva, os músicos Eliana Printes e Júnior Rodrigues, e a designer de biojoias Maria Oiticica. Levados por diferentes trajetórias até a capital fluminense, eles falam do que mais gostam (e do que não gostam) na cidade, e revelam seus lugares preferidos. Confira!



Eliana Printes

Há quase 20 anos Eliana Printes vive na capital fluminense, para onde se mudou a fim de expandir os horizontes de sua música. “Viemos sem saber o que encontraríamos pela frente. Graças a Deus, fui adotada pela cidade que adotei para viver”, conta ela, que hoje se diz dividida entre dois rios, o de Janeiro e o Negro. “Em Copacabana, às vezes ponho os pés no mar e imagino que ali há um pouco das águas do rio Negro”, declara ela. Também é com lirismo que ela define o outro Rio, com ‘r’ maiúsculo: “O Rio é uma poesia muito grande”.

Onde mora na Cidade Maravilhosa?

Copacabana.

Qual a melhor coisa do Rio, na sua opinião? E a pior?

Há várias melhores coisas: a hospitalidade das pessoas, as belezas naturais que todos conhecem até das redes sociais. Mas o mais interessante é mesmo o povo: no Carnaval mesmo vemos o quanto ele trabalha e se dedica para ter um resultado bonito. A pior coisa acredito ser a violência.

Onde o Rio é mais Rio?

O Centro é o lugar que mais representa a cidade. O Paço Imperial, a Praça XV, o Largo do Carioca, a Igreja da Candelária, este um dos pontos mais bonitos do Rio.

Qual seu ‘cantinho’ preferido na cidade?

A Colônia dos Pescadores, no Posto 6 de Copacabana. É onde me sinto mais próxima de Manaus: há os barcos chegando, o barulho dos motores de popa, os pescadores que vendem peixe ali mesmo.

Maria Oiticica

Designer de biojoias Maria Oiticica

Idas e vindas marcam a relação de Maria Oiticica com o Rio de Janeiro: com o primeiro marido – que era carioca –, ela morou lá por 17 anos e teve dois filhos. Voltou a Manaus e ficou aqui por 18 anos, mas no meio tempo casou de novo – com outro carioca. Há 12 anos, retornou ao Rio, cidade pela qual se diz apaixonada: “Admiro sua beleza absurda, sua geografia, sua luz, as florestas, o mar e o estado de espírito do carioca”. O trabalho com biojoias, conta a designer, tem raízes na terra natal, mas também se inspira na sua cidade de adoção: “As montanhas e curvas femininas dessa cidade mulher me inspiram  muito na criação”.

Onde mora na Cidade Maravilhosa?

Jardim Botânico, mesmo bairro  onde tenho o meu atelier.

Qual a melhor coisa do Rio, na sua opinião? E a pior?

É o estado de espírito do carioca. Isso não quer dizer que necessariamente a pessoa tenha nascido no Rio. Como escreveu o genial Millôr Fernandes, o carioca “é um cara nascido dois terços no Rio e outro terço em Minas, Ceará Bahia, São Paulo, sem falar em todos os outros Estados, sobretudo o maior deles o estado de espírito”. E as piores coisas são a saúde pública e a falta de segurança, que tanto afetam o carioca.

Onde o Rio é mais Rio?

São tantos. Nas praias, nas favelas, nos monumentos como Pão de Açúcar e Cristo Redentor. Em seus símbolos como o Maracanã e o Sambódromo. No por do sol visto do Arpoador.

Qual seu ‘cantinho’ preferido na cidade?

Minha casa. Daqui tenho uma linda vista da Lagoa, da Pedra da Gávea, do Morro Dois Irmãos e da Rocinha.  Sou vizinha do Jardim Botânico e fico aos pés  do Cristo Redentor. Preciso mais?

Junior Rodrigues

Junior Rodrigues destaca cultura na cidade

Desde 1990 Junior Rodrigues faz visitas ao Rio, mas no último ano ele foi com a família, “de mala e cuia”. “Fui para estudar música e para firmar novas parcerias”, conta o sambista que, como Carmem Miranda, tem as rodas de samba como preferência. “Fiquei esse ano visitando rodas de samba, onde o trabalho de composição tem muita força, para abrir portas”. Hoje em Manaus para fazer shows e gravar um CD e um videoclipe, ele saúda o Rio como cidade cultural: “A cultura está em todos os lugares e por todos os preços. Todo mundo tem acesso”.

Onde mora na Cidade Maravilhosa?

Rio Comprido, entre a Tijuca e o Túnel Rebouças.

Qual a melhor coisa do Rio, na sua opinião? E a pior?

A irreverência do povo: ninguém liga se você anda a pé, de carro ou de ônibus, ou para o que você veste. A pior: por ser uma cidade grande, você é só mais um. A recepção aqui não é a mesma do amazonense, o que é ruim para quem busca parcerias e depende de outros artistas.

Onde o Rio é mais Rio?

No samba, na irreverência. O carioca é muito criativo e alegre, principalmente em época de Carnaval. O cara vai a um bloco na praia ou no calçadão, com seu isopor ou bolsa térmica, e já é o Carnaval dele.

Qual seu ‘cantinho’ preferido na cidade?

No samba, principalmente o Samba do Trabalhador, toda segunda-feira no bairro de Andaraí. É um dos repertórios de que mais gosto, do Moacyr Luz, que gravou comigo no CD novo.

Alberto Sariava

Alberto Saraiva está há 25 anos no Rio

Já nas primeiras viagens para fazer cursos de férias no MAM, Alberto Saraiva sabia que queria morar no Rio de Janeiro: “Comecei a vir aos 16 anos, já pensando em me mudar e estudar Belas Artes”. Há 25 anos ele vive na capital, que define como “acidente geográfico singular”: “Mistura montanha com mar, floresta com cidade. E soube preservar o verde, algo essencial para uma cidade do século 21 que quer ter qualidade de vida”. Saraiva acresce que Manaus e Rio têm muitas afinidades, “como se fossem pontes secretas de pensamento”. “Transito na cidade como se na minha casa, um sentimento que só tenho por Manaus”.

Onde mora na Cidade Maravilhosa?

Hoje em Copacabana, mas já morei na Glória e em Santa Teresa.

Qual a melhor coisa do Rio, na sua opinião? E a pior?

A melhor coisa do Rio é o carioca, e a sua criatividade para enfrentar a vida do dia a dia. É um tipo de gente amistosa, com um jeito descontraído de ser e de lidar com as coisas. A pior coisa são as desigualdades sociais, grande desafio que todo centro urbano tem de enfrentar, e também o transporte urbano.

Onde o Rio é mais Rio?

O Rio Antigo, o Centro da cidade, com o aqueduto dos Arcos da Lapa, as igrejas barrocas, o casario. Tudo resultado da mão de obra indígena e da presença da Família Imperial, que deu uma feição bastante diferente à cidade.

Qual seu ‘cantinho’ preferido na cidade?

A Pedra do Leme: caminho no calçadão de Copacabana e vou até lá, onde ficam os pescadores. Às vezes subo ainda ao Forte do Leme, gosto de olhar a cidade lá de cima.


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