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Saiba o que é necessário para dar à luz de forma segura em casa

Assim como a modelo Gisele Bündchen, muitas mulheres sonham dar à luz no conforto do lar. Conheça os mitos, vantagens e o que é necessário para viver este momento fora da maternidade 04/01/2015 às 12:20
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Sem medo: ter filhos em casa é seguro
Natália Caplan ---

“Foram os momentos mais intensos da minha vida”. É assim que Gisele Bündchen, 34, resume a experiência do nascimento de Benjamim e Vivian Lake, de 5 e 2 anos, respectivamente, ao dar entrevistas à imprensa. A modelo é defensora do parto natural e fez questão de dar à luz aos dois filhos na banheira, em casa. “Sabia que aquela sensação era finita e que existia um motivo maior por trás daquela experiência”, disse.

Durante os dois partos, realizados na residência da gaúcha, só estavam presentes uma parteira americana e os aparelhos necessários para procedimentos em casa. Semelhante a de qualquer mulher que opte por não ir à maternidade. Sem ambulância ou uma “superestrutura” tecnológica, apenas equipamentos de emergência.

Enquanto o trabalho de parto do menino durou oito horas, o da caçula levou três dias. Quando as contrações ficaram mais fortes, Vivian nasceu em menos de três horas. “Sabendo de mais informações sobre as formas diferentes de parir, pude optar com mais segurança de qual maneira queria ter meus bebês”, explicou Gisele, em entrevista a um programa de TV, nos Estados Unidos.

A opção do chamado “parto domiciliar”, antes vista como restritas às famílias de baixa renda ou com pouco acesso aos recursos de saúde, agora é preferência de um grupo mais escolarizado – e abastado. Segundo o Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (Gama), que reúne parteiras e especialistas em parto natural de todo País, só em São Paulo são realizados entre dez e 50 partos domiciliares por mês.

“Quando se fala em parto domiciliar, as pessoas imaginam improviso e despreparo, quando, na verdade, é justamente o contrário. Para atender a partos domiciliares, o profissional (obstetra, obstetriz ou enfermeira obstétrica) precisa ter bastante experiência e qualificação, além de toda uma estrutura básica que envolve equipamentos de reanimação neonatal, fio para sutura, oxigênio, dentre outros”, ressalta Allice Lopes, 22.

Integrante de uma equipe humanizada, ela lembra que a escolha é da grávida. Porém, todo o planejamento deve ser feito com base no acompanhamento mensal com o ginecologista obstetra. “O pré-natal deve ser muito bem feito e a gestante deve estar confiante. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a mulher escolha o lugar onde se sente mais segura para parir, seja em casa, no hospital ou casas de parto”, afirma.

A casa, entretanto, deve disponibilizar de sistema de abastecimento de água e tratamento esgoto, e os responsáveis devem criar um “plano B”. “O parto domiciliar planejado, assistido por equipe qualificada, é uma opção segura. É preciso ter hospital de referência para transferência. A transferência não acontece apenas em caso de intercorrência, mas caso a mulher mude de ideia ou deseje uma analgesia”, explica.

Mais segurança

Em meio à “epidemia de cesarianas” que enfrenta o Brasil, segundo palavras do próprio ministro da saúde José Gomes Temporão, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou um novo estudo sobre o risco da cirurgia, quando feita sem real necessidade. Os partos naturais são quase três vezes mais seguros para mães e bebês, por isso, o índice máximo aceito pela instituição é que um País tenha no máximo 15% de procedimentos cirúrgicos.

O assunto ainda é polêmico no País. “Alguns profissionais aprovam, outros não. Por isso, a recomendação é a de sempre procurar um profissional alinhado as suas expectativas. Essa decisão é da mulher, que deve estar bem assistida. Caso haja algum problema que a impeça de optar pelo parto domiciliar é possível ter um parto humanizado em ambiente hospitalar”, completa a doula.

Allice citou algumas vantagens em relação ao parto hospitalar, desde que a gravidez não seja considerada de risco. “O risco de contaminação ou infecção em casa é bem menor, visto que a esterilização hospitalar não é sempre eficiente. Há menos intervenções desnecessárias (episiotomia, ocitocina sintética, entre outras)”, conclui, ao informar que o Ministério da Saúde do Reino Unido recomendou às grávidas que evitem ter o bebê no hospital.

Desvendando mitos

- O material do profissional que atende parto domiciliar inclui oxigênio, máscara, material de sutura, anestésico local, instrumentos esterilizados, drogas para contenção de hemorragia, luvas estéreis e mais 20 itens.

- O profissional que atende parto domiciliar é médico, ou enfermeira obstetra, ou obstetriz, formados em cursos superiores e com experiência em atendimento de partos normais — com e sem complicações.

- O parto começa em casa, mas acaba onde precisa acabar. Se houver algum sinal de que talvez o parto possa complicar, é feita a remoção para o hospital.

- Menos de 1% das complicações acontecem de uma hora para outra. A maioria delas são evoluções de horas e horas, até se configurar uma mudança de faixa de risco.

- Faz parte do atendimento do parto a limpeza completa de todo o ambiente onde o bebê nascer, a retirada dos vestígios de sangue, e a arrumação.

- O hospital não é esterilizado, pelo contrário, está cheio de bactérias resistentes. Segundo, o parto normal não ocorre em local estéril em qualquer lugar do planeta.

- O bebê fica em observação pela equipe após o nascimento e tal qual no hospital ficará em alojamento conjunto com a mãe, recebendo as visitas diárias até a “alta”.

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