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Robério Braga fala sobre programação de eventos culturais para o fim do ano no AM

Titular da SEC confirma a realização de festivais ainda em 2014 e fala sobre novas unidades do Cláudio Santoro no interior 20/09/2014 às 19:15
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‘Agora, em relação a processo político e construção do futuro... Eu só trabalho com o presente. E com o passado, porque sou historiador’, afirma o secretário de Cultura do Amazonas
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

No ano passado, a Secretaria de Cultura (SEC) enfrentou a oposição de parte da classe artística quando anunciou que daquela vez realizaria seus principais festivais no interior. Passado todo esse tempo, e após a Copa do Mundo, que acabou afetando o calendário de eventos da pasta, a secretaria se prepara para inverter a dinâmica: os festivais voltam à capital e os artistas, técnicos e jornalistas do interior é que virão trocar experiências em Manaus, a convite do Governo do Estado.

“Por que esse bate-bola é importante?”, questiona o secretário Robério Braga, emendando com a resposta: “Primeiro, porque o conceito não é que a gente é que tem cultura e vai levá-la para os outros. Todos têm, mas o importante é o intercâmbio. Também é importantíssimo evitar guetos, com pessoas sem acesso a experiências em outra cidade e sem frequentarem outros ambientes na sua própria. Nem sempre somos bem entendidos nessa lógica, mas se parar para pensar ela é fundamental”.

A essa altura, a equipe da SEC trabalha em ritmo acelerado para realizar cinco grandes eventos (incluindo o Concerto de Natal) em cerca de três meses. O Festival de Música, que começa no próximo dia 24, não entra nessa conta. Outros como os de cinema e dança, após terem sido alvo de boatos de que seriam cancelados, estão mais do que confirmados, segundo Braga, mas com possíveis ajustes no formato e duração. O de rock, programado para a primeira semana de novembro, desta vez vai ocupar o Centro Cultural Povos da Amazônia, na Bola da Suframa.

Por sua vez, o 11º Festival de Teatro da Amazônia já está com inscrições abertas para a mostra competitiva, marcada para o início de outubro. Para este, o secretário adianta que virão a Manaus comitivas de 15 municípios do interior. “O Governo não vai esperar que os artistas do interior venham, ele vai trazer essas pessoas, assim como levou os de Manaus para lá. É uma ação ao mesmo tempo indutora e provocadora”, diz.

De acordo com Braga, mantida essa dinâmica é natural que os eventos voltem para o interior no próximo ano, agora em municípios por onde ainda não passaram. “Por que isso não foi feito há mais tempo?”, questiona mais uma vez. “Isso é um processo. Todo mundo fala na importância da interiorização, mas no ano passado quando apresentamos a proposta, foi difícil convencer, porque aí o artista pensa na sua produção, enquanto o Estado tem que pensar em todos”, responde.

Efeito Copa

O titular da SEC aponta que o aperto na agenda de festivais é um efeito da Copa do Mundo em Manaus. Outra consequência foi o adiamento da 2ª Bienal do Livro, que deveria acontecer esse ano. “O governador pediu que adiássemos a atividade porque ela seria realizada em cima da Copa. Além disso, as escolas estavam paradas, e a Bienal depende fundamentalmente da visita dos estudantes porque a escola dá uma ativação expressiva ao evento”, justifica.

Apesar disso, aponta Robério, a SEC continua atuando na edição de livros a cada 15 dias e na distribuição de caixas-estantes em bibliotecas institucionais. “Também estamos adquirindo e atualizando acervos. Nosso programa será sequenciado: a cada dois meses vamos atualizar o acervo da Biblioteca Pública a partir da lista de mais vendidos”.

Permanência

Quando perguntado sobre a sua permanência à frente da SEC com a mudança de gestão no Governo do Estado após as eleições, Robério disse não trabalhar com hipóteses. Ele responde pela pasta desde 1997. “Sou secretário de cultura hoje, posso até não ser amanhã, como já fui secretário de Comunicação, chefe da Casa Civil, chefe de gabinete do prefeito... Assim como tive um tempo em que não era secretário de nada”.

“Não penso nessas questões. Sou fruto da escola pública do Amazonas. Do meu primeiro estudo até o mestrado, fiz em instituições públicas. Então me senti e sinto na obrigação de devolver à sociedade o que ela me deu. Agora, em relação a processo político e construção do futuro... Eu só trabalho com o presente. E com o passado, porque sou historiador”, concluiu.

É preciso que a gente exercite as mudanças, todas elas, para que encontre o melhor modelo. Nada é perfeito e acabado, tudo é uma permanente construção. O festival mais antigo que temos, o de ópera, já foi ajustado diversas vezes. Não tenho medo das mudanças, não é bom ter medo das mudanças que aprimorem, que discutam o que está sendo feito.

Mais Liceus no interior

Em edição que terá homenagem ao Grupo Carrapicho, o 5º Festival Amazonas de Música vai acontecer entre os dias 24 e 27 de setembro em Manaus e em Parintins, que receberá atividades de formação. Além de artistas selecionados da capital e da Ilha Tupinambara para a mostra competitiva, a mostra não competitiva terá a participação de uma banda de Envira.

O município, um dos mais distantes do Amazonas, foi um dos escolhidos para receber mais uma unidade do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro. “Já fizemos o treinamento de 70% dos 120 instrutores”, revela o secretário de cultura, anunciando outras unidades em Borba, Itacoatiara e mais três municípios. “Também vamos lançar em breve uma ação surpresa, grande, gigantesca na área de formação artística, para consolidar de vez todas as nossas ações nesse segmento”, completa.

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