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NOVELA E VIDA REAL

Saiba mais sobre Asperger: a forma mais branda do autismo

Com a 5ª edição do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-5), a síndrome passou a fazer parte do Transtorno do Espectro Autista (TEA) 22/05/2017 às 22:25 - Atualizado em 22/05/2017 às 22:25
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Sthepane desconfiava da condição de Eyme quando a filha tinha dois anos de idade. Diagnóstico saiu aos cinco. Foto: Aguilar Abecassis
Luana Gomes Manaus

Dificuldade de se relacionar e interpretação literal da linguagem podem ser características de muitas pessoas com pouca prática social. Mas, em certos casos, dão o sinal da popularmente conhecida Síndrome de Asperger. Uma das cinco protagonistas de “Malhação – Viva a Diferença”, Benê (interpretada pela atriz Daphne Bozaski) descobrirá nos próximos capítulos da trama que sofre do autismo de grau leve, nomenclatura utilizada atualmente.

Com a 5ª edição do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-5), a Síndrome – antes distinta do autismo – passou a fazer parte do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo a neuropediatra Lívia Vianez Costa, o termo aplicado nos manuais médicos de hoje é “Desordem do Espectro Autista de Nível 1, sem a presença de prejuízos intelectuais ou verbais”.

Ao contrário do autismo típico, o diagnóstico da Síndrome é mais tardio, especifica a neuropediatra. Além disso, na maioria dos casos, não há relação com retardo mental e atraso da fala.

Lívia explica que a condição é um “distúrbio do desenvolvimento que se manifesta por alterações sobretudo na interação social, na comunicação e no comportamento”. Segundo ela, algumas características são comuns entre pacientes com o diagnóstico, como dificuldade na comunicação verbal e não-verbal, rigidez de pensamento e comportamentos rotineiros ou repetitivos.

A personagem da nova temporada de Malhação tem obsessão por determinadas atividades, como a corrida e agora o piano.

Diagnosticada com Asperger desde os cinco anos, Eyme Leão também tem interesses persistentes. A jovem é telespectadora assídua de jornais. “Sabe todos os nomes dos jornalistas. Conhece desde a sonoplastia de abertura e encerramento do programa aos créditos e edição. É muito detalhista nesse assunto e só sai de casa em horários que não a atrapalhem de assistir as edições dos jornais”, detalha a mãe Stephane Pedroso Leão.

Stephane diz que desconfiava da condição da filha quando a pequena tinha dois anos de idade. “Tive a minha certeza quando ela estava com três, mas o laudo só veio quando ela estava com cinco”, pontua. Quando pequena, Eyme usava a mãe como uma “extensão”, andava na ponta dos pés, falava na terceira pessoa e tinha momentos de audição apurada. “Quando eu a chamava pelo nome várias vezes, era como se fosse surda, não atendia e nem ligava. Mas em outras ocasiões se incomodava com o barulho de um celular tocando na rua”, exemplifica.

De acordo com a mãe, a filha sabia ler muito bem, tendo aprendido sozinha com três anos. No entanto, não conseguia ter um diálogo. “Tinha muitas esteriotipias (comportamento caracterizado por ações repetitivas e de grande interesse da criança sem que haja um objetivo final), flaps (movimentos de braço) e muita ecolalia (repetição da fala do outro)”, descreve.

Depois do diagnóstico da adolescente, Stephane, à época cursava faculdade de Pedagogia, aplicava em casa muito do que aprendia com suas mestras. “Precisei me dedicar 100% pra ela. Das coisas necessárias para ajudá-la: falar de forma clara e objetiva, sem rodeios; entender os seus sinais de comportamento; evitar barulhos para não desconcentrá-la; manter uma certa rotina todo dia; e fazer tudo com maior paciência, tempo e muito amor”, enfatiza.

Diagnóstico
Para identificar a condição, o diagnóstico é clínico, baseado em um conjunto de critérios comportamentais, conforme Lívia Vianez. Já o tratamento é feito por diversos recursos.

“O tratamento visa melhorar a qualidade de vida tanto do indivíduo afetado quanto da sua família, por meio de psicoterapia, fonoterapia, terapia ocupacional e apoio psicopedagógico quando necessários. Tratamento farmacológico só é necessário no caso da existência de comorbidades (associação de pelo menos duas patologias ao mesmo paciente), como TDAH, depressão, entre outras”, explica a neuropediatra.

Na nova versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM), a DSM-5, a síndrome de asperger, que era considerada relacionada mas distinta do autismo, passou a fazer parte do diagnóstico de transtorno do espectro do autismo

Sinais
Neuropediatra lista características de um paciente com a síndrome

- Dificuldade no relacionamento pessoal;

- Dificuldade na comunicação verbal e não-verbal;

- Interpretação literal da linguagem;

- Rigidez de pensamento;

- Dificuldade ao nível do pensamento abstrato;

- Dificuldade na empatia;

- Comportamentos rotineiros ou repetitivos;

- Interesses limitados e especiais;

- Peculiaridades do discurso e da linguagem;

- Hipersensibilidade aos estímulos sensoriais;

- Dificuldades na autorregulação emocional

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