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Riscos do ‘Papo Gordo’: autodepreciação afeta adolescentes

O “Papo gordo”, tradução livre de “Fat talk” é mais frequente ainda entre os grupos de adolescentes e, muitas vezes nada tem a ver com a gordura corporal real ou imperfeições visíveis 20/06/2013 às 08:49
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O perigo do “Papo gordo”, é que essa conversa informal sobre o corpo pode evoluir rapidamente para uma imagem distorcida e negativas sobre si mesma
Luana Ribeiro Manaus, AM

Em qualquer rodinha feminina, queixas sobre o suposto quadril largo, barriga saliente, e outros comentários negativos sobre o próprio corpo, são comum e rendem horas de conversa - e lamentações.

O “Papo gordo”, tradução livre de “Fat talk” é mais frequente ainda entre os grupos de adolescentes e, muitas vezes nada tem a ver com a gordura corporal real ou imperfeições visíveis. Especialistas afirmam que, que ao contrário do que se pensa, esse papo é uma forma de expressar insegurança e se integrar em grupos de amigas.

Imagine a cena: ao ouvir uma amiga lamentando o ganho de peso, uma menina diz que está gorda também só para não desagradar a colega insatisfeita com a própria forma física. Alguém se identificou?

Pesquisa

O perigo do “Papo gordo”, é que essa conversa informal sobre o corpo pode evoluir rapidamente para uma imagem distorcida e negativas sobre si mesma. Uma pesquisa da Universidade Nothwestern, dos Estados Unidos, avaliou o comportamento de grupos de meninas do ensino médio de uma escola em Illinois e mostrou que em 93% delas tinham “Papo gordo”.

O pesquisador americano Mimi Nichter, da Universidade de Nothwestern, responsável pelo estudo e criador do termo “Fat Talk”, registrou alguma conversas adolescentes. Diálo gos como: “Eu estou tão gorda!”, seguido de “Para! Você é tão gorda!”, “Estou sim, olha minhas coxas” e “Ah, e as minhas então” aconteceram várias vezes ao longo do dia.

A estudante Adrianne Gomes, 17, se diz insatisfeita com o próprio corpo. “Eu acho meu rosto muito estranho, tenho a boca pequena, queixo muito grande e não me acho magra”, exagera. E confirma que o “Papo gordo” é frequente nas conversas entre meninas.

“Minhas amigas tem a mesma o opinião que a minha sobre elas mesmas. Todas tem algo que não gostam, barriga, rosto, sorriso e outras coisas”, diz a adolescente. Mas Adrianne diz ter consciência que o teor da conversa não ajuda nenhuma delas. “Eu admiro muito quem se gosta, tem auto estima lá no alto e que é tranquila com isso. Acho que é mais saudável, mas ainda não consigo ser assim”, diz ela.

Padrão

De acordo com a psicóloga do sistema Hapvida, Rochelle Almeida, esse comportamento acontece porque nossa a atual geração tem uma padrão de beleza bem estabelecido.

“O ideal de agora é ser magra e sarada, isso gera uma preocupação nas mulheres adolescentes e adultas. Essas conversas parecem representar mais uma necessidade de auto-afirmação diante das amigas, do que o papo de alguém que realmente não se gosta” avalia a especialista.

Mas Rochelle concorda com um ponto da pesquisa que diz que as pessoa praticam o “Papo Gordo” tem um risco maior para o desenvolvimento de insatisfação, que é um fator que pode levar a distúrbios alimentares.

“Isso tudo começa a ficar perigoso quando você passa a ter sua imagem corporal distorcida, que é o corpo que você vê no espelho, e por conta disso começa a alterar a alimentação, a fazer dietas e exercícios descontrolados, sem consulta médica”, diz.

No caso das adolescente esse risco é ainda maior. “É um período em que a identidade está se firmando e ainda não tem uma estrutura emocional, e assim acaba sendo levado pelo que grupo que se relaciona, e esquece o individual”, finaliza.

Dilema

Os problemas com o próprio corpo que afetam muitas adolescentes podem estar na forma como muitas delas descrevem suas imagens para as amigas

Mesmo assunto

Uma pesquisa feita pela Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, publicada pela revista “Psychology of Women Quartely” avaliou 168 estudantes adolescentes que estudavam no ensino médio de uma escola em Illionois, e mostrou que 93% dos jovens avaliados conversavam uns com os outros sobre a gordura quase compulsi-vamente.

Conversa solidária?

Líder do estudo sobre “Papo Gordo”, o pesquisador Mimi Nichter, argumenta , que as constantes conversas sobre peso e gordura entre as mulheres é uma espécie de ritual social entre amigas, uma forma de estabelecer a solidariedade.

Algumas dicas

Faça uma piada

Crie uma piada leve para quando suas amigas tiverem falando sobre gordura. Algo do tipo “Deixa só a minha amiga saber que você está falando assim dela!”.

Dê exemplo

Seja a mudança que você quer ver. Adotar hábitos saudáveis ajuda você e inspira que está ao seu lado.

Pratique esportes

Tente praticar alguma atividade física que lhe dê prazer e que esteja associada a perda de peso

Não se compare

Não compare o seu corpo com o dos outros. Aprecie suas formas e o que você tem de melhor

Mude de assunto

Não alimente o assunto, apenas finja que não ouviu e comece outra conversa. Você pode dizer algo como: “Eu acho que você está ótima. Você vai sair neste final de semana?”

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