Domingo, 21 de Abril de 2019
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ENTREVISTA

Roteiristas da série 'Boto' falam da imersão que fizeram em Manaus durante o trabalho

Leonardo de Sá, Lígia Souto e Marcus Mazieri adiantam detalhes da série de TV produzida pela Artrupe


02/04/2017 às 05:00

Como nasce uma série de ficção para TV? No caso de “Boto”, que está sendo realizada pelo coletivo Artrupe Produções Artísticas, o esboço da história começou a surgir numa folha de cartolina em que os roteiristas Leonardo de Sá, Lígia Souto e Marcus Mazieri passaram a rabiscar ideias, anotações e possibilidades de enredo. 

Os três paulistas entraram para o projeto a convite de um dos diretores da série, o amazonense Victor Kaleb, que os conheceu durante um curso na SP Escola de Teatro. Vindos das artes cênicas, eles já haviam trabalhado separadamente com audiovisual, seja atuando, dirigindo ou escrevendo roteiros para documentários, mas esta é a primeira experiência deles com a ficção.

“Nosso processo para a série sempre funcionou muito na base de um pegar a ideia do outro, se reapropriar dela e melhorá-la. Depois de toda a parte de criação e estruturação da história, por vezes nos separamos para escrever os roteiros de fato. Ainda assim, todo episódio passou pela revisão e edição dos três roteiristas”, explica Leonardo. 

Contemplada no Programa Brasil de Todas as Telas, do Ministério da Cultura, “Boto” terá 13 episódios, com 26 minutos cada. A trama apresenta um grupo de jovens manauaras que trabalham com teatro e enfrentam as dificuldades de muitos artistas do País, como falta de financiamento, espaço físico, e tantos outros. 

“Podemos dizer que a série mostra a trajetória de um coletivo de artistas que está gravando um filme. Eles moram juntos na mesma casa, a Casa Boto. Aliás, boto também é o nome do coletivo, do filme, e da própria série. Uma obsessão!”, acrescenta Mazieri.

Lígia diz que a série se passa entre a ficção e a realidade, com personagens que acabam se deparando com os próprios limites e dúvidas acerca de suas identidades. Além da clara referência à lenda do boto, uma das propostas de “Boto” também é apontar questões pertinentes sobre gênero, sexualidade e relacionamentos, temática prevista no edital do MinC, que assim pretende suprir a demanda por esse tipo de conteúdo na TV pública.

Vivências

Por conta da série, Leonardo, Lígia e Marcus fizeram uma imersão para vivenciar o dia a dia de Manaus, cidade que ainda não conheciam. “Estar em Manaus foi fundamental para que pudéssemos nos alimentar de experiências reais junto aos aspectos gastronômicos, culturais e geográficos da cidade, além de poder travar contato com os artistas que estão atualmente produzindo e fomentando a cena teatral manauara”, comenta Leonardo, destacando o encontro com o poeta Zemaria Pinto, cujos livros foram fundamentais durante a pesquisa.

Para Marcus, a possibilidade de estar na cidade foi positiva em todos os aspectos, afinal, os roteiristas puderam dimensionar uma realidade que não passaria de suposição enquanto eles não saíssem de São Paulo. “Voltamos de Manaus com muita energia criativa e uma dimensão mais realista da cidade e das pessoas, o que com certeza proporcionou um enredo mais coeso e verossímil”.

“Foi como tirar a cidade do lugar do imaginário e torná-la real”, emenda Lígia. “Quando começamos a escrever a série, no começo de 2016, ainda não conhecíamos a Manaus de verdade, então, de certa forma, acabamos ‘inventando’ uma cidade imaginária onde se passava a nossa história. Conhecer Manaus foi impactante porque vimos que, a partir das nossas pesquisas e estudos, acabamos escrevendo uma cidade muito parecida com a verdadeira”. 

Livros e filmes

Em meio às muitas referências que ajudaram os roteiristas a delinear os contornos da série, algumas se destacam. É o caso dos filmes “Tatuagem”, de Hilton Lacerda, “Laurence Anyways” e “Amores imaginários”, de Xavier Dolan, além dos livros “Romanceiro da Batalha da Borracha”, de Samuel Benchimol, e “Manifesto Contrassexual”, de Beatriz Preciado. 

“Mas, sem romantismo, a verdadeira inspiração está na própria experiência pessoal, sobretudo porque as personagens da série tem vivências compatíveis com as nossas: são jovens, apaixonados por arte, trabalham com cinema e teatro e moram em casas coletivas”, avalia Marcus.

Estágio do trabalho

Em fase de pré-produção, “Boto” será dirigida pelos integrantes da Artrupe Diego Bauer, Victor Kaleb e Rafael Ramos, que vão se revezar a cada episódio. As gravações devem ocorrer entre os meses de maio e julho, e a previsão é que a série seja incluída na grade das TVs públicas do País. Na fotografia estarão César Nogueira e equipe, e a produção executiva é de Keila Serruya.

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