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MÚSICA

Ritmo do Carnaval, axé ganha documentário com imagens raras e depoimentos

"Axé - Canto do povo de um lugar" reafirma importância do gênero musical nascido na Bahia dos anos 80. Com 92 entrevistas, documentário traça panorama desde nascimento até estouro do axé 28/02/2017 às 05:00
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Filme traz 92 entrevistas com ícones da axé music (Divulgação)
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

“Enquanto houver Carnaval e gente disposta a pular, vão ter que nos engolir”. Assim o jornalista Osmar Martins, “testemunha ocular” do nascimento de um dos maiores fenômenos da música baiana, encerrava o seu balanço sobre os 30 anos da axé music em matéria publicada no jornal A CRÍTICA, em fevereiro de 2015. Um ano antes, porém, o publicitário e futuro cineasta Chico Kertész já pensava em transformar a história do ritmo em documentário, que agora começa a chegar às salas de cinema.

Nas quase duas horas de duração do filme “Axé – Canto do povo de um lugar”, vemos passar pela tela Bell Marques, Luiz Caldas, Ivete Sangalo, Daniela Mercury e outros ícones do ritmo baiano que se espalhou pelo Brasil. Com um total de 92 entrevistas, incluindo gente que brilha nos palcos e nos bastidores, o documentário traça um panorama desde o nascimento até o estouro do axé, sem excluir os momentos de crise, ressentimento e sua herança contemporânea.

“Sempre militei na publicidade e no jornalismo, então acabo juntando as duas experiências e trago isso no filme”, explica o diretor, em entrevista à reportagem. Abaixo, Kertész comenta sobre os destaques do documentário e por que vale a pena compreender o axé como uma expressão cultural que vai muito além dos hits.

O axé é um gênero musical com componente cultural muito forte, mas também se transformou com o tempo numa verdadeira indústria com DNA baiano. Como o filme aborda essas diferentes faces?

O filme optou por ouvir os agentes e deixá-los falar. São eles que contam a história: os artistas, radialistas, produtores etc. Desse modo, acredito que mostramos cada face do axé com a complexidade que elas têm… desde os aspectos mais louváveis até os mais lamentáveis. Como toda história, essa também tem muitos pontos de vista e altos e baixos, mas, no geral, o axé deixa saldo positivo na cultura brasileira. 

O filme traz algum registro ou história inédita? 

Sim, revelamos imagens que nunca tinham sido exibidas, como as do desfile do Olodum em 1987, ano em que o bloco lançou “Faraó”. Temos também imagens pouco vistas e/ou esquecidas, recortes raros de jornal, além de histórias de bastidores nunca contadas ou, ao menos, não tão detalhadamente, como a odisseia do início do É o Tchan no clube Itapagipe. 

Que desafios você contornou nessa produção? 

Direitos autorais e liberações. No filme são no total 104 músicas e essas liberações envolvendo tanta gente foi o maior desafio. Cheguei a ouvir conselhos para diminuir as músicas que estavam no filme, mas acabamos conseguindo. 

Quanto tempo durou a produção? Onde aconteceram as gravações? 

Durou pouco mais ou menos de dois anos. As gravações foram feitas principalmente em Salvador, com deslocamentos ao Rio de Janeiro e Fortaleza. 

Que aspectos o filme deixou de abordar ou abordou com menos destaque, mas que merecem um aprofundamento futuro?

A trajetória de Margareth Menezes é o ponto que pede mais aprofundamento. Acontece que, como eu já disse, optamos por construir a história baseados nos depoimentos, e as referências feitas a ela não nos permitiram abrir um capítulo falando de sua carreira que, sem dúvida, muito contribuiu para o engrandecimento da música baiana. Ela é uma estrela de primeira grandeza, não só da axé music. Mas, cinema tem complicações que só quem está com a mão na massa percebe.

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